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Dos filmes de que gosto - Caso 137

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  Caso 137 é um filme policial sobre polícias, no rescaldo da crise francesa dos coletes amarelos como recuperar o prestígio e a aceitação da classe que assegura a ordem na sociedade, como controlar os seus excessos sem lhe retirar a autoridade, onde está a fina linha que separa o trigo do joio daqueles que defendem a democracia, um tema tão atual este que vê a instituição ser ameaçada por dentro por extremismos camuflados inter-pares. Realizado pelo alemão Dominik Moll, com a sempre formidável Léa Drucker como protagonista, Caso 137 equilibra ritmo com sensibilidade e reflexão sociológica e política, o cinema francês raramente desiulde, e não desiludiu, bom filme.

Do teatro que adoro - Veneno, História de Um Casamento, de Lot Vekemans por João Lourenço e Vera San Payo de Lemos

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  Um casal perde uma criança, não consegue superar o luto, ele sai de casa numa noite de passagem de ano, ela não o tenta impedir, reencontram-se 10 anos depois no cemitério onde o filho foi enterrado para lamberem as cicatrizes dos traumas, da morte do filho e do fim do casamento. Se vive perto de Lisboa e aprecia um teatro que o dilacera e lhe revolve as entranhas, não perca, vá ao Teatro Aberto, mas se já teve o infortúnio de ter perdido um filho, a dor maior, então talvez não seja boa ideia fazê-lo. Veneno – História de Um Casamento, de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos a partir de um texto da holandesa Lot Vekemans, é uma peça fortíssima, que nos deixa desamparados entre o incómodo e a compaixão, com picos de grande tensão psicológica e com momentos de enorme ternura e sensibilidade, como aquele em que se vislumbra a imagem do filho numa janela fustigada pela chuva, as luzes apagam-se e apenas vemos o vulto da Carla Maciel na contraluz do luar, muito bonito, Veneno ...

Dos filmes de que gosto - O Estrangeiro

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A partir do romance homónimo de Albert Camus, o francês François Ozon realizou este admirável O Estrangeiro, que segue o jovem Mersault na Argélia colonial dos anos 40. Na primeira parte do filme impera o silêncio de um homem frio para quem tudo é indiferente, para quem nada nem ninguém tem significado, limitando-se a viver aquilo que a vida lhe dá sem se preocupar em agradar ou fingir coisas que não sente, sendo na verdade desprovido dessa capacidade de sentir. Na parte final, O Estrangeiro torna-se mais palavroso quando se inicia um julgamento, num tribunal que pode parecer estranho porque prefere condenar o carácter estranho de Mersault do que um homicídio (não é spoiler , sabemos logo no início do filme que houve um crime). O Estrangeiro é um filme filosófico sobre o absurdo da vida, mas é também um retrato sociológico do imperialismo europeu, onde mais grave do que matar um árabe é não seguir as regras das convenções sociais, sendo ainda, graças a uma lindíssima fotografia a...

Das séries que vejo - Heated Rivalry

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 Heated Rivalry é a série mais badalada do momento, campeã de audiências que não ganha propriamente prémios (ainda), mas rouba todas as atenções na red carpet dessas cerimónias. Se Heated Rivarly tem alguma coisa de bom é ajudar a desmistificar a heteronormatividade no desporto, nomeadamente no hóquei no gelo que é coisa de machos, mas durante cinco episódios assistimos apenas a cenas de sexo, muito erotizadas, entre dois homens com corpos perfeitos, o enredo resume-se a isto, cenas de sexo em quartos de hotéis diferentes, não há um diálogo, uma reflexão, um conflito, zero, o que é muito entediante, só temos uns laivos de argumento no último episódio na já célebre casa de campo. O megaêxito mediático de Heated Rivalry não se deve certamente à qualidade da série, pouco mais é do que sofrível.

Dos filmes de que gosto - Sorry, Baby

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  Sorry, Baby , escrito, realizado e interpretado por Eva Victor, foi a sensação da temporada de prémios que agora terminou, mesmo tendo falhado qualquer nomeação para os óscares, é por isso um dos muitos exemplos de que há todo um mundo de filmes fantásticos fora da grande festa de Hollywood. Há coisas que nos acontecem na vida que nunca deviam ter acontecido, essas situações deixam cicatrizes, mas não nos devem contaminar e definir quem somos a partir desse instante. Alguém que enfrenta o trauma inimaginável de uma violação, pode escolher não se resumir a esse incidente trágico, sente repulsa, medo, vergonha, questiona-se com muitas hesitações e ambivalências, mas pode encontrar a cura na amizade e no amor de e pelos outros, e Eva Victor conta-nos isto tudo no tom certo, sem ser dramático mas com muito respeito por quem tenha vivido algo semelhante, sempre com uma enorme sensibilidade, graça e humor, uma lição daquilo que o mundo tanto precisa, empatia - uma pérola este Sorry...

Dos filmes que vemos - Young Hearts: O Primeiro Amor

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  Young Hearts – O Primeiro Amor, do realizador belga Anthony Schatteman, saiu do Festival de Berlim com o selo de filme de autor de qualidade, o que é verdade, diga-se, mas tremelica face à (inevitável) comparação com Close, também dirigido por outro belga e sobre a mesma temática, a descoberta (homo)sexual na adolescência. Se em Close vemos o conflito e o sofrimento desse caminho de aceitação, neste Young Hearts temos um cenário mais idílico, num caminho que pode ser de amor e de empatia e menos de bullying e de violência, em que temos um avô que nos incentiva a acreditar que devemos sempre perseguir aquilo que o nosso coração dita. Young Hearts é um filme doce e bucólico, daqueles que no fim nos deixa mais empáticos.

Das séries de que gosto - Slow Horses

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 Slow Horses não tem nada de especial nem é a melhor série policial que já vimos, mas tem tudo o que gostamos numa série de espiões, tem intriga, suspense, traições, reviravoltas, humor e atores de primeiríssima água, liderados pelos gigantes Gary Oldman e Kristin Scott Thomas.