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A mostrar mensagens de outubro, 2023

Da vida das cidades - Monumental, em Lisboa

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  O cinema Monumental tem um papel histórico na cidade de Lisboa absolutamente inolvidável, não sendo eu sequer um alfacinha – cresci a algumas centenas de quilómetros da capital -, foi ao Monumental que fui pela primeira vez ao cinema, ‘Uma Ilha no Teto do Mundo’, cuja única memória que guardo é precisamente a experiência de ir ao cinema e do grande cartaz com um dirigível muito colorido. O município e as autoridades que tutelam a cidade não podem gerir uma cidade apagando o seu património e a sua memória coletiva, devem respeitar as suas vivências e tradições (bem sei que Moedas e os seus antecessores têm estado perfeitamente a borrifar-se para isso, tudo o que não sejam hoteis é mato), mas quando agora, a propósito da reconstrução do espaço por um promotor privado, se discute se as antigas salas de cinema devem voltar a abrir enquanto tal, ou dar lugar a uma escola inclusiva e gratuita para adolescentes no domínio das tecnologias (projeto altamente interessante), não estamos só a fa...

Dos filmes de que eu gosto - Assassinos da Lua das Flores, de Martin Scorcese

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  Assassinos da Lua das Flores é um épico grandioso para ver no cinema, Martin Scorcese, o mago dos cinéfilos, conta-nos ao seu ritmo e no seu tempo, entenda-se três horas e meia, uma história sobre os primórdios da nação americana e os maus-tratos infligidos aos índios Osage que tinham descobertos jazidas de petróleo, privilegiando o retrato psicológico mas não descurando a reconstituição histórica. Creio que irá receber nomeações em barda para os prémios, sendo o meu palpite que não ganhará nada, não se podendo dizer no entanto que não fosse um justo vencedor em muitas categorias técnicas e nas de representação (DiCaprio talvez no seu melhor papel a fazer de meio ingénuo meio ganancioso, De Niro finalmente a ter um desempenho ao nível do seu prestígio, fortíssimo, mas a índia Lily Gladstone é sem dúvida a alma do filme, assombrosa), mas apesar da maldade pura dos brancos gananciosos e da dignidade estoica dos índios Osage, Scorcese não abriu mão da sobriedade e faltou-me algum arreba...

Das minhas músicas - Cette Blessure, de Vanessa Paradis

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  Cette Blessure, música de Léo Ferré cantada por Vanessa Paradis.  

Está mal - a javardice de Miguel Sousa Tavares e José Alberto Carvalho

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  Há muitos anos que deixei de acompanhar o Miguel Sousa Tavares, não me interessa mesmo nada o que escreve ou diz, da mesma maneira que não costumo seguir o telejornal da TVI, não aprecio alguns dos seus jornalistas, não só a inenarrável Sandra Felgueiras mas também o José Alberto Carvalho, desde os seus longínquos tempos do Jornal da Tarde na RTP nunca lhe consegui reconhecer grande inteligência nem qualquer capacidade para fazer entrevistas mais exigentes, mas saber agora que a alarvidade tomou lugar no telejornal das oito subiu uns degraus no que já é mau – a propósito da mulher trans que venceu o concurso de Miss Portugal (sim, ao que parece o concurso das Misses ainda perdura) foram capazes de dizer isto: - MST: “Tu casavas-te com esta mulher?” - JAC: “Não, não. De todo, e tu também não…” (risos) - MST: “Eu também não, de maneira nenhuma”. E é isto que temos em antena, senhores acionistas da TVI e senhor José Eduardo Moniz?  

