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A mostrar mensagens de dezembro, 2023

Dos filmes que adoramos - Dias Perfeitos, de Wim Wenders

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  DIAS PERFEITOS, de Wim Wenders e sério candidato à nomeação para o óscar de melhor filme estrangeiro pelo Japão, foi buscar o seu título à canção de Lou Reed e tenta mostrar-nos que a felicidade está nas coisas simples, que um homem a limpar sanitas e desprovido de todas as tecnologias que custam muito dinheiro pode encontrar mais facilmente a felicidade, e viver dias perfeitos, do que aquele milionário que é conduzido por chauffeur , que um homem que nos limpa as latrinas pode ser imensamente sábio, culto e apreciador de Patti Smith ou Nina Simone, que compensa ter um sorriso nos lábios. A simplicidade e o despojamento deste filme são tão desconcertantes que no início nos pode deixar algo ambivalentes, consigo compreender quem acusa o filme de algum paternalismo ou pretensiosismo fake , mas PERFECT DAYS é um filme, pleno de gentileza e ingenuidade, quase poético, ou quase espiritual, um dos melhores filmes de 2023. Sair do trabalho, enfrentar uma fila enorme, ao ar livre numa noite ...

Das séries que eu vejo - The Gilded Age

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  Ouro sobre azul para quem gosta de séries de época, sobre usos e costumes, mesmo que estes sejam de grande e aparente frivolidade, The Gilded Age, dos mesmos criadores de Downton Abbey, é de um refinamento absolutamente irrepreensível a todos os níveis, nomeadamente cenários, guarda-roupa e atores (permitam-me destacar a deliciosa Christine Baranski).  Não há melhor do que isto para lavar o cérebro. Na HBO.

Das pessoas que respeitamos - Odete Santos

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  Que falta nos faz ter pessoas como Odete Santos na tribuna da Assembleia da República, sinto por si um enorme respeito e admiração. Descanse em paz.  

Dos filmes que vejo - Um Amor na Escócia

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  Um filme clássico com uma madura e tranquila história de amor, sem muitos estados de alma mas com muitas cumplicidades e subtilezas, um amor outonal numa ilha escocesa remota e igualmente outonal, realizado e interpretado pelo belga Bouli Laners e com a irlandesa Michelle Fairley, excelente atriz. Belo bálsamo para ver nestas noites frias de inverno este ‘Um Amor na Escócia’. Na Filmin.  

Das séries de que gosto - Julia

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  Um mimo para nos deixarmos derreter nestes dias festivos, que pérola tão preciosa esta Julia, na HBO. Feliz Natal! Boas Festas!  

Dos espetáculos de que gosto - Electra, de Carlos Avillez

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  Muito boa esta ‘Electra’, peça escrita por Eugene O’Neill em 1930 a partir da tragédia grega ‘Oresteia’, a saga de Electra, Agamemnon e Clitemnestra na América do início do século XX numa família amaldiçoada pelo desejo, mentira e vingança, com o trabalho de excelência de Carla Maciel, Bárbara Branco e os demais atores, mas o que foi mesmo bonito, irrepetível, foi termos assistido à ultima atuação da última encenação em vida do mestre Carlos Avilez, que morreu de doença súbita há poucas semanas, poucos dias após a estreia de Electra, até sempre e obrigado mestre Avilez.  

Dos espetáculos de que gosto - La Sylphide

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  Sempre um enorme prazer esta tradição de pelo Natal ir ver um ballet clássico ao Teatro Nacional São Carlos, com La Sylphide, o primeiro bailado romântico dançado em pontas estreado no início do século XIX, aqui interpretado pela Companhia Nacional de Bailado e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, que bonito.  

Dos filmes que amamos - Maestro, de Bradley Cooper

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  Ir ver um filme num cinema de rua, num sábado às 11 da manhã, numa sala a cheirar a alcatifas já com alguns aninhos, é não só um ato de amor ao cinema mas também de pertença a uma comunidade, e poder partilhar a energia de ver um filme que nos entusiasma no meio de uma plateia bem composta é algo que o conforto da nossa sala nunca nos devolverá, e quando o filme que ficamos a ver até à ultima letra do genérico final se chama MAESTRO, de Bradley Cooper, então é uma experiência irrepetível, que maravilha, que OBRAPRIMA. É um clássico dos clássicos absolutamente instantâneo, a elegância, a contenção, o bom gosto, de mão dada com a exaltação e virtuosismo, cheio de momentos visualmente lindíssimos e com a música de Bernstein sempre a acompanhar-nos, dando-nos um Lenny genial, excessivo e cheio de falhas, mas que nunca falhou a ninguém, e uma Felícia que rouba o filme todo para si com a sua entrega ao amor, com a forma como vacila e como se apercebe que egoísta foi ela, por algures ter qu...

