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A mostrar mensagens de janeiro, 2025

Dos grandes campeões - Seleção de Andebol no Europeu

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  Boa sorte para logo rapazes, são uns campeões!  

Das coisas da Política, porque tudo é política

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  A última vez que o Burro escreveu aqui sobre política foi no rescaldo da derrota de Kamala Harris, o cenário era tão triste que mais valia falar sobre séries e filmes para sobreviver melhor à angustiante atualidade ,e assim continua, mas entretanto vontade não me faltou de vir aqui comentar algumas coisinhas. Dentro de portas temos o boçal Arruda e o roubo das malas, o que mais inquieta não é o ridículo da situação, é sermos confrontados com o nível de indigência a que estamos sujeitos na Assembleia da República, a casa que devia ser a mais nobre do país, pois pois. Ah, e neste caso a presunção da inocência foi enviada para as calendas, os pilhas galinhas não têm essa prerrogativa, só os vigaristas mais encartados – qual presunção qual carapuça, invocar a politicamente correta presunção de inocência é tão disparatado como o dito Arruda alegar que as imagens foram feitas com recurso à inteligência artificial, é óbvio que o homem não é sério, mas daí até termos alguns senadores da repú...

Dos filmes que amamos - O Brutalista, de Brady Corbet

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  O Brutalista foi certamente o filme com maior duração que vá vi em cinema, e é numa sala de cinema que deve ser visto, três horas e quarenta minutos, incluindo quinze minutos de intervalo, mas para o espetador que gosta de cinema o tempo não passará a correr, porque o realizador dá-nos tempo para apreciar a evolução da narrativa e a estética do filme, mas não dará certamente pelo tempo a passar. Brady Corbet filma a história de um jovem arquiteto húngaro que chega a Nova Iorque, nos anos 50, depois de ter sobrevivido ao holocausto, história essa com várias dimensões, a do resgatar dos fantasmas do passado, a do reencontro da família, a do sentimento de rejeição dos americanos a quem chega de fora, a do mecenas que quer fazer bonito à custa da arte, ou a do artista que não sabe bem até que ponto se tem de sujeitar para fazer valer a sua arte, tudo isto com uma estética muito minimalista, da simplicidade dos materiais em bruto, da beleza do cru, do brutalismo , precisamente, do concret...

Dos filmes que amamos - Ainda Estou Aqui, de Walter Salles

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  Numa noite durante a semana, a sala em que vi AINDA ESTOU AQUI estava repleta, um silêncio sepulcral de comoção, mais de 200 pessoas em comunhão com um recordar coletivo dos perigos que todos vivemos num regime totalitário, AINDA ESTOU AQUI é claramente um filme político que se impõe mais do que nunca. A alegria funcional da família Paiva no início soa a genuína, aquelas personagens parecem de carne e osso, nós aspiramos a ser como aquelas personagens, invejamos aquelas personagens, e num ápice tudo se desmorona, num ápice a vida troca-nos as voltas, mas há quem consiga contrapor à tragédia a nobreza e a coragem. A memória histórica de um país é fortíssima neste filme de Walter Salles, mas é a intimidade duma família que nos arrasta consigo, no seu jogo de cumplicidades e de demonstrações sucessivas de amor, nas emoções que vivemos quase em família, e esta experiência em cinema é fortíssima, é grande cinema. Não há como não destacar Fernanda Torres, um prodígio assombroso de represen...

Das séries de que gosto - Fleabag

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  Há anos e anos que queria ver esta série, Fleabag, uma comédia estreada em 2016 com poucos episódios que se veem num ápice. Fleabag é uma série profundamente feminista mas nada feminina, nenhuma das personagens é simpática, todas têm um lado muito negro, mas estamos sempre a torcer pela protagonista, cínica, irónica, quase intragável, viciada em sexo mas frustrada sexualmente, sem horizontes profissionais, mal amada pelo pai, com uma relação conturbada com a irmã e a viver um profundo luto, sem nunca nos rirmos à gargalhada das situações mais incómodas consegue sempre um humor finíssimo. Se a autora e protagonista Phoebe Waller-Bridge é simplesmente genial, no meio de um elenco muito sólido temos como bónus dois dos atores que mais admiro nos dias de hoje, Olivia Colman e Andrew Scott. Fleabag é humor requintado, negro e subtil, fantástica. Na Prime Video.  