Dos filmes de que gosto - Estranha Forma de Vida, de Pedro Almodôvar

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  O fado de Amália Rodrigues, maravilhosamente cantado por Caetano Veloso, deu o título à nova curta-metragem de Pedro Almodôvar, cujo único defeito que podemos apontar é que quando termina, ao fim de uma rapidíssima meia-hora, queremos continuar a ver mais de tão bom que é. Este western-queer , como Almodôvar o denomina, está muito longe da explosão dos seus primeiros filmes, aqui tudo é depurado, mas o detalhe, intensidade e sensibilidade são aquelas que Almodôvar sempre nos entregou, aqui o desejo e o erotismo não está na nudez dos corpos, está antes no olhar e nas palavras dos dois cowboys do deserto, cowboys que dão tiros mas que também fazem a cama e dobram impecavelmente a sua roupa interior, Estranha Forma de Vida é sobretudo sobre o amor, queer ou straight , é sobre a resposta à pergunta o que podiam fazer dois homens se decidissem viver juntos num rancho , chegando a resposta, talvez irremediavelmente tarde, mesmo no fim. Estranha forma de vida, aquela que se foge ao amor...

Dos ícones do cinema e das campanhas icónicas - Maggie Smith e Loewe

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  Dame Maggie Smith, atriz inglesa de 88 anos, é uma das maiores lendas vivas do mundo do cinema, uma autêntica rainha. A Loewe é uma marca de luxo espanhola de acessórios de moda. O fotógrafo Juergen Teller, sob a direção criativa de Jonathan Anderson, captou-a com muito pouca maquilhagem, e (quase) sem edição, para a campanha da nova coleção de 2024, tornando-se instantaneamente numa campanha icónica que vai perdurar nos anais da moda, fotografia e publicidade durante muitos anos, parabéns ao fotógrafo, ao criativo e à Loewe, e uma longa vida para a maravilhosa Maggie Smith, bravo!  

Apenas da falta de noção? - juíza Margarida Ramos Natário

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  A senhora doutora juíza Margarida Ramos Natário estava encarregada do julgamento do denominado caso EDP, no qual o ex-ministro Manuel Pinho é acusado de receber pagamentos ilícitos da conta saco-azul do BES, precisamente a mesma conta que serviu para alegadamente o ex-marido da senhora doutora juíza ter recebido 1,2 milhões de euros, ex-marido esse de quem, de acordo com as notícias, a senhora doutora juíza se divorciou para que caso alguma coisa corresse mal o património dos filhos não fosse prejudicado – como diz o povo, mulher prevenida vale por duas -, donde se pode inferir que a senhora doutora juíza estava ao corrente da situação e terá de alguma forma beneficiado desse pecúlio vindo da Enterprises Management Services Ltd , o mesmo expediente que a senhora doutora juíza agora ia julgar, e digo “ia” porque já não vai, apesar de contrariada a senhora doutora juíza pediu escusa, não por estar convencida que não tem condições para julgar o caso, apenas pelo amor que tem à justiça e...

Dos documentários que vejo - Beckham

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  Neste documentário vemos como Sir Alex Ferguson era como um pai para David Beckham e percebemos porquê, é bonito de ver como foi protegido por toda a equipa do Manchester United quando tinha todo um país contra si, de forma muito agressiva e intimidatória, por lhe terem atribuído a culpa pelo afastamento de Inglaterra no Mundial de 98, mas é também o próprio Ferguson que afirma não ser possível uma amizade entre treinador e atleta, porque este será descartado assim que o seu rendimento baixar, e assim foi, sem apelo nem agravo, não haja ilusões, o mundo do futebol não é para figuras paternais. Gostei muito deste documentário da Netflix, sobretudo por ver como um astro do futebol encontrou na sua vulnerabilidade, e no apoio da família e das suas equipas, a sua força para o sucesso, altamente inspirador.  

Dos filmes de que eu gosto - Fair Play, de Chloe Domont

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  Filme independente destinado a passar despercebido não fosse o élan que granjeou ao passar pelo festival de Sundance, uma história de amor e desamor na alta roda de Wall Street, em que uma mulher dita as regras do seu próprio jogo, mesmo que essas regras sejam aquelas misóginas ou cheias de masculinidade tóxica dos homens instalados no poder, um filme com muito sex-appeal e ares de thriller erótico com dois atores magnéticos, Alden Ehrenreich (até aqui tinha-me passado despercebido), e Phoebe Dynevor, a aristocrata naïve de Bridgerton. Fair Play, de Chloe Domont, muito bom. Na Netflix.  

