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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

Dos meus filmes preferidos de 2025

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    O meu Top 10 dos filmes vistos em 2025: 1 - O Agente Secreto (Brasil) 2 - Foi Só Um Acidente (Irão) 3 - Sirat (Espanha) 4 - Batalha Atrás de Batalha (EUA) 5 - O Brutalista (EUA) 6 - Ainda Estou Aqui (Brasil) 7 - Manas (Brasil) 8 - Pecadores (EUA) 9 - A Semente do Figo Sagrado (Irão) 10 - On Falling (Portugal/UK)   Menções honrosas para: Blackbag; Train Dreams; Depois da Caçada.  

Dos filmes de que gostamos - Jay Kelly, de Noah Baumbach

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Jay Kelly, de Noah Baumbach, é muitas coisas juntas no mesmo filme, é uma espécie de homenagem ao cinema e às grandes estrelas de Hollywood, mas é também uma reflexão sobre se vale a pena ser palerma nesta vida, porque a solidão, mesmo daqueles que andam sempre com um batalhão de pessoas atrás, é… tramada. O retrato intimista de um astro do cinema que parece arrependido de toda a vida ter sido um sacana, alguém que é conhecido no mundo inteiro mas que ninguém o conhece a si, nem ele próprio, o culto da personalidade e a fama efémera, o humor melancólico meio apatetado, o lado mais onírico e infantil do filme, a forma como o filme saltita entre um lado mais sério com um lado mais divertido, uma espécie de toca e foge sem nunca desenvolver nada com muita profundidade, admito, mas para mim o filme é muito bem conseguido, de uma grande ternura. Se George Clooney parece estar a fazer de si próprio, um galã à moda de Gary Cooper, se calhar o último dos grandes galãs do cinema, o número de gr...

Das séries de que gosto - All Her Fault

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  All Her Fault tem algumas incongruências de argumento um pouco irritantes, mas ainda assim é uma minissérie muito bem feita, oito episódios em que a história progride sempre sem pausas. É essencialmente um thriller sobre uma criança raptada, cujo segredo só é desvendado no final, mas é também sobre relações familiares e dinâmicas, sempre complicadas, de casamentos, com uma masculinidade tóxica, mais ou menos disfarçada, a incutir nas mães que tudo o que corre menos bem na vida dos filhos é por culpa delas, porque os pais carinhosos, que estão sempre a elogiar a bravura das mães, esses estão ocupados a trabalhar. No luxo das vidas de sonho dos subúrbios de Chicago, All Her Fault, com um elenco fantástico liderado por Sarah Snook, a Shiv Roy the Succession, é daquelas séries em que é difícil resistir a ver de seguida o episódio seguinte, muito bom. Na Skyshowtime.  

Dos filmes que adoramos - On Falling, de Laura Carreira

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  Na tradição do cinema realista britânico e dos filmes de Ken Loach, um dos produtores do filme, diga-se, On Falling, da estreante realizadora Laura Carreira, é cinema internacional, escrito, realizado e interpretado por portuguesas, e cinema de primeiríssima água. Aurora é uma emigrante portuguesa na Escócia, uma rapariga tímida e com dificuldades em comunicar, com um trabalho precário num armazém profundamente desumanizado, onde ninguém sabe o nome dos colegas com quem se sentam no refeitório, uma rapariga que encontra no telemóvel o mundo que lhe falta, telemóvel esse que aprofunda ainda mais a terrível solidão em que vive. É um retrato quase documental de vidas que são meras repetições de tarefas mecânicas, sem espaço para sentimentos e coisas bonitas, aqui não entra a arte nem o sonho, aqui o ponto alto das horas passadas fora da fábrica é lavar a roupa, I do the laundry . A vergonha, a maldita vergonha que nos impede de pedir ajuda e nos afasta ainda mais de Portugal quando somo...

Dos filmes de que gostamos - Train Dreams, de Clint Bentley

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  Train Dreams, do realizador Clint Bentley, foi o filme ideal para ver no quentinho do sofá natalício, aquele dia em que estamos mais pachorrentos e com mais disponibilidade para ver filmes pachorrentos. Sonhos e Comboios acompanha os 80 anos de vida de um lenhador eremita da América profunda do final do século XIX, um filme muito contemplativo que nos mostra as mudanças do homem e da natureza ao longo da vida, e como umas impactam as outras. De inspiração muito Malickiana , cada cena em que vamos ouvindo o narrador é como se estivéssemos a ler a página de um litro, todos os planos, e não só nos que vemos árvores, são muito poéticos Todo o elenco é notável, como a fugaz e fulgurante Kerry Condon, mas a rudeza sensível de Joel Edgerton é muito expressiva e comovente, cada olhar, cada ruga, cada gesto, uma interpretação cheia de força e vulnerabilidade, só não torço para a sua nomeação ao Óscar porque palpita-me que a luta para a quinta nomeação será entre Edgerton e o nosso maravilhoso...