Dos filmes que adoramos - A Verdadeira Dor, de Jesse Eisenberg

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  Há filmes entendidos como menores que são absolutamente maiores, que delícia esta comédia dramática que junta dois primos improváveis numa viagem de homenagem à avó de quem tanto gostavam, numa descoberta das suas origens e confronto com as consequências do holocausto. O realizador e ator Jesse Eisenberg é notável, num registo muito Woody Allenniano , ansioso, sem aptidões sociais e carregado de humor sarcástico, mas o primo Kieran Kulkin é gigante e, se dúvidas houvesse com o seu Roman Roy de Succession , o homem já está no olimpo dos atores, que carisma, enorme nesta personagem muito divertida e de grande delicadeza, que vai de um extremo ao outro das emoções com uma subtileza insuperável, podemos estar a fazer rir uma audiência para esconder uma vulnerabilidade ao ponto de só querermos morrer, podemos ser os palhaços de que todos gostam só para fazermos o nosso luto ou suprirmos a falta de atenção de quem gostamos. A Real Pain pode parecer leve e tonto, mas transborda emoção, gost...

Dos filmes de que gosto - Juror #2, de Clint Eastwood

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  Há certas coisas que custam a aceitar aos apreciadores de cinema, Clint Eastwood é um dos grandes mestres, realizador de uma vastíssima filmografia, com títulos como Million Dollar Baby , A Mula , Imperdoável ou As Pontes de Madison County , à beira de completar 95 anos, talvez o realizador mais velho em ação, e aquele que será provavelmente o seu último filme não teve estreia nas salas, saltou diretamente para o streaming , que lástima não lhe podermos prestar essa homenagem. The Juror #2, é um clássico dos filmes de tribunal, com o tom certo, no ritmo certo, uma excelente direção de atores (Toni Collette sempre brilhante) e uma importante reflexão sobre o sistema jurídico norte-americano, só coisas boas, que bela despedida se for o caso. Uma longa vida Clint, bravo! Na Max.   

Dos filmes que vejo - Nosferatu

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  Apesar de ter gostado do Drácula do Coppola, essa foi a exceção que confirma a regra, não gosto de filmes de terror, mais concretamente de terror gótico, e muito raramente vejo, não por me assustar, apenas porque acho sempre tudo muito chato e sem graça nenhuma. Feita esta ressalva, quis ver este Nosferatu de Robert Eggers, inspirado no mesmíssimo Drácula de Bram Stoker, para poder ter os meus favoritos nesta temporada de prémios, sim, Nosferatu é um fortíssimo candidato a muitas das categorias técnicas, estando também a ganhar vários prémios nalgumas categorias principais, como realização e atriz principal. Não sendo fã do género, reconheço muitas virtudes no filme, lá está, naquelas coisas mais técnicas como as roupas e os cenários, e a luz, lindíssima aquela luz, escura, sombria, mas é tudo muito chato, um bocejo que nem as cenas para assustar me espevitaram. Lily-Rose Depp nas listas das melhores atrizes do ano? A moça não é só uma cara bonita filha de pais famosos, não está prop...

Dos filmes que vejo - Wicked

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  Não posso dizer que é um grande musical porque as canções são um bocado frouxas, monocórdicas, mas é um filme muito bem feito, tudo o que é técnico é notável, os efeitos visuais, a fotografia, os cenários, a maquilhagem, as coreografias frenéticas, o uso da cor, sempre muita cor, muita cor mesmo, e tem frases muito bonitas sobre o direito à diferença e o dever de proteger os animais, tudo impecável, mas é só um filme infantil, OK? Sério candidato a melhor filme do ano? Óscares para Cynthia Erivo ou Ariana Grande? Esqueçam lá isso. Mas levem as vossas crianças que é bem bonito.  

Das séries de que gosto - Families Like Ours

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  Estamos habituados a que os refugiados venham de longe, tenham uma cor de pele mais escura e sentimo-nos pouco ligados a eles social ou afetivamente - e se fossem ocidentais como nós, louros, simpáticos, donos de casas fantásticas e de carros de fazer inveja? E até que ponto, nós, pessoas de bem, aos nossos olhos pessoas de bem, conseguimos ser empáticos, solidários e éticos uns com os outros quando a nossa sobrevivência é ameaçada? Em Families Like Ours , série realizada pelo consagrado realizador dinamarquês Thomas Vittenberg, o governo dinamarquês ordenou a evacuação do país porque a subida iminente das águas do mar vão deixar a Dinamarca submersa, a partir daí é um salve-se quem puder, acompanhando ao longo de sete episódios a saga de uma família, numa história comovente e perturbante que nos faz pensar, desconfortável por vezes, a angústia de esperar pelo episódio da semana seguinte para perceber como é que aquelas personagens, que podíamos ser nós, se vão safar. Vittenberg diss...

