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A mostrar mensagens de fevereiro, 2025

Da atualidade política - Senhor Primeiro-ministro, explica ou demite-se?

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  A resposta à pergunta que o Burro deixou aqui há tão poucos dias chegou mais rápido do que pude imaginar, o futuro já chegou ao presente e o peito inchado de quem achava que tudo podia impunemente já se estatelou ao comprido, o seu característico sorriso escarninho já deve ter percebido que a sua vida se complicou, e de que maneira. O simples facto de ter querido vender a empresa à esposa, só por si, indiciou de imediato de que algo de grave se passava, mas se o Ministério Público não começou logo na altura a investigar, espero bem que não deixe de fazer o seu trabalho agora que o jornal Expresso noticiou a avença mensal que Montenegro recebe de uns empresários amigos. Isto é grave? Isto é gravíssimo, aguardemos todas as explicações, mas há um nome que a todos nos sobressalta de imediato, Manuel Pinho. Que explicação poderá ter Montenegro? É difícil imaginar alguma que seja satisfatória, todos os cenários parecem fatais, não vejo como é consegue salvar a face mesmo que revele agora o...

Dos filmes que adoramos - Nickel Boys, de Ramell Ross

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  Nickel Boys, primeira longa-metragem de Ramell Ross baseada no romance homónimo de Colson Whitehead, vencedor do Pulitzer, é o último dos nomeados a melhor filme a estrear em Portugal (apenas em streaming ), bem a tempo da noite da cerimónia. Na Flórida do início dos anos 60, ver a amizade crescer entre dois adolescentes afro-americanos num reformatório segregacionista, onde o expectável seria ver a raiva e a violência, é comovente, e Ramell Ross vai tecendo aos poucos uma trama em que vamos percebendo a injustiça e os horrores a que estes jovens estavam sujeitos, de mansinho e sem mostrar quase nada vamos desconfiando do mal absoluto que imperava naqueles anos, mas se eram tempos em que se assassinava nas ruas pessoas como Luther King ou Malcolm X, imagine-se as atrocidades escondidas nestes lugares de ninguém. O rendilhado do argumento e da montagem é um primor, cena a cena vamos descobrindo a história e o filme, sendo o twist final isso mesmo, um final que nos apanha de surpresa,...

Dos filmes de que gostamos - A Complete Unkown, de James Mangold

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  As reações a ‘A Complete Unkown’, o filme de James Mangold sobre os primeiros cinco anos artísticos de Bob Dylan, não têm cascado propriamente no filme, mas se muitos lhe dedicam rasgadíssimos elogios, muitos também o tratam com pouco mais do que indiferença, vê-se bem à laia de um concurso de talentos, dizem, uma espécie de Chuva de Estrelas apresentado por Catarina Furtado. Pois bem, comecei mais alinhado com estes últimos, e progressivamente fui passando para o clube dos entusiastas do filme, A Complete Uknown pode não ser uma grande obra cinematográfica, pode não ser um filmaço, mas é um filme sobre a arte que me galvanizou por completo, quando o filme termina apetece-me seguir a mota de Dylan e ver muito mais do percurso que o prémio Nobel seguiu. A arte é inspiração e trabalho, é emoção passada a alguém, e a par do talento e da criatividade, o principal motor da arte é a verdade do artista, se soar a fake não presta, e James Mangold mostra-nos um Dylan fiel a si mesmo, um Dylan...

Dos nossos artistas - António Casalinho

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  Se Marcelino Sambé é um nome consagrado do ballet clássico, desde 2019 bailarino principal da Royall Ballet de Londres, uma das mais prestigiadas companhias do mundo, temos outro português a conquistar o panorama mundial, o talentosíssimo António Casalinho, 21 anos, foi recentemente promovido a bailarino principal da Bayerisch StaatsBallet , companhia sediada em Munique, e foi galardoado pela revista International Dance Magazine como bailarino do ano, destacando o seu percurso meteórico.  

Dos espetáculos de que gosto - Forsythe/McNicol/Balanchine

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  O ballet neoclássico afasta-se do ballet clássico porque não pretende contar uma narrativa mas sim focar-se na dança, no movimento, nas linhas, no virtuosismo e expressividade do bailarino, mas assente na técnica clássica, muitas vezes em pontas, e por isso dançado por bailarinos com formação clássica. A Companhia Nacional de Bailado apresenta-nos agora três peça, estreadas entre 1992 e 2024, dos coreógrafos William Forsythe ( Workwithinwork ), Andrew McNicol ( Upstream , uma encomenda para a CNB) e George Balanchine ( Stravinsky Violin Concert ), esta última acompanhada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa. Não gostei muito da primeira, adorei a segunda e gostei da terceira, sempre um deleite ver dança.  

