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A mostrar mensagens de agosto, 2025

Dos filmes de que gosto - A noite Sempre Chega, de Benjamin Caron

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  Ultimamente os filmes, e sobretudo as séries, que tenho visto têm estado muito centradas nos muitos ricos – The White Lotus é só um exemplo -, mas com A Noite Sempre Chega, do realizador britânico Benjamin Caron, vamos até às funduras da pobreza de Lynette, que tem apenas 24 horas para arranjar 25.000€ e salvar a casa de família, onde vive com uma mãe inusitada e um irmão com Síndrome de Down. A Noite Sempre Chega é metade filme de suspense, sem nunca ser verdadeiramente um filme de suspense, e metade drama social e humano, sem nunca ser verdadeiramente intenso para ser um drama, e tem algumas inverosimilhanças, aquela destemperança de Lynette que tudo arrisca até ao limite, vai lá vai, não é por isso um filmaço, mas ainda assim é um filme muito interessante que vemos com muito agrado, mais não fosse por uma das maiores do nosso tempo, se ainda não a descobriram em The Crown ou, sobretudo, Pieces of a Woman , onde foi nomeada para um óscar, não estejam distraídos, Vanessa Kirby aga...

Das séries de que gosto - The Gilded Age (3ª temporada)

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  É fútil? É. Superficial, tonta, em que os problemas se resolvem todos com um entra e sai de chapéus, vestidos com folhos e dourados por todo o lado? Sim sim. É tudo isso, mas a terceira temporada de The Gilded Age – dos mesmos criadores de Downton Abbey - foi sem dúvida a série perfeita para os dias descontraídos de férias, maravilhosamente cínica e divertida. Nesta história de costumes sobre o dinheiro novo e o dinheiro antigo da Nova Iorque do final do século XIX, há lugar para umas alfinetadas em coisas sérias, casar por amor, dinheiro ou segurança, o divórcio a arrasar reputações, o racismo a ser combatido, os direitos de voto das mulheres, a modernidade a chegar com os caminhos de ferro e o relógio de pulso, mas The Gilded Age é uma sátira muito divertida sobre os velhos costumes da época, onde além da guerra aos novos ricos temos também o conflito entre a snobeira inglesa com a franqueza americana, quem é que não fica a torcer contra as vilanias da tão britânica Lady Sarah no ...

Dos filmes de que gostamos, das noites especiais e ainda (por fim) do Periferias – A Quinta, de Avelina Prat

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  Galegos faz fronteira com a aldeia vizinha La Fontañera, sendo já tradição do Periferias que, numa das noites do Festival, a tela do filme esteja do lado de lá da fronteira, e as cadeiras dos espetadores do lado de cá, o ecrã em Espanha, as pessoas em Portugal, esta ausência de fronteiras e de barreiras é muito bonita e simbólica, especialmente numa altura de tanta matança e sofrimento por causa das fronteiras. O filme escolhido foi A Quinta, da realizadora valenciana Avelina Prat, uma produção catalã, filmada sobretudo no Minho, com atores espanhóis a falarem português, e atores portugueses a falarem espanhol, a mistura de dois povos consumada com toda a naturalidade, a naturalidade que quem vive na raia conhece tão bem. Nos dias que correm, as coisas tendem a ser todas muito literais, a literalidade é algo que me assusta, aonde é que fica o espaço para o mistério, para a ironia, para o humor, para a literatura, para o segundo sentido, e A Quinta brinca muito com a literalidade, nem...

Das curtas-metragens que vejo e ainda do Periferias - Happier, happier, happier

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  Outra das noites especiais do Periferias teve como protagonista principal o músico David Santos, mais conhecido por Noiserv, um dos músicos que mais toca no meu Spotify, admito. Começou num dos lugares mais especiais da Serra de São Mamede, as ruínas da cidade romana da Ammaia, no sopé de Marvão, com o Noiserv a interpretar duas das suas músicas, seguido da sua saborosa curta-metragem Happier, Happier, Happier , que, num tom documental, acompanha de forma divertida um rocambolesco convite que Noiserv recebeu para atuar na televisão pública chinesa, cinema não é só ficção de grande fôlego, também são pequenas histórias contadas de forma simples. Mais tarde, depois da visualização de FLOW , vencedor do óscar para melhor filme de animação de 2024, o público foi convidado a ir para um bar ouvir Noiserv a passar música. O Periferias a criar vínculos e misturar as populações vizinhas, a ser mais do que uma mostra de cinema, muito interessante.  

Dos filmes de que gostamos e dos festivais de Marvão – A História de Souleyman e o Periferias

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  O Periferias é uma verdadeira dádiva da descentralização cultural, levando filmes de autor e documentários às comunidades rurais da raia alentejana, projetando filmes ao ar-livre em aldeias e lugares históricos das cidades irmãs de Marvão e Valência de Alcântara, aquém e além-fronteira, tão emblemáticos como pátios do castelo, ruínas de cidades romanas, praças de bairros góticos ou lagares de azeite. Se o outro grande baluarte da cultura marvanense – o FIMM Festival Internacional de Música de Marvão – leva a alta cultura à raia alentejana e arrasta multidões, com predomínio das gentes que vêm de propósito de Lisboa e do estrangeiro, atraídas pela elevadíssima qualidade do Festival - notem que esta minha afirmação é apenas baseada na minha perceção pessoal e não suportada com números oficiais -, o Periferias tem aumentado significativamente o número de espetadores, sendo estes sobretudo pessoas que vivem por aquelas terras, Marvão, Valência de Alcântara, Portalegre, Cáceres, Arronche...