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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

Dos meus espetáculos de dança preferidos em 2024

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O meu Top 3 dos espetáculos de dança em 2024, infelizmente também não vi suficientes para fazer um Top 10: 1 - Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer, de Victor Hugo Pontes no CCB 2 - Supernova / The Look, pela CNB 3 - Marina Otero - Fuck Me, no CCB  

Das minhas peças de teatro preferidas em 2024

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O meu Top 3 das peças de teatro em 2024, infelizmente não vi assim tantas para fazer um Top 10: 1 - A Colónia, por Marco Martins na Culturgest 2 - Um Elétrico Chamado Desejo, pela Primeiros Sintomas no CAL 3 - Class Enemy, por Teresa Sobral no Teatro São Luiz  

Das minhas séries preferidas de 2024

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  O meu Top 10 de séries de 2024: 1 - Ripley 2 - A Amiga Genial (T3 e T4) 3 - The Bear (T3) 4 - Baby Reindeer 5 - Industry (T3) 6 - Black Doves 7 - Disclaimer 8 - Families Like Ours 9 - Eric 10 - True Detective - Night Country   (menções honrosas: The Crown; Becoming Karl Lagerfeld; Hacks; Love & Death; Feud: Capote vs The Swans)

Dos meus filmes preferidos de 2024

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O meu top 10 de filmes em 2024: 1 - All of Us Strangers (Desconhecidos) 2 - O Quarto ao Lado 3 - Hors-Saison (A Vida Entre Nós) 4 - A Zona de Interesse 5 - Bye Bye Tiberíade 6 - Anora 7 - Challengers 8 - La Chimera 9 - Plus que Jamais (Mais do que Nunca) 10 - O Sabor da Vida    

Das coisas do cinema e das despedidas - Marisa Paredes

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Nós que gostamos de cinema, e do cinema de Almodóvar em particular, despedimo-nos com tristeza desta chica, desta rainha, que profunda admiração, ficam-nos os filmes para matar saudades.  

Do atrevimento da Presidente da Junta (dos Olivais)

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  A Junta de Freguesia dos Olivais, em Lisboa, tem 260 funcionários (260!) e é presidida por Rute Lima, eleita pelas listas do PS. Sabe-se agora que a senhora presidente – ela é que é a presidente da Junta – concedeu sete dias de tolerância aos funcionários da Junta no período natalício, durante duas semanas têm apenas de trabalhar um dia, isto porque os funcionários são trabalhadores muito dedicados e merecem essa homenagem. Ficámos a saber mais duas coisas, que esta prática estende-se a outras alturas do ano, como na Páscoa, e que os serviços essenciais não vão ser comprometidos, haverá piquetes para assegurar que nada falha. Nem comento a cara de pau da senhora presidente da Junta, é fácil fazer bonito com o dinheiro de todos, mas a pergunta que se impõe é porque é que a Junta dos Olivais tem 260 funcionários se mesmo com quase todos de férias os serviços essenciais são assegurados na mesma? Tá bonito tá.  

Das séries que eu vejo - Mary & George

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  Na Inglaterra do século XVI, Mary Villiers é uma mulher ambiciosa e pobre que não antevê grande futuro para o seu filho do meio, George, que nada tem para herdar, e conhecendo Mary as fofocas sobre as relações extraconjugais do rei Jaime I com jovens rapazes, traça um plano para que o seu promissor filho se torne amante do rei – Mary & George é uma série de época, audaciosa, despudorada e picante, que conta a história de forma leve e em tom de ligeira comédia. Não é uma série extraordinária, mas é puro entretenimento de elevada qualidade e com o génio de Julianne Moore, whatelse ?  