De quem precisamos - Papa Francisco

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  Um dos últimos esteios do mundo como o desejamos, Papa Francisco, Deus o ajude, Deus nos proteja, permitam-me um pouco de fé e de esperança.  

Dos filmes que adoramos - O Atentado de 5 de Setembro

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  O Atentado de 5 de Setembro, do realizador suíço Tim Felhbaum, foi um dos grandes derrotados para as nomeações dos Óscares, o que até se pode aceitar dado a forte colheita de 2024, recebeu apenas indicação para melhor argumento original, mas é um grande filme daqueles que Hollywood tão bem sabe fazer (com co-produção alemã). A história é sobejamente conhecida, nos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, os primeiros a terem transmissão televisiva em direto para todo o mundo, um grupo terrorista palestiniano sequestra uma comitiva de atletas e treinadores israelitas, centrando-se o filme na cobertura televisiva que o canal ABC Sports fez da tentativa de resgate por parte da polícia alemã. O argumento é fortíssimo porque aborda, num tom adequado, as feridas do pós-guerra, um país a querer reinventar-se e as novas gerações a tentarem lidar com os seus pais que tudo testemunharam de olhos fechados, mas O Atentado de 5 de Setembro é primeiramente um filme sobre o jornalismo, numa altura que ...

Das coisas da política – Montenegro, a imobiliária e a moção de censura

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  A ideia da moção de censura ao Governo, por alegadas incompatibilidades de Montenegro, é simplesmente estapafúrdia, não cabe na cabeça de ninguém que o primeiro-ministro tenha feito passar a lei dos solos para ganhar uns trocos com a imobiliária da sua família, que, ao que parece, passou a incluir no seu objeto social a possibilidade da compra e venda de bens imobiliários já depois de tomar posse. Dito isto, na minha opinião está tudo bem? Nem por sombras, estão várias coisas mal. Para começar, assim que transmite as quotas de uma empresa para a família, cheira logo a esturro. Apelando à ponderação que as palavras exigem, numa grande parte das situações em que se transmite, ficticiamente, as quotas de uma sociedade para alguém próximo, com ou sem uma procuração irrevogável a acompanhar, esta depende do grau de proximidade, está o caldo entornado. Em muitas destas situações, o pretendido é contornar algum expediente, esconder algo, seja escapar a declarações de conflito de interesses,...

Das coisas da política - a desagregação das freguesias

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  Na política concordamos com algumas coisas, com outras nem tanto, mas, normalmente, nestas em que estamos de desacordo conseguimos compreender as motivações de quem defende uma determinada posição, mas esta lei da desagregação das freguesias só me suscita pasmo, é algo que me ultrapassa, mas porque raio é que vamos desperdiçar uma das poucas coisas boas da Troika, porquê?  A justificação do veto presidencial foi muito pífia, uma pequena démarche para ganhar tempo, mas a explicação do PSD para confirmar a decisão pior ainda, vai-se confirmar a lei porque estão criadas expetativas? Desde quando é a aprovação de uma lei depende das expetativas e quando é que deixou de ser em função do certo e errado? Esta desagregação é absolutamente indefensável, só serve para duas coisas, para amainar um provincianismo bacoco e para continuar a alimentar um miserável clientelismo partidário, que vergonha, e que esta vergonha cubra todos os deputados que a votarão favoravelmente, ou seja, quase todos....

A Assembleia da República e os insultos do Chega a Ana Sofia Antunes - E se...?

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  Estes insultos impunes dos deputados do Chega à deputada do PS, Ana Sofia Antunes, deixam-me transtornado, não é possível termos de assistir a isto na casa da Democracia, a liberdade de expressão não pode tolerar tudo, não há direitos absolutos, nem o da própria vida - Senhor Presidente da Assembleia da República, Dr. José Pedro Aguiar-Branco, faça alguma coisa! E não dá para continuarmos a ser condescendentes com 15% do eleitorado português que tenciona votar neste bando de malfeitores, ah, é um voto de protesto, não há 15% de portugueses que pensam assim , uma ova, digo eu, não podemos passar um atestado de ignorância e inocência a estes votantes, quem dá o seu voto ao Chega não é uma pessoa de bem, quem pensa como esta gente e dá-lhes a sua confiança não é uma pessoa de bem, ponto! Quem olha para aquela bancada, indizível, quem olha para o mundo e vê os Musks e os Kanie Wests a perderem a vergonha e apregoarem a bom som o nazismo, e internamente dá o seu voto a estes nazis (ainda)...