Dos filmes que adoramos - Tudo o que Imaginamos como Luz

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  Tudo o que Imaginamos como Luz, filme da realizadora indiana Payal Kapadia, é um tratado de beleza e sensibilidade, com tanto de poesia, como de política, ao acompanhar três enfermeiras de gerações diferentes, em Mumbai, que reivindicam a sua liberdade, a sua individualidade, o seu direito a serem pessoas independentes e donas das suas decisões - All We Imagine as Light é um profundo documentário da India remediada e também é uma bela história de amor. Numa sociedade muito marcada pelo preconceito das castas e da religião, que não está habituada a dizer “amo-te”, estas três mulheres conquistam uma cumplicidade em que todos os gestos, silêncios e omissões são formas delicadas de amor, de um jeito sofrido mas sempre com nobreza de carácter, em que a luz do título do filme tanto pode ser uma luz mais onírica, como será sobretudo a luz que dá cor ao filme, o azulado da chuva das monções na cidade, ou o verde e vermelho da aldeia no interior, que fotografia tão bonita esta. E a banda sono...

Das exposições que eu vejo - Veneza em Festa, na Gulbenkian

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  “ Veneza foi descrita e pintada vezes sem conta e, de todas as cidades do mundo, é a mais fácil de visitar sem lá estar ”, quem o disse foi o escritor Henry James no início do século XX. Quando há poucos anos finalmente visitei Veneza, parecia que já conhecia intimamente a cidade de tanta informação que fui acumulando ao longo dos tempos, no cinema, na televisão, nos livros, na pintura, nas fotos de quem por lá já passou, até no Carnaval, de facto não precisamos de pôr os pés na Sereníssima para sentir que já lá estivemos, e se há os que, inexplicavelmente, lhe passam ao lado, cheira mal , dizem, outros há, como eu, que se perdem por amores pelos canais da Aveiro italiana. Para quem vive na zona de Lisboa, aprecia pintura e é fã de Veneza, não perca a exposição “Veneza em Festa” na Gulbenkian, em colaboração com o Thyssen de Madrid, onde nos podemos consolar com a obras dos Mestres Canaletto, Guardi, Bellotto e Tiepolo, imperdível. Até 13 de janeiro, depois só em Madrid.  

Do teatro de que gosto - Não Vos Arrancarei a Língua

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  “Não Vos Arrancarei a Língua – momentos há em que as palavras nos abandonam”, é uma encenação de Bruno Bravo com base num texto de Patrício Torres, é difícil de catalogar, será comédia? Nonsense ? Não tem diálogos lineares fáceis de acompanhar, estranha-se, e entranha-se, entranha-se-nos em nós este casal de idosos, dementes talvez, que num discurso pouco coerente vai recordando episódios soltos, alguns traumáticos, de quando eram um casal novo e fogoso, ou de quando terão perdido um bebé, ou as pequenas rotinas que se vão repetindo até a (falta de) memória tornar tudo difuso, com mais sombras do que luz, por isso começamos a rir com Não Vos Arrancarei a Língua, mas no final saímos meio desconcertados e com algo a apertar-nos a alma, o que é mais ou menos o mesmo que dizer que vale muito a pena ir ver esta peça. Gostei muito da dupla de atores que desconhecia, André Pardal e Rita Correia, com uma nota de destaque para os cenários. No Teatro Aberto.  

Das coisas de cinema e os Globos também falam português - Fernanda Torres

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O Globo de Ouro para melhor atriz em filme dramático fala português, a maravilhosa Fernanda Torres arrecadou a estatueta com o filme AINDA ESTOU AQUI, 25 anos após a sua mãe, a icónica Fernanda Montenegro, também ter sido nomeada pela sua interpretação em Central do Brasil, ambos filmes realizados por Walter Salles. AINDA ESTOU AQUI estreia no dia 16 de janeiro e estou absolutamente em pulgas para o poder ver, a história verídica de Eunice Paiva, que não desiste de procurar o seu marido, ex-deputado, desaparecido durante a ditadura militar, contando com a participação também de Fernanda Montenegro, mãe de Fernanda Torres no filme e na vida real, este filme promete tanto, mas tanto. Já tivemos portugueses nomeados aos principais prémios do cinema, os Óscares, o responsável de fotografia Eduardo Serra e os produtores da curta de animação Ice Merchants , além da própria Montenegro enquanto portadora da nossa língua, mas (se não me engano, creio que não) é a primeira vez que um prémio dest...

Das séries de que gosto - Black Doves

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  Thriller de espionagem na alta política de Londres, com cenas de tiros e pancadaria mais divertidas e coreografadas do que verosímeis, e em que durante seis episódios super enxutos, sem qualquer cena a mais ou aborrecida, mais importante do que saber se iam conseguir escapar com vida ou descobrir quem é o vilão era a densidade emocional da dupla de espiões, keira Knightley absolutamente carismática enquanto mulher de ministro há muito infiltrada, e Ben Wishaw, dono do olhar de assassino apaixonado mais meigo e sofrido que há alguma vez me recordo ter visto no écran (e fora dele também, que não costumo ver olhares de assassinos), que maravilha. Na Netflix.