Do CCB, de Dalila Rodrigues e dos espetáculos que adoro - Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer, de Victor Hugo Pontes

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  Que beleza inaudita. Vou repetir, que beleza inaudita. O CCB encomendou ao coreógrafo Victor Hugo Pontes uma obra sobre os 50 anos da liberdade conquistada em Abril, neste tempo pleno de ameaças, e Victor Hugo Pontes decidiu enveredar pela liberdade do nosso corpo, pondo em palco 19 bailarinos a explorar a liberdade do que nos é mais inviolável, o nosso corpo, 19 bailarinos sempre despidos numa peça coral em que o coletivo é sempre mais forte, mas sempre com espaço para a nossa singularidade e privacidade, às vezes todos juntos somos fortes e avançamos, às vezes sozinhos somos vulneráveis e delicados. Ver dança é ver corpos em movimento a transmitirem-nos emoções, encontro o prazer dessas emoções quer no virtuosismo do ballet clássico quer na dança moderna, mas depois da experiência quase traumática de Alice no País das Maravilhas no dia anterior, foi a redenção absoluta ver logo a seguir este Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer, o ultimo espetáculo que vi em 2024 foi provavelmente...

Dos espetáculos que vejo - Alice no País das Maravilhas, pela CNB

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  Ir ao São Carlos ver o espetáculo de Natal da Companhia Nacional de Bailado é uma tradição caseira absolutamente preciosa, a modos que o espírito natalício se sintoniza mal vemos a Orquestra no fosso a afinar os instrumentos, tendo acontecido este ano na renovada casa da CNB, outro lugar de privilégio, o Teatro Camões em frente ao Tejo. Por aqui estamos felizes. E se a ideia fosse ir ver um conto infantil para nos imbuirmos na magia natalícia, mais felizes ficaríamos, Alice no País das Maravilhas, encomenda de 2021 da CNB ao coreógrafo cubano Howard Quintero, inspirada no clássico infantil de Lewis Carroll, é um prodígio encantado de fantasia e metáforas, a atmosfera que nos invade é submersiva de tão sublime que é, graças ao trabalho de René Salazar, os figurinos são imaculados e os cenários incrivelmente bonitos e bem conseguidos, o contraste do tamanho de Alice antes e depois de beber a poção mágica é notável. Mas a ideia era também ir ver dança, e aí, peço desculpa, mas não goste...

Das séries de que gosto - Industry

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  Não vi as duas primeiras temporadas, saltei diretamente para a terceira, mas Industry é claramente uma das melhores séries do ano, tão só isto. A alta-roda das finanças e da banca de investimento da city de Londres é uma arena, reservada a quem nasceu num berço de ouro ou a quem tudo faz para lá chegar, Industry não andará muito longe da verdade com a ideia que só lá sobrevive quem tem uma ambição desmedida e é falho de carácter que não hesita em tudo sacrificar para ganhar muito dinheiro, o limite nunca é suficiente, um bando de cabeças inteligentes e maradas cheias de traumas e passados mal resolvidos, quase sempre com pouca ou nenhuma atenção dos paizinhos na tenra infância, sempre turbinados a cocaína e com muito sexo, promíscuo, dirão alguns. As personagens secundárias de Succession aqui são as principais, e as principais as secundárias, sendo o ritmo de Industry alucinante, tal como o ritmo daqueles que trabalham na sala de trading do Pierpoint (um banco fictício à moda de um...

Dos filmes de que gosto - Sing Sing, de Greg Kwedar

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  Sing Sing é um daqueles filmes inspiradores e ternurentos cheios de esperança, sobre o poder da arte, e do teatro mais especificamente, como forma de reabilitação, de elevação do ser humano, pode ser na arte que arranjamos forma de sobreviver ao horror que nos rodeia, e no estabelecimento prisional de Sing Sing aquelas vidas não têm muitos motivos para sorrir. Juntando atores profissionais e amadores, ex-presidiários, num registo cru e intimista, Colman Domingo, ator em ascensão, vai conseguir certamente a sua segunda nomeação para os Óscares com o seu melhor papel de sempre, absolutamente luminoso a espalhar energia, sendo provavelmente acompanhado por Clarence Maclin, um desses ex-presidiários com um carisma magnético. Sing Sing não é um filmão, mas é quase impossível não se gostar.  