Das séries de que gosto - Shogun

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  Shogun é uma multipremiada série histórica dos tempos feudais do Japão, algures no início do século XVII, numa altura que os portugueses já lá andavam a evangelizar a sua fé e a carregar os seus navios o mais que podiam, sendo fundamental para isso que escondessem os tesouros do Japão do resto da Europa. Para além do interesse de ver o papel (pouco simpático) dos portugueses e do catolicismo na história nipónica dos séculos XVI e XVII, Shogun centra-se numa guerra pelo poder entre meia dúzia de samurais, e os seus exércitos, até ao herdeiro do líder supremo poder assumir o comando do Japão, numa sociedade comandada pelo homem mas em que a mulher não é secundarizada, exemplo disso o destino da personagem de Mariko Sama no penúltimo episódio. A realização, os textos, a direção de arte, guarda-roupa, a fotografia, tudo é absolutamente exímio, um esplendor, mas se às vezes se torna cansativo tentar fixar os nomes difíceis de tantas personagens, até mesmo algo maçador com tanto sangue a j...

Dos filmes e das atrizes que amamos - Babygirl e Nicole Kidman

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  2024 foi uma excelente colheita para filmes, foi o ano de Anora, Brutalista, Ainda Estou Aqui, A Semente do Figo Sagrado, Tudo o Que Imaginamos Como Luz, O Quarto ao Lado, Challengers, e foi também o ano de Babygirl, que filmaço, pena é Hollywood ainda não estar preparada para ver Nicole Kidman a andar de gatas, para um filme que começa e acaba com orgasmos da grande estrela de Hollywood, sim, há ali uma estranha obsessão qualquer por plásticas, mas Nicole Kidman é talvez o que esteja mais perto de uma grande diva de Hollywood nos dias de hoje, grande injustiça não estar nomeada por este filme ao lado de Fernanda Torres e Mikey Madison. E ouvir Father Figure do George Michael não será mais a mesma coisa.  

Do teatro que vejo - A Médica

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  Há uma velha máxima que cai que nem uma luva nesta peça, A Médica, menos é mais. Ricardo Neves-Neves, nesta encenação para o Teatro da Trindade, com base num texto de Robert Icke, quis meter o Rossio na Betesga, que é como quem diz, não conseguiu conter a ambição de abordar todos os temas, esbardalhando-se por isso ao comprido. Partiu de uma premissa interessantíssima, a ética no exercício da medicina e o confronto da integridade de um médico com o ar dos tempos, da necessidade de engolir sapos para se ter sucesso na carreira, o mediatismo, e o principal de tudo, o respeito pelo doente, estes temas são o mote da peça e por aqui se devia ter ficado. Sociedade patriarcal, discriminação da mulher, racismo, apropriação cultural, wokismo , religião, aborto, homossexualidade, saúde mental, transgénero, redes sociais, mediatização e informação espetáculo, parece que todas as causas ativistas tinham de ter uma deixa no texto, só lhe faltou a proteção da formiga do Burkina Faso em risco de e...

Dos filmes que adoramos - A Semente do Figo Sagrado, de Mohammad Rasoulof

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  A Semente do Figo Sagrado, do iraniano Mohammad Rasoulof, é um dos melhores filmes do ano, ponto, não só pela sua fortíssima dimensão política, que nos confronta e suscita à reflexão, mas também como peça de puro entretenimento. Numa Teerão em fogo, com as manifestações num tumulto no rescaldo do espancamento da jovem Amini, temos uma família pacata cuja paz nunca antes havia sido contestada, até ao momento em que o regime promove o pai a juiz do tribunal revolucionário e as filhas adolescentes se veem inadvertidamente envolvidas nesse turbilhão, desafiando o pai e pondo, inclusivamente, a tão desejada promoção em perigo. Todo o filme é um choque de valores, aqueles em que o pai quer acreditar e impor, e que lhes paga as contas, diga-se, e aqueles outros em que as filhas começam a defender, a libertação moral e religiosa, o uso não obrigatório do hijab , a não aceitação de uma sociedade patriarcal e do Estado que maltrata os seus filhos, tudo isto nesta família que se desmorona, subi...

Dos filmes que adoramos - Maria, de Pablo Larraín

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  Gosto muito do realizador chileno Pablo Larraín e sempre tive uma embirração solene com Angelina Jolie, sempre a vi como uma atriz mediana, para ser simpático e não dizer sofrível. Nas cenas em que Callas tenta regressar aos palcos é a própria Jolie que canta, teve aulas intensivas de canto durante vários meses, mas naquelas no auge da Diva é Callas quem ouvimos, Jolie faz playback , e estas cenas são confrangedoras, são terríveis, patetas, a vontade que dá é desistir logo ali de ver o filme. Feito o disclaimer inicial e dito isto, e se conseguirmos sobreviver aos vários playbacks que vão acontecendo, MARIA é uma obra-prima, fiquei totalmente rendido. Larraín filma a última semana de vida da grande diva da ópera, em que o mundo ainda aguardava para ver se alguma vez iria regressar aos palcos, nesses dias em que Callas já se transcendia ela própria numa outra dimensão, algures entre a tragédia e a religiosidade, quando começas a querer partir mas ainda te vais agarrando ao que podes,...