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A mostrar mensagens de novembro, 2025

Dos filmes que adoramos - Foi Só Um Acidente, de Jafar Panahi

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  Gosto verdadeiramente de cinema iraniano, é sempre uma janela aberta para um mundo tão diferente do nosso, mas, apesar de ir acompanhando minimamente as notícias sobre si, e de ser a única pessoa que já venceu os principais festivais de cinema (Cannes, Veneza e Berlim), nunca tinha prestado muito atenção aos filmes de Jafar Panahi. Foi Só Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro deste ano, é isso mesmo, começa com um simples acidente e - acrescentando o enredo progressivamente personagem a personagem – constrói um thriller slow cinema , não temos picos na tensão arterial, mas a tensão, a dúvida e o dilema estão sempre lá. Claro que é um filme extremamente político, estamos a falar de alguém que encontra uma pessoa que pode ter sido o carrasco do regime que lhe arruinou a vida, mais político do que isto não há, mas é um filme muito intimista porque nos confronta com uma questão, mais do que a vingança, importa saber até quando vamos perpetuar a violência. Tal como na vida real, às veze...

Dos filmes que amamos - O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

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  Um dos meus filmes preferidos de 2016 apanhou-me totalmente desprevenido, Aquarius, a história de uma mulher que vive no Recife e resiste a vender o seu apartamento para aí ser construído um novo empreendimento em frente à praia, essa mulher era (é) interpretada por Sónia Braga e não retive então o nome do realizador, Kleber Mendonça Filho, que realizou agora este que era um dos filmes que eu mais aguardava em 2025. O Agente Secreto, o filme mais premiado em Cannes 2025, com a melhor realização e interpretação masculina, é mais um filme passado na ditadura brasileira, uma história de espiões e de bandidos em 1977, um thriller com muito amor ao cinema, um filme que enaltece os heróis discretos, sem nunca os vitimizar, de subtis homenagens e com muita sátira, o humor atravessa todo o filme. A reconstituição histórica, social e psicológica daquela sociedade é absolutamente notável, parece que fechamos os olhos e mergulhamos naquela cidade, que nos cruzamos com aquelas pessoas, que ouvim...

Das séries de que gosto - A Diplomata

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  Há séries que nunca conseguem a consagração que merecem, A Diplomata é uma dessas séries e não sei bem porquê, talvez pela manda-chuva ser bonita demais, talvez por ser algo inverosímil que uma embaixadora reúna tanto poder e consiga resolver tantas trapalhadas, ou então por ser tudo muito bonito e requintado, se calhar tudo isto faz com que The Diplomat não seja muito levada a sério, mas esta desconfiança é só tola, é uma série espetacular, com interpretações excelentes a servir ação tensa, muita intriga, geopolítica e alguma sexyness , vale mesmo muito a pena. Na Netflix.  

Dos filmes que vejo - Bugonia, de Yorgos Lanthimos

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  Não acho piada nenhuma a filmes sobre delírios e teorias da conspiração, quando tudo é tonto só porque a personagem está numa espécie de alucinação, e tudo deixa de fazer sentido porque tudo pode acontecer apenas porque sim, por isso o problema é meu, admito já que sim. Fui ver o novo filme de grego Yorgos Lanthimos pelo hype que o filme está a merecer (sala cheia num dia de semana), pelo realizador, pelas aguardadas nomeações para a temporada de prémios e pela dupla de atores, Emma Stone e Jesse Plemons, que estão muitíssimo bem, mas detestei Bugonia, que suplício, que tédio, que diálogos intermináveis, para mim a coisa não funcionou.  

Das pessoas que (já) não admiramos - Cristiano Ronaldo

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  Cristiano Ronaldo admite que sente admiração por Donald Trump, pelo menos é coerente da parte de quem admira tanto o regime da Arábia Saudita. É para o lado que ele dorme melhor, mas eu admito que (já) não sinto admiração nenhuma por CR7. Em tempos idos - quando vivi no estrangeiro, aonde ele era detestado - muito o defendi, pelo seu foco no trabalho e amor à família.  Entretanto fui-me rindo, com alguma condescendência, de alguns momentos confrangedores, como o da recente entrevista a Piers Morgan. Agora para mim já é demais, desejo-lhe que continue a ganhar muitos milhões e, se tiver mesmo de jogar, que nos ajude a sermos campeões, mas há muito que deixou de ser um símbolo do meu Portugal.  

Das séries de que gosto - The Girlfriend (A Namorada)

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  A Namorada (The Girlfriend), minissérie realizada e interpretada por Robin Wright, é um thriller psicológico de grande entretenimento, que ao longo dos seis episódios nos vai dando a perspetiva da mãe (frágil ou obcecada) e da namorada (doce ou maquiavélica), mostrando-nos a narrativa de que os mesmos factos podem sempre ser vistos por prismas diferentes. Em cada episódio nunca sabemos bem em quem acreditar, e temos a noção que tudo pode mudar a qualquer momento, com suspense e tensão, abordando ainda temas importantes, como a maternidade tóxica ou a distorção das memórias. Mesmo com um final algo frouxo, A Namorada é mais uma daquelas séries medianas de excelente qualidade, destacando-se a dupla de atrizes que nos prendem ao ecrã, Olivia Cooke e a elegantíssima Robin Wright.  

Dos filmes de que gostamos, das coisas de cinema e do Dia de Finados – Gente Vulgar, de Robert Redford

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  A propósito da morte recente de Robert Redford, vi há poucos dias uma reposição no cinema Nimas do primeiro filme realizado por si, Gente Vulgar ( Ordinary People ), vencedor surpresa do óscar de melhor filme e de melhor realizador em 1981. Recordo-me de tê-lo visto nos anos 80 e da sensação então de não ter sensibilidade, ou maturidade, ou ambas, para apreciar o filme, mas nestes 30 e tal anos o filme envelheceu muito bem para mim, a subtileza contida como aborda o luto, a culpa, a reconstrução familiar, a repressão emocional, tudo com uma grande elegância e elevação, mas com a angústia à flor da pele, belíssimo filme este que Redford nos deixou. Num ano com grandes filmes em contenda (estreados em 1980), Touro Enraivecido, O Homem Elefante, Tess, Star Wars , Fame , entre outros, apraz-me saber, passado tantos anos, que um filme discreto como Ordinary People tenha ganho. Robert Redford nunca ganhou um óscar de interpretação (além de realizador ganhou dois honorários), nunca foi rec...