Dos espetáculos de que eu gosto - Bravo 2023

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  Bravo 2023 é uma revista ‘fina’, do Teatro Praga, que passa em revista todo o ano de 2023 e não deixa para trás nada daquilo que caracteriza a Revista à Portuguesa, as canções, os corpos, a sátira, o protesto, a brejeirice, a piada fácil, a música, o momento sério, as mensagens que nos querem passar, e se durante as três horas de duração há um outro momento menos bem conseguido, e noutros não consegui perceber literalmente o que diziam (cuidado com o som e/ou dicção), tivemos imensos momentos hilários e certeiros, se ouvimos Marcelo dizer we are fado and we are very machistas , o sabão Bravo num país de tachos e paneleiros ou a Lisboa desertificada na Lisboa pimbalina, fomos às lágrimas de tanto rir com a rábula do rabo de peixona (a propósito da série Rabo de Peixe), tudo isto num texto mordaz que perpassa as desgraças do ano sempre com a ironia e o disparate próprios de uma Revista. Bom espetáculo encenado pela companhia de teatro Praga, com um conjunto de bons e diversos atores co...

Das minhas músicas - A garota não

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  Só descobri A garota não há meia dúzia de meses, no burburinho que causou com a sua participação na Festa do Avante, que pedra no charco, donde é que isto vem assim de repente sem se fazer avisar, a nossa cantora de intervenção com a doçura na voz e a força nas palavras, aqui com o brasileiro Luca Argel.  

Dos espetáculos de que gosto - Miguel Meets Karima

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  Miguel Meets Karima é uma atuação a solo do performer e coreógrafo Miguel Pereira, onde em aproximadamente 40 minutos se debruça sobre a sua parceria criativa com a coreógrafa egípcia Karima Mansour, com o seu próprio olhar sobre Karima, sobre as coisas que correram mal entre si, os ditames dos processos criativos, o mundo das residências artísticas e das programações culturais, sempre com o sentido apurado, arguto, sensível e com laivos de humor tão característicos dos trabalhos de Miguel Pereira. Belo espetáculo, ainda em cena no Teatro São Luiz, Lisboa.  

Dos filmes de que eu gosto - May December, de Todd Haynes

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  Todd Haynes realizou alguns dos meus filmes preferidos, como Longe do Paraíso ou Carol , e este MAY DECEMBER, com uma aparente capa de filme superficial ao contar a história de uma mãe trintona que vai presa por se ter envolvido amorosa e sexualmente com um adolescente de 13 anos, ficará uns furos aquém, mas ainda assim é um grande filme com silêncios que incomodam, em que tudo parece estar bem e afinal tudo está em tumulto e mal resolvido, é um filme doce que nos causa desconforto ao ver a humanidade, a fragilidade e a falha das personagens. O filme vai receber algumas nomeações para os óscares, não sendo expectável que ganhe alguma: o ex-adolescente Charles Melton vai bem mas não me conquistou por aí além, se calhar porque o nosso olhar não desgruda de Natalie Portman e Julianne Moore, absolutamente magnéticas e enigmáticas num jogo de espelhos de ingenuidade, cinismo e manipulação, quase nos confundindo no jogo do quem é quem - Portman deve falhar a nomeação para atriz principal ...

Da cara de pau - António Lacerda Sales

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  Quando afirma que nenhum secretário-de-estado tem o poder de marcar qualquer consulta no SNS fico na dúvida se é débil ou se acha que todos os portugueses são débeis, mas se somarmos todos os demais esquecimentos e caras-de-pau as minhas dúvidas desaparecem, dá dó ver um político por quem até tínhamos um elevado apreço cair assim no lodo, alguém que diga pf ao Dr. Lacerda Sales que ele já era, que seja irradiado de vez da política. A cunha é grave, mas o pior é como o pai, o doutor filho e o espírito santo mentiram, omitiram, sonegaram, apagaram, mandaram telefonar, assobiaram para o lado e esqueceram tantas coisas neste processo das gémeas, cobriram-se todos de lama. Já agora, ou eu estou confuso ou a que propósito a Ordem dos Médicos abre um processo para averiguar as ações de um Governante, que por acaso até é médico? Devo ser só eu.  

