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A mostrar mensagens de setembro, 2023

Das causas que nunca são boas para a violência - o ativismo ambiental

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  Não há causas boas que legitimem a violência, não é por aí o caminho e este extremismo só prejudica o ativismo ambiental, e não, não há honras e louvores para estes jovens que afinal não estão amorfos, e não, não conseguiram o que queriam porque agora só se fala nas jovens que atiraram tinta verde ao ministro do ambiente Duarte Cordeiro durante uma conferência patrocinada por uma petrolífera, a violência nunca pode ser o caminho, não há violência fofinha, quem decide qual é a fronteira?    

Das nossas artistas - Sara Correia

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Numa daquelas longas viagens de carro aqui há uns meses, estava indeciso com o que ia ouvir e ocorreu-me experimentar uma fadista que já tinha ouvido falar mas não fazia ideia quem era, pumba , fiquei logo preso nos primeiros instantes, e nem sequer era fado o que Sara Correia estava ali a cantar, era algo ali a roçar no rap sem ser preciso puxar pelo vozeirão, que milagre quando o spotify nos devolve um tesouro assim sem estarmos a contar, desde então nunca mais a larguei. Não tenho dúvidas que agora que faz parte dos jurados de The Voice vai rapidamente encontrar o estrelato que tanto merece, mas neste tema que partilho, Chelas, Sara Correia canta-nos, através das palavras desse génio da composição que é Carolina Deslandes, que a sua voz tem origem na dor , que traz o fado na voz e ténis nos pés, que o mundo é seu mas ela é de Chelas, orgulho nas origens e naquilo donde vimos, bonito. No fado ou a aventurar-se em coisas como rap, hip hop, flamengo ou música popular, não há acorde...

Dos símbolos nacionais, da Arábia Saudita - Cristiano Ronaldo

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  À sua quase unanimidade dentro dos campos, até há alguns anos atrás, sempre correspondeu, sobretudo além fronteiras, um controverso Cristiano fora dos relvados, e perante todos aqueles, meus familiares, amigos ou colegas, sobretudo alemães e espanhóis, que se empenhavam em me convencer que o Messi ou o Ibrahimovic é que eram as grandes referências mundiais, pela atitude humilde ou pela atitude ousada e divertida, em detrimento da arrogância e novo-riquismo de CR7, sempre argumentei convictamente que Ronaldo era orgulhosamente um símbolo nacional por valores como, por exemplo, a sua entrega ao trabalho, obstinação em vencer ou dedicação à família. Dito isto, sendo inequívoco que tem todo o direito e legitimidade para as opções que tem vindo a tomar, também é legítima a minha opinião de que Cristiano tem vindo a gerir muito mal o seu final de carreira, prejudicando irremediavelmente a imagem pública que sempre soube conquistar, e merecer, não deixando eu de sentir algum embaraço, vergo...

Dos espetáculos de que gosto - Sonho de uma noite de verão

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  O texto de Shakespeare está lá, mas Diogo Infante conseguiu encaixar músicas do nosso cancioneiro, que todos sabemos de cor, sobre o amor e o sonho, resultando muito bem num musical ao estilo Moulin Rouge, leve e divertido, sim, é Shakespeare, mas sim, é teatro comercial, para atrair público e ganhar dinheiro, por isso se não aprecia cantorias em palco saiba que vai sofrer, e se lhe arrepia a ideia de misturar Mónica Sintra, Dino Meira ou Clemente com o clássico dos clássicos, pior ainda, heresia, passe ao lado, senão aventure-se, são duas horas de comédia e de fábula encantada muito bem-dispostas. Gostei de todo o elenco, ninguém esteve mal, mas o que eu me ri com o jovem ator que fez de Tisbe (não consegui identificar o nome), que boa impressão me deixou o Filóstrato ou o bobo de Oberon, Carlos Malvarez (desconhecia), que surpresa Mariana Pacheco a cantar, sempre um gosto ouvir a Soraia Tavares (eu apreciador de musicais me confesso), e que bom assistir a uma espécie de consagraçã...

Das séries de que gosto - Esterno Notte

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  Numa das melhores séries do último ano fala-se italiano, Esterno Notte , um tratado de história e política transalpina dos finais dos anos 70 com o rapto e assassinato de Aldo Moro, a par de um retrato íntimo de algumas das pessoas que mais sofreram, emocional ou intelectualmente, com este rapto, o próprio Moro, a esposa Noretta, o papa amigo Paulo VI, o então ministro do interior Francesco Cossiga e dois dos raptores. O caso Moro é uma espécie de caso Camarate italiano, ainda hoje se discute quem é que efetivamente foi o mandante daquele sequestro, terão sido os americanos, os comunistas, o próprio governo, mas Marco Bellocchio (o realizador) não está muito interessado em falar-nos de teorias de conspiração, conta-nos antes a história que se lê nos livros, a que o grupo revolucionário outrora comunista, Brigadas Vermelhas, à procura de um grito ideológico e reconhecimento político, decide raptar o ex primeiro-ministro, aquele que deveria ser o futuro presidente da república e era à ...

