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A mostrar mensagens de agosto, 2023

Dos filmes que vejo - Falcon Lake, de Charlotte le Bon

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  Falcon Lake é a estreia na realização da jovem atriz canadiense Charlotte le Bon, e é um belo filme sobre as pulsações de dois adolescentes que passam férias junto a um lago de águas escuras, num ambiente onde se cruzam a descoberta, a transgressão e o mistério, com a ameaça da morte e de fantasmas sempre a pairar no ar.  

Da atualidade internacional - A proibição do uso da Abaya nas escolas francesas

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  O ministério da educação francês acabou de anunciar a proibição nas escolas públicas do uso da Abaya e dos qamis, vestes muçulmanas utilizadas pelas raparigas e rapazes magrebinos, respetivamente. É um tema difícil e muito sensível que exige muita ponderação, mas tendo a concordar com a decisão tomada pelo jovem ministro francês Gabriel Attal, o qual demonstra coragem política que é algo que muito aprecio e costuma escassear, a coragem política. Nós, estrangeiros, não saberemos avaliar algumas nuances desta discussão pois os franceses há muito têm uma cultura de laicidade muito enraizada, e, por outro lado, têm sido vítimas de radicalismos religiosos muito agressivos, mas há aspetos de discussão universal. Está ou não o governo francês a limitar a liberdade de expressão individual? Está ou não o governo francês a limitar a liberdade religiosa? Pode ou não um país soberano preservar a sua cultura e os seus valores à custa de quem vem de fora? Sim, não e sim, as minhas respostas às que...

Das séries que eu vejo - And Just Like That

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  A continuação de Sexo e a Cidade não é grande espingarda e está a anos luz da piada que as meninas dos anos 90 tinham, em parte porque para os produtores conseguirem a participação de Cynthia Nixon (depois da recusa inegociável da fabulosa Kim Katrall), tiveram de dizer sim a todo o caderno de encargos que esta impôs, ou seja, a série tinha de ter uma forte consciência social e falar dos temas que para si são importantes (eu diria que devem ser para todos), a saber, o empoderamento das mulheres de 50, a ecologia, as políticas identitárias, a justiça social, os temas LGTB, a não violência, toda a agenda woke, tornando a série tão ativista que muitas vezes parece que estamos numa aula de formação cívica do ensino preparatório, o que em abono de verdade eu dispenso. E como a vida é feita de paradoxos, esta fortíssima procura de uma sociedade muito evoluída joga a par com o facto de todas as personagens estarem apostadas em nos mostrar as sua mega fantasias sexuais (o que é demais cansa...

Dos filmes de que gostamos - Os jovens amantes, de Carine Tardieu

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  Filme francês em que os brilhantes Fanny Ardant e Melvil Poupaud, invertem o cliché do homem mais velho que se apaixona pela mulher muito mais nova e questiona-nos se faz sentido um homem de 45 anos, bem-sucedido e pai de uma família tranquila, mulher e filhos, apaixonar-se por uma mulher de 71, doente, e largar tudo por esse amor? Muito bom filme, nos canais TV Cine.  

Dos filmes que vemos - Oppenheimer, de Christopher Nolan

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  Pensei não ver este filme porque não costumo gostar mesmo nada dos filmes do Christopher Nolan, mas não podendo dizer que para mim é um grande filme porque me faltou emoção, é sem dúvida um filme muito bem feito e as 3 horas de duração passam sem nos darmos conta, o que é um bom elogio. O leque de atores famosos é grande mas gostei especialmente do Robert Downey Jr e numa única cena a Emily Blunt safou-se.  

Dos filmes que vejo - Barbie, de Greta Gerwig

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  Encontro vários méritos no filme, desde logo a criatividade do argumento, o abordar o lado do bem (entenda-se combater o machismo) e ter uma direção artística absolutamente notável, não falha um detalhe por mais ínfimo que seja naqueles cenários do mundo Barbie. É de elogiar também algumas piadas carregadinhas de sátira e os momentos musicais muito bem conseguidos (sobretudo aquele encabeçado por Ryan Gosling). Por fim, temos Margot Robbie que sozinha vale mais de metade do filme – ainda não está no meu clube das favoritas mas é sem dúvida uma das estrelas mais cintilantes de Hollywood. Todavia, aos meus olhos o filme torna-se aborrecido, aquela energia eletrizante e frenética do início tornou tudo muito maçador e repetitivo, uma grande seca mesmo. Além disso, pessoalmente não aprecio filmes ou peças de teatro descaradamente ativistas, que é como quem diz, quando espetam no texto todas as mensagens que nos querem enfiar na cabeça, explicando-nos tudo muito bem tim por tim como se fos...

Dos lugares a visitar - Museo Vostell, Malpartida de Cáceres

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  O Museo Vostell Malpartida não justifica uma ida de propósito, mas quem estiver na região de Cáceres faça o desvio que não se arrepende. No meio de um parque natural perto de Malpartida de Cáceres, o artista plástico Vostell instalou numa antiga quinta de produção de lã – só por si a envolvência do parque natural e da quinta já é muito bonita -, este museu que à partida pode parecer bizarro mas que é muito interessante, por um lado uma boa exposição de arte contemporânea com ares de Bordalo II, Ai Wei Wei ou Joana Vasconcelos, e por outro um centro de interpretação do pastoreio e transumância no início do século XX.  