Dos filmes de que gostamos - Wake Up Dead Man - A knives Out Mistery, de Rian Johnson

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  Do franchise de filmes de crime e mistério Knives Out , com o detetive Benoit Blanc, temos agora este Wake Up Dead Man – A Knives Out Mistery , escrito, produzido e realizado por Rian Johnson. Os filmes de Johnson procuram sempre a excentricidade e o burlesco, sempre muito rápidos, com muita coisa a acontecer no ecrã e com uma estética muito própria, não faltando nesta saga suspense, humor e sátira social, percebo quem adore, percebo quem ache tudo apatetado e superficial, eu, sem fazer parte do clube dos que adora, costumo alternar entre o gostar e o gostar muito, este filme em particular foi daqueles de que gostei muito. Josh O’Connor tem o toque de Midas, tudo o que faz é genial, e carrega o filme às costas em quase todas as cenas, muito bem amparado por Daniel Craig e Glenn Close, todos brilhantes num filme coral, como são sempre os filmes destes universos Agatha Christie. Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.  

Dos filmes de que gosto - Nuremberga, de James Vanderbilt

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  Se eu fosse historiador, ou antropólogo, gostaria de estudar o pós-nazismo no final da Segunda Guerra Mundial, é um tema que sempre me despertou muito interesse, a banalidade do mal, entender como é que se convivia com o horror, se as gentes tinham essa consciência, como é que as gerações mais novas perdoaram as gerações mais velhas que foram coniventes, como se consegue a redenção de um povo, por isso, gosto especialmente de ver filmes sobre esta temática. Nuremberga, do realizador James Vanderbilt, sobre o julgamento aí realizado das 22 mais altas patentes do regime Nazi capturadas vivas, talvez não seja um filme com muito rasgo em termos cinematográficos, é uma espécie de António José Seguro dos filmes, mas se esquecermos o fraquíssimo Rami Malek na personagem do psiquiatra que se torna amigo de Göring, o sucessor de Hitler na hierarquia, temos um bom filme, as cenas do Tribunal Internacional Penal são muito bem conseguidas, com algumas transcrições do que foi verdadeiramente dito...

Do teatro de que gosto - Oleanna

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  Muito antes da era do Me Too e do Wokismo , em 1994 David Mamet escreveu uma peça muito controversa sobre as fronteiras do assédio sexual, sobre a linha vermelha do que é aceitável ou punível. Em Oleanna, temos uma estudante universitária que pede ajuda a um professor porque não consegue perceber as suas aulas, mas este, em vez de a querer ajudar, está mais empenhado na sua promoção e numa casa nova. Num duelo intenso e muito palavroso entre professor e aluna, nunca sabemos de que lado está a verdade, provavelmente não estará apenas num dos lados, mas isso cada espetador fará a sua reflexão. Com encenação de Carlos Pimenta, num cenário um bocado claustrofóbico, o ator João Pedro Vaz está muito bem, mas os meus olhos não largaram a Bárbara Branco, um prodígio. No Teatro São Luiz, muito bom.  

Dos espetáculos de que gosto - Romeu e Julieta, pela Companhia Nacional de Bailado

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  Manda a tradição caseira abrir as hostes natalícias com uma ida ao ballet, este ano calhou em sorte ‘Romeu e Julieta’, uma coreografia clássica de John Cranko a partir da história sobejamente conhecida de Shakespeare, com música de Serguei Prokofiev. Bailarinos e corpo de baile, cenários, figurinos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, orientada pelo maestro Cesário Costa, tudo extraordinário, é impressionante se pensarmos em tantas dezenas de artistas em palco com uma qualidade de produção tão elevada. Entre as pessoas que gostam de ver dança, discute-se muito se ballet clássico ou dança contemporânea, eu, arrebatando-me esta última mais facilmente, também gosto imenso do repertório clássico, mesmo sendo este ‘Romeu e Julieta’ mais teatral do que dançado. Preferia ter visto mais dança? Sim, mas ainda assim tão bom.  