Dos espetáculos de que gosto - Gust9723

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  Para mim a dança é das artes mais livres à tua imaginação e aos teus sentidos, sobretudo num espetáculo de dança contemporânea não tens de entender tudo, se conseguires usufruir de coisas como o movimento, a energia, o som, o espaço, se isso te trouxer prazer sem teres de estar a querer interpretar e descodificar tudo a todo o momento, então está perfeito. Em Gust9723, do coreógrafo Francisco Camacho, vemos corpos à deriva de rajadas de vento ( gust , em inglês), vemos a catástrofe e o caos a ditar o movimento dos sobreviventes, vemos a morte a pairar e a vontade de se lhe escapar, não vemos erotismo, vemos sobrevivência. Há um outro aspeto muito bonito nesta obra, que foi dançada pela primeira vez em 1997, que é vermos o envelhecer dos nossos corpos e não nos esquecermos que estes vão se adaptando mas não temos de desistir das coisas de que gostamos: no cast de hoje encontramos seis dançarinos que estiveram em palco na peça original (Begoña Méndez, Carlota Lagido, Filipa Francisco,...

Das séries que eu vejo - Painkiller

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  Não consigo dizer que gostei muito porque a realidade que retrata de forma contundente é muito perturbadora, a tragédia nos anos 90 dos analgésicos opióides nos EUA, como o Oxycontin, e a procura criminosa do lucro a qualquer preço, quer de famílias milionárias como a benemérita Sackler, quer do Zé Povinho que quer andar de Porsche ou simplesmente pagar as contas, mas o bom cinema também passa em séries como Painkiller , muito boa. Na Netflix.  

Das coisas bonitas - as supermodels na London Fashion Week

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Na London Fashion Week regressámos em grande festa aos gloriosos anos 90 do mundo da moda, com as quatro icónicas das passerelles a desfilar, Naomi, Cindy, Christy e Linda (para mim a supermodelo dinamarquesa Helena Christensen também ficava bem aqui), e a rainha da pop Annie Lennox a dar um show incrível a cantar Sweet Dreams , que momentaço. A minha preferida é a Christy Turlington mas que bom ver a Linda Evangelista recuperada e que a Naomi Campbell não mudou em nada, o mesmo domínio naquele andar e o mau feitio de sempre (vejam as trombas com que ficou por ter ficado na sombra no início). Fantástico.  

Tá tudo doido - os piropos de Marcelo

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Pior do que o que disse foi a cara de satisfação que fez a seguir, qual marialva orgulhoso das suas piadolas, mas agora temos o mais alto magistrado da nação a mandar piropos sexistas e está tudo bem? Não, não está tudo bem, seja porque o senhor Presidente já há alguns anos está a dar sinais preocupantes, seja porque Marcelo está apenas a ser Marcelo, não está tudo bem, está errado.  

Do que ouço e vejo por aí - Pedrito de Portugal no podcast Geração 70

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  Voltei ao podcast Geração 70 e a rapaziada da minha geração promete, cada tiro cada melro, desta vez com Pedrito de Portugal, personagem de quem até já me havia esquecido - quando se junta tanta burrice e imbecilidade a malta não sabe se deva rir ou chorar, uma tragédia.  

Do que ouço e vejo por aí - Pêpê Rapazote no podcast Geração 70

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  Nunca tinha ouvido este podcast do jornal Expresso e SIC-Notícias, 'Geração 70', com conversas com os protagonistas de hoje que nasceram na década de 70 (vou fazer por ouvir mais vezes), mas por casualidade ouvi a entrevista ao ator Pêpê Rapazote, minha nossa senhora, o homem anda lá fora a fazer uns papéis de macho sul-americano e acha-se a última bolacha do pacote, que cagão.  

Dos documentários que vejo - Insubmissa

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  A propósito do centenário do nascimento de Natália Correia, a RTP 2 repõe este documentário em duas partes, realizado por Joaquim Vieira e Filipa Martins, muito bom. E que fascínio de mulher, que desassombro.  