Das minhas músicas - Márcia

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  Força de Fera, do algum 'Picos e Vales, Márcia, não me canso de ouvir, perfeição.  

Dos filmes que eu quero ver

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  Estamos em plena época alta das idas ao cinema, agora, até ao final da temporada dos prémios, temos filmes novos todas as semanas em catadupa - num ano promissor, dos filmes por estrear, estes são talvez aqueles dez que mais anseio ver.  

Das séries que eu vejo - Sex Education

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  Ao contrário do que o título indica, não me parece que Sex Education, que chega agora ao fim com a quarta temporada, pretenda educar - não duvidando que muitos espetadores, novos ou velhos, se sintam mais informados ao ver a série -, mas simplesmente entreter e desmistificar as várias nuances da sexualidade, e nisso Sex Education foi muito bem sucedida, sem dúvida que é bastante entertaining e que deve ter arejado um pouco algumas cabeças mais confusas ou preconceituosas. Quanto a mim, Sex Education peca pelo excesso de positivismo e bondade, somos todos bonzinhos, praticantes de ioga e incapazes de qualquer coscuvilhice, e por querer incluir na história toda a agenda dos temas sociais que hoje importam discutir, a igualdade, a intolerância, o bullying , o abuso ou agressão sexual, o preconceito religioso, a saúde mental, a violência no namoro, todas os temas LGBTQIAP+ (fui ao Google garantir que não me escapava nenhuma letra, admito), parece que os argumentistas não quiseram deixar...

Dos filmes que amamos - Past Lives

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  Falar de filmes sem emoção e algum exagero não é falar de filmes, Vidas Passadas ( Past Lives , no original) é até agora, de longe, o melhor filme do ano, e provavelmente vai sê-lo durante muito tempo, em cada silêncio cabem todas as palavras não ditas, em cada olhar cabe toda a contenção e timidez que trazemos em nós, em cada sorriso todas as circunstâncias das nossas vidas e em cada pulsar toda a nossa respiração que está suspensa até à cena seguinte, Past Lives é sem dúvida um dos maiores romances desta década e que vamos querer rever muitas vezes.  

De vergar a mola - Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit

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  Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit, cheio de convicções humanitárias: “ crimes de guerra são crimes de guerra, mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são ”, protestando contra o governo de Israel e “ chocado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com exceção em particular do governo da Irlanda ”.  Paddy Cosgrave, arauto dos direitos humanos, logo após o repúdio manifestado pelo embaixador israelita em Lisboa pelas suas afirmações: “ repetindo: crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados e devem ser denunciados pelo que são. Não vou ceder ”.  Paddy Cosgrave, aquele que vai levar a Web Summit para o Qatar, depois de ter feito contas aos investidores e receitas que ia perder à custa das suas convicções: “ A Web Summit tem uma longa história de parceria com Israel e as empresas tecnológicas, e lamento profundamente que esses amigos se sintam magoados com o que disse… Apoio inequivocamente o direito de I...

Da falta de vergonha – Estádio Municipal de Braga e outros que tais

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  O estádio municipal de Braga construído por ocasião do Euro 2004 custou 200 milhões de euros e a proprietária do espaço (câmara municipal) apresta-se a vendê-lo, por um valor que o autarca estima não inferior a 15 milhões de euros, coisa pouca a menos-valia. Se a situação não fosse trágica dava vontade de rir quando vemos o presidente da Câmara dizer ‘que se está a fazer uma avaliação formal daquilo que poderá ser o valor pelo qual o estádio poderá ser alienado’, vamos ser francos meus senhores, o estádio vale zero, é um ativo tóxico, a ‘Pedreira’ tem um valor negativo porque não tem qualquer utilidade e exige avultadas despesas de manutenção, apenas tem valor para o principal clube da cidade e por isso o estádio será vendido pelo valor que os donos do clube (endinheirados por sinal) quiserem, qual avaliação qual carapuça. Mesmo que o clube assuma algumas despesas de manutenção, admito que suporte gastos como a eletricidade ou manutenção dos relvados, é amoral saber que a renda paga ...