Dos espetáculos que adoro - A esta hora, na infância neva, de Victor Hugo Pontes para a Companhia Maior

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  A Esta Hora, Na Infância Neva é um verso de Manuel António Pina, que Victor Hugo Pontes foi buscar para o título da sua nova criação de dança contemporânea para a Companhia Maior. Começamos por ver em palco um nonagenário com um pujante bailarino de 30 anos, se para um, o gesto de rodar uma bola de basquete por trás do pescoço é inconsciente, para o outro, é um esforço que exige várias ações, e é isto que temos em A Esta Hora, Na Infância Neva , o confronto de corpos ágeis e estouvados de bailarinos jovens, com a fragilidade de corpos idosos, aquilo que eu já fui e ainda gostaria de ser, em confronto com aquilo que um dia virei a ser, um corpo marcado pela minha história, da infância à velhice. Tal como na vida, um sopro veloz, em A Esta Hora, Na Infância Neva os momentos festivos e de exaltação saltitam com o medo da perda, da ausência, tal como na vida, vamos num instante da alegria à dor, e logo regressamos à festa para conseguirmos sobreviver. Temos em palco um bailarino músico...

Dos filmes que vejo - Frankenstein, de Guillermo del Toro

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  Numa sala de cinema talvez pudesse ter outro fôlego, talvez, mas nesta nova versão de Frankenstein, do mexicano Guillermo del Toro, em que afinal o monstro tem um coração que sente, para além da música do Alexandre Desplat e dos impressionantes valores de produção, cenários, guarda-roupa, maquilhagem, sobra apenas incongruências e tédio, mas de tudo o que mais me custou, foi ver o Oscar Isaac, de quem eu gosto tanto, numa interpretação tão bacoca. Não gostei mesmo nada, mas isto sou eu.  

Dos meus livros - A Trilogia de Nova Iorque, de Paul Auster

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  No mais consagrado livro de Paul Auster, A Trilogia de Nova Iorque , algumas personagens saltitam entre três contos, três histórias sem ligação entre si, mas nelas todas encontramos, para além da Big Apple , escritores, detetives, cadernos vermelhos e personagens que se afundam em mistérios insólitos, que Auster tão bem congemina. Não me parece que misturar essas personagens nos vários enredos acrescente alguma coisa à trama, pelo contrário, pareceu-me mais um exercício de estilo que só confunde o leitor, tal como a ressonância comum desses nomes - o Blue, o White, o Brown e o Black, a páginas tantas temos de puxar pela carola para conseguir distinguir uns dos outros -, mas de certa forma a escrita de Auster é paradoxal, e desconcertante, por um lado diverte-se em nos dificultar a vida, por outro é uma escrita muito escorreita e despretensiosa que nos faz querer sempre virar a página. Cheguei tarde a Paul Auster, foi já depois da sua morte que o descobri naquele que foi o seu último ...

Da atualidade - a desenvergonhada Eurovisão

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  Israel vai continuar a participar no Festival da Eurovisão, parece que a organização é apolítica e não se mete nessas trapalhadas. E a Rússia e a Bielorrússia foram afastadas porquê? A malta até percebe, o dinheiro da Alemanha ainda manda na eurovisão e há uma culpa ainda por expiar por causa do holocausto, mas convenhamos, porquê a hipocrisia, não nos tomem por tolos. Saúda-se a honra e a espinha dorsal da Espanha, Irlanda e Países Baixos, não vale tudo, muito menos por causa de umas cantigas.  

Das séries de que gosto - A Besta em Mim

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  Citando de cor a personagem de Matthew Rhys, as pessoas não querem esperança, querem fofocas e carnificina, e é assim que neste drama psicológico um vizinho recém-chegado, alegadamente criminoso, convence uma escritora sem inspiração, com um passado mal resolvido, a escrever a sua biografia, um excitante jogo de gato e rato, nada melhor para o bandido do que ter a sua possível vítima bem perto de si. A Besta em Mim é um thriller muito inteligente, em que as duas personagens principais facilmente descobrem a culpa que o outro carrega às costas, qual deles levará a melhor? Todo o enredo é muito credível, mas o sucesso desta série centra-se no confronto da dupla principal, se Claire Danes é ela mesma - um rolo compressor de tiques e caretas faciais (é incrível como uma atriz tão limitada consegue sempre superar-se e ser convincente) -, Matthew Rhys é assombroso na sua composição de homem malvado, e é fantástico podermos assistir a este jogo, não dá mesmo para desviar o olhar. Muito bom....