Do teatro que adoro - Marco Martins, A Colónia

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  É um dever recordar o sofrimento de quem lutou contra o fascismo, todos temos esse dever, em tempos tão instáveis, de recordar e repetir a voz de quem sofreu nas mãos dos fascistas. No final do antigo regime, por iniciativa da Amnistia Internacional, Cruz Vermelha e Católicos Progressistas, organizavam-se algumas colónias de férias para crianças cujos pais eram presos políticos, e por antes terem tido de viver na clandestinidade, essas colónias era quase sempre a primeira vez que essas crianças aprendiam a brincar com outras crianças, crianças que tinham crescido no silêncio e na sombra do medo dos pais serem apanhados pela Pide, Marco Martins – A Colónia centra-se numa dessas colónias, realizada em 1972 nas Caldas da Rainha, a partir de uma reportagem da jornalista do Expresso Joana Pereira Bastos. O texto percorre as suas memórias, recuperando episódios, cartas, desenhos, relatórios oficiais, pedidos censurados, registos públicos e privados daqueles pais presos em Caxias ou no For...

Das minhas músicas - Travis

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  Sim, até há poucos dias desconhecia esta banda de Glasgow, de rock acústico ou britpop, dizem, mas por estes dias só dá Travis no meu spotify, estou viciado, por exemplo com esta Idlewild, na companhia da britânica Josephine Oniyama.  

Das pessoas que admiramos - Mário Soares

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  Faria hoje 100 anos, respeito e gratidão!  

Dos filmes que amamos - O Quarto ao Lado, de Pedro Almodóvar

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  The Room Next Door era o filme por mim mais ansiado da temporada, sentei-me religiosamente no cinema na sua noite de estreia, sou um profundo admirador de Pedro Almodóvar, uma das minhas referências maiores do cinema, e venero em absoluto Julianne Moore e Tilda Swinton. Houve uma ou outra coisa que me pareceram menos bem conseguidas, demasia de flashbacks no início muito explicativos, a personagem de John Turturro totalmente dispensável, sendo interessante o paralelismo de um cancro a uma guerra, a ponte entre o indivíduo doente e o mundo em crise, o ativismo pessimista de Turturro pareceu-me algo deslocado, a sua personagem em nada acrescenta, tal como o fanatismo religioso através do polícia foi algo colado a cuspe, mas estes detalhes em nada toldaram o filme, O Quarto ao Lado é um filme perfeito, um milagre doce, um drama delicado, silencioso e com pitadas de humor sobre a morte e a sua aceitação (ou não), é um dos filmes mais bonitos do ano. Compreendo quem não goste do filme, e...

As bolachas, as tradições e o Natal

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  Mesmo que repudie uma ou outra dos tempos dos bárbaros, gosto de tradições, gosto de manter as tradições de que gosto, sou um conservador em relação às minhas tradições, algumas herdadas de geração em geração, outras construídas por nós próprios ao longo da vida, sou um progressista conservador, está visto, ou um conservador progressista, não sei bem. O Natal é o período mais triste do ano, é o período dos vulneráveis, da escassez, da ausência, da saudade, é o tempo em que choramos quem já não está e recordamos os natais que não se repetem, mas é também o período mais festivo do ano, adoro o Natal, é quando brindamos aos nossos, é um tempo de espera, de vigília, introspeção, esperança e reunião, de celebração e alegria, gosto mesmo muito do Natal e das minhas tradições de natal, da consoada em família, do bacalhau e do polvo, da aletria, rabanadas e ovos moles, do pão de ló com queijo da serra, da lareira acesa e de haver jogos de tabuleiro, ultimamente tem sido o Cluedo , as chamada...

Dos filmes que vejo - A Substancia, de Coralie Fargeat

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  A Substancia, prémio de melhor argumento em Cannes, não é o meu tipo de filme, admito, fui ver para poder apreciar todas as discussões que o filme tem suscitado, um filme de horror, mais de ficção científica do que de terror, audaz, repugnante, delirante, muito visual, durante mais de uma hora mantive-me preso ao écran, depois comecei a entediar-me, mais do mesmo, mais do mesmo, mais sangue, mais entranhas, mais vísceras, acabei em sofrimento, mortinho por o filme acabar e sair da sala, mas não é um mau filme, pelo contrário, até achei um bom filme e não tenho muitas dúvidas que os fãs de filmes de horror vão adorar. A história assenta num tema interessante, a importância do protótipo da mulher jovem e bonita para conseguir singrar no mundo, nomeadamente em Hollywood, e os excessos em que algumas mulheres caiem para adiarem sine die a chegada dos primeiros sinais da velhice, sobre as mulheres que se despedem de si mesmas para passarem a ser bonecos sem alma, sempre interessante esta...