Dos filmes que adoramos - Tudo o que Imaginamos como Luz

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Tudo o que Imaginamos como Luz, filme da realizadora indiana Payal Kapadia, é um tratado de beleza e sensibilidade, com tanto de poesia, como de política, ao acompanhar três enfermeiras de gerações diferentes, em Mumbai, que reivindicam a sua liberdade, a sua individualidade, o seu direito a serem pessoas independentes e donas das suas decisões - All We Imagine as Light é um profundo documentário da India remediada e também é uma bela história de amor.


Numa sociedade muito marcada pelo preconceito das castas e da religião, que não está habituada a dizer “amo-te”, estas três mulheres conquistam uma cumplicidade em que todos os gestos, silêncios e omissões são formas delicadas de amor, de um jeito sofrido mas sempre com nobreza de carácter, em que a luz do título do filme tanto pode ser uma luz mais onírica, como será sobretudo a luz que dá cor ao filme, o azulado da chuva das monções na cidade, ou o verde e vermelho da aldeia no interior, que fotografia tão bonita esta. E a banda sonora de Topshe? Saímos da sala com ela no ouvido, saímos da sala com a India e estas personagens a ficarem connosco.


Quem só aprecia filmes frenéticos com muita ação, ignore este filme, mas Tudo o Que Imaginamos como Luz vai ser certamente um dos filmes mais bonitos do ano.


 

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