Da atualidade - o impacto na economia das JMJ

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  Que surpresa tão grande, o Governo tinha afirmado que as JMJ iam trazer grande retorno económico ao país e houve quem quisesse acreditar, afinal o efeito foi obviamente adverso, quem veio não gastou e quem queria gastar deixou de vir, qual era a dúvida?    

Está mal – Senhor presidente da federação espanhola de futebol

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  No rescaldo da vitória de Espanha no campeonato do mundo de futebol feminino, o presidente da Federação Espanhola, Luís Rubiales, espetou um beijo na boca de uma jovem futebolista, Jenni Hermoso. Apesar da própria futebolista ter desvalorizado o sucedido, em qualquer circunstância parece-me uma atitude incorreta, contudo, no pressuposto que possa haver uma relação íntima entre presidente e futebolista e mediante as devidas explicações e pedido de desculpas, dada a euforia do momento podemos convir que não foi um crime de lesa-majestade e aceitar tranquilamente a situação. Mas face às críticas que se fizeram ouvir lá por Espanha, qual foi a reação do senhor respeitável presidente? Chamou de idiotas toda a gente que o criticou – falou grosso e falou muito bem porque parece que em Espanha (e não só) os senhores presidentes e o futebol ainda gozam duma moral absolutamente intocável.  

Dos filmes que queremos muito ver - Maestro

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Em pulgas para ver o próximo filme de Bradley Cooper com a sempre cintilante Carey Mulligan.  

Dos meus livros - Dinheiro, de Martim Amis

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  Só agora com a sua morte recente é que cheguei a Martin Amis e a um dos famosos livros da sua trilogia, Dinheiro (Money). Considerado por muitos o melhor escritor inglês do século XX, admito que me rendi incondicionalmente e quero regressar rapidamente à sua escrita, uma escrita elegante das elites de Oxford que escreve tão bem e tão mal ao mesmo tempo, bem pela graça, ritmo e contundência, mal porque aquelas linhas escritas estão carregadinhas dos vícios do auge capitalista dos anos 80 do século passado, dinheiro, álcool, pornografia, fast food , drogas e lascívia, vícios esses que a cultura woke dos nossos dias não afasta. Brilhante. Curiosamente, no dia da sua morte (19 de maio) estreou em Cannes um filme escrito por si - The zone of interest -, sobre a bucólica vida da família de um comandante nazi de Auschwitz, cujo jardim confina com o fatídico campo, a inocência lado a lado com o horror. Em pulgas para ver, até porque estes temas do nazimo e da banalidade do mal interessam-me...

Das coisas más - Um filme do Caraças

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  Senti vergonha alheia por quem trabalhou neste filme de tão mau que é, e mais não digo porque evito falar mal das coisas. Que pesadelo.  

Dos filmes que amamos - Debaixo das Figueiras

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  A principal razão de ser do cinema é criar-nos emoções, seja com blockbusters ou filmes menos comerciais, seja em policiais, documentários, comédias ou drama, se nos emociona está bom. Uma dessas razões é também abrir-nos o mundo, dar-nos a conhecer olhares e tradições que dificilmente conheceríamos se não fosse através do grande écran. Debaixo das Figueiras é um desses enormes filmes que nos oferece o mundo. O realizador Erige Sehiri estreia-se com esta história de um grupo de jovens que vai apanhar figos no noroeste da Tunísia, jovens que sonham, namoriscam, se conhecem melhor, que se provocam e observam os mais velhos, jovens a quem a esperança é roubada pelo patrão explorador e pela tradição muçulmana de coartar a liberdade das mulheres, que não sabem o que é casar por amor, e que ao fazê-lo assim coarta também os rapazes. É um filme tão delicado como o ato de apanhar figos que à menor brusquidão quebra um galho e o sustento, e ao mesmo tempo tão inclemente como o sol impiedoso q...

Das coisas bonitas - Periferias

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  Bravas são as gentes e associações que pelo nosso país fora promovem a descentralização, e muito interessante a forma como as raias dialogam, o Periferias é um excelente exemplo disso, o festival de cinema de Marvão, integrando agora também Valência de Alcântara, município pertencente à vizinha Cáceres. Procura implantar uma cultura de cinema criando um público mais consciente, em contacto com a arte, a diversão e o pensamento crítico, e assim se juntaram as vertentes de ambiente e direitos humanos. Citando o Rui Pedro Tendinha, é um festival de pessoas e de afetos cinéfilos, onde em espaços ao ar-livre como castelos, ruínas da cidadã romana, estações de comboios, lagares, museus, praças, piscinas, centros culturais, tudo sítios muito bonitos, podemos conviver com gente giríssima e assistir a concertos, exposições, discussões, fazer percursos, e claro, cinema de autor de primeiríssima qualidade. Viva o interior, viva a raia alentejana, viva o cinema, e longa vida ao Periferias. Parab...