Dos meus livros - Baiôa sem data para morrer, de Rui Couceiro

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  A enorme dependência de que hoje em dia, eu próprio e sucessivas gerações, temos dos smartphones , o medo e a solidão que nos assalta quando damos conta dessa necessidade de estarmos sempre a olhar para um écran, o apelo a uma maior lentidão e distanciamento na vida que levamos, tudo isso é o mote desta história com a qual sinto grande afinidade, e por isso, pelas recomendações altamente elogiosas que me chegaram via redes sociais, e até por achar piada a alguns tiques de escrita do autor, por tudo isso achei que ia gostar deste ‘Baiôa sem data para morrer’, mas tal não aconteceu. Até há uma ideia, mas na minha opinião é uma escrita muito vaidosa, que quer ser onírica e bonita à força mas que enrola e enrola, muito redonda, com palavras caras e sempre empenhada em nos convencer que o autor tem um grande domínio, quer de vocabulário (ou talvez da técnica de consultar dicionários), quer de figuras de estilo cheias de criatividade, que prefere aporia a dificuldade, flagício a ignomínia,...

Das séries que eu vejo - Full Circle

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  Uma série realizada por Steven Soderbergh promete sempre ser coisa boa, mas foram seis episódios de uma história muito enrodilhada que me deu sempre sono, com boas intenções mas achei aborrecida. A Claire Danes foi memorável como Carrie Mathison em Homeland - Segurança Nacional, mas agora faz sempre de Carrie Mathison com as mesmas caretas e carentonhas. Full Circle não me convenceu. Na HBO.    

Está mal - o turismo desenfreado

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  Não quero focar-me na perspetiva do tremendo erro macroeconómico em termos uma estratégia de crescimento apenas assente no turismo, antes interessa-me a perspetiva dos pilares e da qualidade desse turismo e de como não se aprende com os erros dos outros, esta falta de visão e de coragem dos nossos governantes arrepia, nomeadamente, enquanto residente em Lisboa, a dos sucessivos senhores presidentes da câmara de Lisboa.  Nesta interessante entrevista à revista Visão, Christian Louboutin vem-nos recordar uma verdade cristalina mas que às vezes precisamos que seja uma personalidade estrangeira a recordar-nos, "Viajar é uma tendência. Por isso, há muitos turistas que vão a um sítio específico e que o destroem completamente. Mas constrói-se para eles estruturas, hoteis, estacionamentos. Quando o local está completamente destruído e já não tem alma, os turistas vão embora". Na ótica de quem acolhe, o turismo é uma coisa boa, traz mundo, diversidade, abertura, mas quando passa a e...

Dos grandes campeões - Novak Djokovic (II)

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  Ao vencer ontem o US Open, o seu terceiro título do Grand Slam em 2023 (em Wimbledon perdeu a final contra Alcaraz) e o 24º da sua carreira, Novak Djokovic reforçou o seu estatuto de melhor tenista de todos os tempos, com um palmarés absolutamente incrível, e ainda mais incrível por tê-lo conseguido na era dourada de Federer, Nadal e do próprio, sempre mal amado, Djoko. Com a vitória reforçou a vantagem de títulos do Grand Slam contra Nadal (22), superou Serena Williams no circuíto feminino (23) e igualou Margaret Court que nos anos 70 conquistou também 24 torneios. B ravo grande campeão.  

Dizem os antigos - Setembro

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  Chuvas verdadeiras, em setembro as primeiras.  

Dos filmes que vejo - Sob o Sol de Satanás, de Maurice Pialat

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  Quando em 1987 este Sob o Sol de Satanás ganhou a Palma d’Ouro em Cannes, e Maurice Pialat subiu ao palco para receber o prémio, dizem que ovação foi tremenda mas que os apupos e assobios ainda foram maiores, tal a complexidade do filme e o arrojo de quem lhe entregou a Palma. Pessoalmente, não senti qualquer apetite por este drama dogmático e sofredor do padre atormentado com satanás, a luta entre o céu e o inferno e a salvação daquelas almas rurais numa França esquecida, mas quando o que sobra para desfrutar é testemunharmos a força granítica de Depardieu e a endiabrada Sandrine Bonnaire já não é nada mau. De realçar que a Leopardo Filmes insiste em dedicar ciclos de cinema a realizadores consagrados já desaparecidos, uma oportunidade única de revermos, ou na maioria das vezes ficarmos a conhecer, vultos do cinema num grande écran, no caso Maurice Pialat - que privilégio viver num sítio onde nos podemos enfiar numa sala escura a cheirar um pouco a mofo e com mais 20 ou 30 pessoas ...

Das coisas bonitas - Operafest

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  O OperaFest, na sua 4ª edição, é um belíssimo festival que pretende levar ópera a sítios improváveis, como os jardins do Museu Nacional de Arte Antiga, que certamente teriam tornado o ambiente ainda mais encantador, mas a intempérie assim não o permitiu e à última hora a récita realizou-se no grande auditório da Fundação Gulbenkian, não assistimos à recita no meio dos jardins, assistimos com os jardins ao fundo.   A última ópera teatral de Mozart, A Flauta Mágica , está cheia de mensagens e metáforas para um mundo mais iluminado, mas foi feita, sobretudo, a pensar nos mais jovens, resultando numa ópera cheia de fantasia e muito divertida, com árias muito conhecidas como as da rainha má ou as de Papagueno e Papaguena, aqui numa excelente versão portuguesa, encenada por Mónica Garnel e dirigida por Tiago Oliveira, muito bem cantada e com cenários, figurinos, cenários e jogos de luzes muito bonitos. Parabéns ao OperaFest.  