Dos documentários que vejo - Orlando, a minha biografia política, de Paul B. Preciado

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  Há 100 anos atrás Virgínia Woolf escreveu ‘Orlando’, um romance em que um jovem aristocrata muda de sexo, agora o escritor, filósofo e ativista trans Paul B. Preciado realiza o documentário ‘Orlando, a minha biografia política’ - obra de difícil classificação, documentário parece o mais aproximado -, que é uma carta cinematográfica dirigida à memória de Woolf para lhe agradecer e informar que o Orlando que em 1928 ela criou na literatura saiu dos livros e ganhou vida nas muitas pessoas transgénero, nomeadamente as 25 pessoas trans não binárias, dos 8 aos 70 anos, que com umas belíssimas gorgeiras do século XVII dão voz às palavras de Orlando e nos revelam que, na verdade, o caminho não é tão fácil como o foi o do aristocrata inglês, que numa noite durante o sono acordou noutro corpo, que o caminho é árduo mas que há sempre um caminho. Por vezes o filme perde-se um pouco, ou pelo menos eu perdi-me, mas impossível não sair das salas de cinema mais consciente e solidário.  

Dos filmes de que gosto - Golpe de Sorte, de Woody Allen

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Se ontem vos falava de um triângulo amoroso na literatura, hoje voltamos a outro triângulo amoroso no cinema. Alegrem-se fãs de Woody Allen, este Golpe de Sorte (Coup de Chance, no original) é um prodígio de tudo aquilo que gostamos nos filmes de Allen, não sendo da série dos sérios e profundos mas daqueles leves e divertidos, uma comédia negra que parodia com os tiques, dramas e neuras da elite parisiense - por acaso é filmado em Paris mas podia muito bem ser na Manhattan de sempre. Uma das personagens diz " we would like to be able to control everything but in reality we have very little control ", ou seja, como sugere o título do filme, a sorte e o acaso comandam grande parte das nossas vidas, mas façamos fisgas para que potenciais novos filmes de Woody Allen não sejam fruto do acaso ou de um golpe de sorte, pois apesar do espírito e acutilância de Allen estarem mais jovens do que nunca, o único drama aqui é saber que o senhor está a fazer 88 anos, sim, 88, e questionarmos...

Dos meus livros - Amor & C.ª, de Julian Barnes

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  O enredo de Amor & C.ª  ( Taking it over , no original) pode não nos suscitar à partida grande entusiasmo, um triângulo amoroso em que cada personagem nos relata por voz própria a sua visão da história, mas Julian Barnes concilia como ninguém a leveza e a graça com uma profunda e acutilante capacidade de observar as pessoas em ínfimos detalhes, pessoas capazes do amor, da sedução, da mentira, da humilhação, do desespero, pessoas presas a um passado plenas de nuances e ambivalências, que se repetem nas falhas, pessoas avisadas mas que se reinventam na procura desse amor ou que caiem sucessivamente na sua armadilha, como preferirem, pessoas que procuram o amor a prazo e outras que se convertem ao amor imediato, sem juros. Com uma escrita fluída, divertida e intimista, que nos entretém e convoca ao mesmo tempo as nossas vivências, Amor & C.ª é um dos melhores livros de Barnes (e Barnes só tem livros bons), quase ao nível de A única história e O sentido do fim .  

Das coisas bonitas - Alexander McQueen na Paris Fashion Week

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  A modelo nigeriana Toyosi desfilou este vestido Alexander McQueen na Semana de Moda de Paris - isto é arte.  

Das lendas vivas - Rolling Stones e o novo álbum

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Apesar de lhes achar piada e de gostar muito de algumas músicas, nunca foi uma das minhas bandas, não sou um fã indefectível, mas caramba, estes monstros sagrados merecem todas as vénias, eles têm 80 anos, são contemporâneos dos Beatles - formaram-se em 1962!! -, e no próximo dia 20 vão lançar mais um album de originais, Hackney Diamonds. Não é só na atitude que Jagger impressiona, ouçam 'Sweet Sounds of Heaven' com Lady Gaga e Stevie Wonder (outras lendas vivas) e confirmem com a sua capacidade vocal continua intacta, que arraso, mas partilho aqui o vídeo oficial de lançamento do album com os Stones a desbundar com 'Don't get angry with me'. Parabéns e longa vida para os Stones.    