Dos documentários que vejo - American Symphony

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  ‘American Symphony’ acompanha ao longo de um ano a vida do cantor, instrumentista e compositor Jon Batiste, um génio da música que passa despercebido entre nós mas que já ganhou um Óscar e uma catrefada de grammys, por cá conhecemo-lo sobretudo por ter animado durante muitos anos o talk show de Stephen Colbert. Além de podermos observar o seu processo criativo de compor uma nova sinfonia, testemunhamos ainda como o jovem talentoso vindo de New Orleans atinge o auge do sucesso, mas ainda assim tem de gerir várias agruras na vida, nomeadamente a doença da sua mulher, Suleika Jaouad, revelando-nos uma bonita história de amor, de sonho e perseverança. Documentário realizado por Mathew Heineman com muito boa energia. Na Netflix.  

Dos filmes de que eu gosto - A Conspiração do Cairo

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  É sempre uma oportunidade rara vermos filmes a desbravar caminho no interior do islamismo, sendo este A Conspiração do Cairo, realizado pelo sueco (de ascendência egípcia) Tarik Saleh, um thriller político e religioso, sujeitando um inocente filho de pescador às tramas das elites ligadas ao poder, muito bom. Agora na Filmin.  

Das minhas músicas - Sade

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  Qualquer uma das músicas da britânica (nascida na Nigéria) Sade Adu, aqui com By Your Side .

Da atualidade política - João Costa, o ministro da educação

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  João Costa atual ministro da educação do ainda Governo de António Costa, ou João Costa apoiante do candidato Pedro Nuno Santos? João Costa que sempre anunciou ao país que ‘ que todas as medidas de recuperação possíveis já tinham sido feitas, nomeadamente a correção das assimetrias e os mecanismos de aceleração da carreira’ , não havendo condições para a recuperação do tempo de serviço congelado, ou João Costa que entende haver espaço para a recuperação integral do tempo de serviço dos professores? João Costa diz agora que não mudou a sua posição, João Costa pode dizer tudo o que bem entender, mas temos legitimidade para concluir que João Costa se deixou levar pela vertigem eleitoralista de querer muito continuar num novo Governo, não se preocupando por um segundo, ou a dita vertigem fê-lo inadvertidamente esquecer esse cuidado, com uma qualidade ímpar que nunca deve abandonar um político, a verdade, porque há uma coisa que sabemos, não sendo estas suas últimas declarações demagógicas...

Dizem os antigos e coisas da história - Dezembro e a Conceição

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  Já dizem os antigos, ' Conceição molhada, festa seca' , que é como quem diz, se chove no feriado da Imaculada Conceição então vamos ter festas solarengas, uma espécie de ' carnaval na rua páscoa em casa' em modo natalício, e como por estas bandas nem pingo de chuva veremos então se os antigos acertam este ano com um Natal molhado. A propósito do feriado religioso que se celebra hoje, para agradecer ter recuperado a independência em relação aos Filipes de Espanha, e para ver se caía nas boas graças do papa de então, em 1646 o rei D. João IV consagrou o reino de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, tendo colocado a sua própria coroa na imagem da Santa que estava na Igreja com o seu nome em Vila Viçosa,  tornando-se a  Nossa Senhora da Conceição a rainha de Portugal e, por esta razão, desde então nunca mais nenhum rei ou rainha usaram coroa na cabeça.   

Das artistas da atualidade - Taylor Swift

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  Certamente que já a terei ouvido inúmeras vezes na radio mas não lhe consigo associar nenhuma música, não posso dizer se gosto ou não porque até hoje o fenómeno passou-me ao lado, mas Taylor Swift em 2023 continuou a bater records atrás de records, primeira artista bilionária com receitas exclusivamente provenientes da música, tour mais rentável de sempre com a sua The Eras Tour , o filme-concerto com a maior bilheteira de sempre num único fim-de-semana, a artista mais ouvida no Spotify, os movimentos turísticos em massa graças aos swifties (assim se chama ao seu infinito grupo de fãs) e o impacto positivo no PIB dos países onde atua, os hotéis esgotados, as adaptações das companhias aéreas para levarem os ditos swifties  aos concertos, e, pasme-se, as cátedras nalgumas universidades americanas e europeias dedicadas exclusivamente à sua literatura, negócios e direito (alguém me explica?), e pasme-se mais ainda, a comparação do seu génio enquanto compositora a Bob Dylan, Paul McCart...