Das pessoas de que precisamos - pastor Edgar

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  “As pessoas chegam e dizem, ‘ai, mas sabes, dá muito trabalho, tens de te levantar cedo, deitar-te tarde...não tens folgas’. Porque estivermos a falar de duas pessoas, agora 20 ou 30 sempre a dizer a mesma coisa?”, desabafa Edgar. “O que é uma folga? O que é um descanso? Para mim descanso é estar com as minhas ovelhas. Para outras pessoas, o descanso é chegarem à sexta-feira à tarde e irem para casa, estatelarem-se no sofá e estarem a ver televisão” . De acordo com o Expresso, só há 230 pastores registados das raças de ovelhas bordaleira e churra mondegueira, as únicas cujo leite pode produzir queijo Serra da Estrela. Edgar, entrevistado pelo mesmo jornal, tem 18 anos e contra ventos e marés é pastor, bem hajas Edgar, bem hajas.  

Do mau jornalismo - entrevista a Joe Berardo

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Belo frete jornalístico este da revista Sábado a querer branquear um amante das artes chamado Joe Berardo, lamentável.  

Da atualidade - igualdade de género (no desporto)

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  Não obstante ter sempre visto com muita preocupação os exageros e efeitos colaterais de movimentos como o Me Too , considero-me na linha da frente da defesa de uma sociedade que pugna pela igualdade de género, no desporto ou fora dele. A propósito do caso Rubiales - sobre o qual escrevi aqui ainda antes de a polémica ter escalado e que eu considero sim merecedor de abertura de telejornais -, vem Alexandra Leitão defender, num artigo de opinião publicado no Expresso, a igualdade de género no desporto. Parece-me um pouco extemporâneo invocar o caso Larry Nassar, o terrível médico que violentou as ginastas da seleção norte-americana, mas vem reivindicar que pelo ‘princípio da igualdade’ as atletas no geral, dando como exemplo as tenistas, deviam auferir os mesmos prémios pecuniários que os seus colegas masculinos, não isentando desta obrigação moral as entidades privadas que organizam os grandes torneios porque o princípio da igualdade se deve sobrepor à obtenção de lucro. Até estou de ...

Das nossas artistas - Carminho

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Letrista e compositora, com um sorriso lindo e com uma pinta que transborda classe a jorros, Carminho vai muito além do fado, ouçam-se duetos com gente como Alcione, Buarque, Caetano, Alboran ou HMB, mas é ao fado que ela pertence e quer pertencer. Na maioria dos dias não tenho a melancolia certa para a ouvir; nem sempre a sua pureza, os seus silêncios pausados e o seu sentimento têm eco em mim, nela não há floreados nem gritarias, nela há uma voz rouca timbrada de emoção, que não chegará certamente a todos da mesma forma, mas, nos dias de hoje, Carminho é sem dúvida a minha fadista de eleição. O momento em que cantou ‘Uma Estrela’ nas JMJ foi arrepiante e inesquecível, mas eu estou é mesmo em pulgas para a ver no novo filme do grego Yorgos Lanthimos, Poor Things , um dos mais aguardados filmes do ano, a cantar para a Emma Stone este seu ‘O quarto’, acompanhada à guitarra por si própria. Uau, a contar os dias. Bravo!  

Do que está mal - SNS

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  No início de agosto A estava de férias a gozar o início da sua reforma com a família, A sentia-se muito cansada sempre que tinha de caminhar mais um pouco. A acabou por ir às urgências do seu hospital de origem e ser transferida para a unidade que a seguia há mais de 30 anos por ser cardíaca. O prognóstico era crítico, o coração estava uma papa e não havia nada a fazer, a única possibilidade seria o transplante, hipótese excluída porque entre outros critérios A tinha excedido por 2 anos o critério da idade máxima. Por causa do Covid as suas consultas cardíacas têm sido canceladas desde 2020, ou seja, na altura A ainda cumpria esse critério, revoltante, não é? Sou grato ao nosso SNS que, sobretudo nos casos graves, costuma dar resposta, mas há falhas que custam aceitar, e está é uma delas, por isso se vêm aí reformas do SNS venham elas, desconheço por completo o seu teor mas é preciso começar por algum lado, se nada se fizer estamos condenados. Dizem que o dinheiro não compra a felici...