A Esta Hora, Na Infância Neva é um verso de Manuel António Pina, que Victor Hugo Pontes foi buscar para o título da sua nova criação de dança contemporânea para a Companhia Maior. Começamos por ver em palco um nonagenário com um pujante bailarino de 30 anos, se para um, o gesto de rodar uma bola de basquete por trás do pescoço é inconsciente, para o outro, é um esforço que exige várias ações, e é isto que temos em A Esta Hora, Na Infância Neva , o confronto de corpos ágeis e estouvados de bailarinos jovens, com a fragilidade de corpos idosos, aquilo que eu já fui e ainda gostaria de ser, em confronto com aquilo que um dia virei a ser, um corpo marcado pela minha história, da infância à velhice. Tal como na vida, um sopro veloz, em A Esta Hora, Na Infância Neva os momentos festivos e de exaltação saltitam com o medo da perda, da ausência, tal como na vida, vamos num instante da alegria à dor, e logo regressamos à festa para conseguirmos sobreviver. Temos em palco um bailarino músico...