Da atualidade - o Presidente Marcelo e as gémeas (take II)

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  Regresso ao tema da forma apressada como o Presidente Marcelo lavou as suas mãos como Pôncio Pilatos no caso das gémeas luso-brasileiras: se eu acho que é motivo de destituição, sinceramente acho que (ainda) não, se eu acho que é grave, sim, muito, e no mínimo o Presidente deve ao país um pedido de desculpas. Há claros indícios de que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa exerceu, ou deixou que se exercesse, a sua influência para beneficiar pessoas próximas do seu círculo familiar, situação se não irregular sem dúvida alguma altamente censurável, mas o pior será ainda a forma dissimulada como o Presidente tem vindo a reagir a todo este caso das gémeas. Nas verdadeiras questões de Estado o Presidente ainda merece a minha confiança, mas em questões ‘menores’ há muito que me parece desadequado, a sua vontade de se sobrepor a tudo e a todos querendo estar sempre em todo o lado e comentar tudo o que mexe dá muitas vezes asneira, são muitos os episódios embaraçosos, mas malgrado nunca ter e...

Das séries que eu vejo - Toda a luz que não podemos ver

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  Há adjetivos que com a capa de elogiosos são absolutamente mortíferos, honesto e interessante são bons exemplos, e tudo o que consigo dizer de ‘Toda a luz que não podemos ver’, minissérie de quatro episódios, é que é amorosa – esta fábula passada no final da II Guerra Mundial, em Saint Malo, é tão fofinha que é difícil dizer mal, é mesmo amorosa. Para mim teve dois brindes extra, ter a oportunidade de ver um dos meus atores favoritos, Mark Ruffalo, e recordar um pouco essa cidade costeira na Normandia, um dos meus sítios de sonho desde que há muitos muitos anos vi um filme de Eric Rohmer, ‘Conto de Verão’, melhor do que ver esta minissérie bom bom seria rever o filme e regressar a Saint Malo, isso é que era. Na Netflix.  

Dos filmes que vejo - Rustin

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  Produção do casal Obama sobre o homem que dá o título ao filme, Bayard Rustin, ativista norte-americano, condecorado muitos anos mais tarde pelo próprio Presidente Barack, que em 1963 juntou 250 mil pessoas em Washington numa marcha pela igualdade e pelos direitos, a maior manifestação pacífica até então numa América profundamente racista e onde o mundo ouviu Martin Luther King Jr dizer as suas famosas quatro palavras, I Have a Dream. É um filme escorreito do lado certo da história que deve servir como inspiração para os dias agrestes que vivemos, mas pareceu-me um filme algo bem-comportado demais, sendo a marcha até Washington o mote do filme faltou-me pelo menos alguma galvanização ao ver manifestantes em exaltação, não sei bem porquê mas Rustin peca por ser um filme arrumadinho demais. Claro favorito à nomeação para o Óscar de melhor ator principal, não obstante não ser um dos meus favoritos Colman Domingo é absolutamente brilhante na nobreza, verdade e energia que entrega à perso...

Do tempo do Advento, com o coro da Capela Sistina

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  Os cristãos vivem hoje o primeiro domingo do advento que anuncia a chegada, são quatro semanas para preparar o Natal num tempo de espera e de vigília, num tempo de reflexão e esperança mas também de celebração e alegria, é um tempo de reunião seja qual for a fé de cada um de nós, pelo que antes da festa, e num momento de introspeção, partilho uma música coral do compositor italiano Giovani Pierluigi da Palestrina cantada pelo coro dos papas, o coro da Capela Sistina, Tu Es Petrus . E que este advento nos anuncie a todos o fim das guerras e a chegada de coisas boas, juntemo-nos nesta corrente positiva.

Diz o Borda D'Água - em Dezembro

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  Resguardar as plantas do gelo. Arrotear terras e mato para as sementeiras da primavera. Em sítios abrigados ainda se pode semear agrião, espinafre, alface, fava e ervilha. Plantar ainda macieiras e pereiras. Cortar madeiras, no minguante. Continuar a poda das videiras e a mergulhia das vides. Fim da apanha da azeitona e limpeza dos lagares. No jardim prossegue a plantação de roseiras, gladíolos, cíclames, lírios, e proteger das geadas. Animais: abrigue o gado da chuva e frio, e acarinhe-o.