Dos filmes que vejo - A maravilhosa história de Henry Sugar, de Wes Anderson

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  Há quem idolatre o universo Wes Anderson, e há também quem o considere uma repetição ad nauseam duma conceção visual única e irrepreensível, admito que por alturas dos ‘Tenenbaums’ eu estava no clube dos fãs, entretanto passei-me para o clube dos que já se aborrecem com a mesma fórmula de sempre, ainda tive esperança por alturas do ‘Grand Budapest Hotel’ mas logo a seguir voltei aos bocejos, e assim continuo com esta curta-metragem de 39 minutos, 'A maravilhosa história de Henry Sugar', nem aquele naipe de atores sempre formidável (Ralph Fiennes, Benedict Cumberbatch, Dev Patel), nem uma forma muito original de nos ler em cinema uma história perfeitinha, baseada num dos contos de Roald Dahl, nem uma cenografia plástica duma beleza insuperável, para mim nada resulta, lamento, simplesmente um grande bocejo. Na Netflix.

Das grandes campeãs - Simone Biles

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Simone Biles, 26 anos e 1,43 (!!) metros de altura, é a GOAT da ginástica artística , greatest of all time , já o era e acabou de arrecadar mais quatro medalhas de ouro nos campeonatos do mundo de ginástica artística, em Antuérpia ( all-around , solo, trave e por equipas), sendo a atleta mais medalhada de sempre na modalidade, homem ou mulher. Biles é inspiradora dentro e fora dos praticados, exemplos disso são a forma como ajudou a empoderar a acusação contra Larry Nassar – médico da seleção norte-americana condenado a prisão perpétua por ter abusado de mais de 250 atletas -, ou como preferiu priorizar a sua saúde à sede de ganhar medalhas nos jogos olímpicos de Tóquio, quebrando mais algumas barreiras em relação à saúde mental, ou simplesmente como vai a uma discoteca dançar com a sua principal adversária, a brasileira Rebeca Andrade, mas quem aprecia ver ginástica o que deseja mesmo é vê-la a competir, não sendo a mais graciosa de todos os tempos, a sua propulsão e a forma como agar...

Das séries de que gosto - A rapariga da Cabana

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  Thriller policial alemão de seis episódios, sobre um rapto e cativeiro durante 13 anos, que queremos ver compulsivamente, em que temos muitas dúvidas e teorias mas estamos sempre a ser surpreendidos, sem nunca apanharmos qualquer incoerência na história. Muito bom. Quer a personagem da menina (Hannah), quer a pequena atriz (Naila Schuberth) que a representa, são absolutamente notáveis. A Rapariga da Cabana (Liebes Kind, no original), na Netflix.  

Dos concertos de que gosto - The National

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A acústica do Campo Pequeno é uma tragédia mas não conseguiu estragar o concerto dos The National, não fossem eles a minha banda preferida, tendo acabado assim ao fim de duas horas e meia, com o Matt Berninger já sem voz e out of control , um anglicismo eufemístico para passado dos carretos, os irmãos Dessner e os restantes músicos também exaustos e a assistência em êxtase a cantar em uníssono Vanderlyle Crybaby Geeks .  

Dos meus livros - O jovem, de Annie Ernaux

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  Neste micro romance Ernaux aborda os seus temas de sempre, a condição feminina, o desejo, a diferença de classes, o envelhecimento, a memória coletiva, e estas quarenta e tal páginas que se leem numa hora sabem a pouco, mas ninguém escreve tanto com tão poucas palavras como Annie Ernaux.  

Dos filmes de que eu gosto - O Sol do Futuro, de Nanni Moretti

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  Em O Sol do Futuro ( Il Sol dell’avvenire ), Nanni Moretti troca a lambreta por uma trotinete e faz um dos melhores filmes do ano, onde cabe muita coisa, reflexões pessoais, nostalgias, crónica social e política, amor ao cinema, um filme leve, rezingão, intelectual e otimista, com um pezinho no musical, e pleno de ironia e de um sarcasmo bem mordaz, un capolavoro , que é como quem diz, uma obra-prima.    

Dos concertos de que gosto - Asaf Avidan

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Aqui foi em Istambul há poucos dias, mas podia muito bem ter sido em Lisboa esta semana, no Tivoli, que músico, que performer, belíssimo concerto deste israelita Asaf Avidan.  

Da TV de que eu gosto - Portugal de ...

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  Tenho uma relação ambígua e paradoxal com o Luís Osório, acho-o conhecedor e inteligente e normalmente gosto de o ler, mas enquanto seu leitor e seguidor tenho dificuldade em levar com o seu enorme ego que não consegue disfarçar, mas nesta série documental ‘Portugal de...’, exibida na RTP2 às quartas-feiras, não é de si que se trata e sabe dar tribuna aos seus convidados, cuja escolha conhecida até agora, Martim Sousa Tavares, Joana Barrios e Tiago Rodrigues, muito revela sobre qual a portugalidade que Osório aprecia e gosta de louvar, que em grande parte é também o Portugal que eu prefiro reconhecer, um Portugal que não é aquele poucochinho de Marcelo do ‘somos fado, somos bacalhau e somos Ronaldo’, não negando que também o somos e se eu adoro fado e bacalhau, antes um Portugal citadino mas que vive melhor no campo, um Portugal culto e progressista mas que respira melhor nas suas origens, na terra, nos sabores simples de antanho, na sabedoria popular das pessoas que dizem coisas tão...

Do que ouço e vejo por aí - Laborinho Lúcio e o celibato dos padres católicos

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  Numa conversa no podcast do jornal Expresso ‘A beleza das pequenas coisas’, disserta Laborinho Lúcio sobre os votos de celibato e de castidade dos padres católicos, devendo o foco estar mais na castidade (ser casto e puro) e não tanto no celibato em si mesmo (estado de alguém que renuncia ao casamento para se consagrar a Deus, sendo algo discutível a interpretação se manter relações sexuais com alguém está ou não incluído neste espetro do celibato), exigindo esta reflexão “trabalho teórico e literatura”, mas reconhece que há uma sexualidade, consentida interpares, no seio da igreja católica, consentida e ocultada , sendo essa verdade “escondida por vontade própria duma maioria dos fiéis”, “porque os fiéis querem manter a castidade (dos padres) porque os coloca num plano superior e projeta-os mais para um domínio mais da fé e menos da razão” - interessante esta sua visão que põe o ónus desse secretismo nos fiéis e não na igreja em si. Diz ainda Laborinho Lúcio, e muito bem, que nada ...

Está mal - as máfias das senhas

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  De alguma forma estou a repetir a opinião que aqui partilhei há apenas quatro meses, mas lido mal com esta falência absoluta do Estado nos serviços básicos que presta e nas franjas da população mais vulneráveis que são de longe as mais afetadas – nos últimos cinco anos testemunho diariamente as intermináveis filas para alguns serviços públicos em Lisboa, filas que contornam quarteirões, sobretudo para o IMT, primeiro na Elias Garcia, agora ao Saldanha, todos os dias, ano após ano, e nada se faz, é deixar ali as pessoas a tostarem, onde por vezes acontece uma pequena zaragata mas quase sempre pessoas ordeiras e pacientes. Por isso esta notícia chocou-me imenso, de que existe uma máfia das senhas nas lojas de cidadão, alguém também vulnerável ocupa os lugares dianteiros de véspera e depois os manda-chuvas, nas barbas das autoridades, vendem essas senhas a quem por elas desespera, 20€ é um valor comum, mas pode ir aos 100€ em função do grau desse desespero. Ninguém me convence que estas...

Das minhas músicas - Florence + the machine & Ethel Cain

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  Que pena não ter ali estado, Florence + the machine e Ethel Cain a cantar 'Morning Elvis', no Meo Kalorama.