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A mostrar mensagens de abril, 2026

Dos filmes de que gosto - Caso 137

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  Caso 137 é um filme policial sobre polícias, no rescaldo da crise francesa dos coletes amarelos como recuperar o prestígio e a aceitação da classe que assegura a ordem na sociedade, como controlar os seus excessos sem lhe retirar a autoridade, onde está a fina linha que separa o trigo do joio daqueles que defendem a democracia, um tema tão atual este que vê a instituição ser ameaçada por dentro por extremismos camuflados inter-pares. Realizado pelo alemão Dominik Moll, com a sempre formidável Léa Drucker como protagonista, Caso 137 equilibra ritmo com sensibilidade e reflexão sociológica e política, o cinema francês raramente desiulde, e não desiludiu, bom filme.

Do teatro que adoro - Veneno, História de Um Casamento, de Lot Vekemans por João Lourenço e Vera San Payo de Lemos

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  Um casal perde uma criança, não consegue superar o luto, ele sai de casa numa noite de passagem de ano, ela não o tenta impedir, reencontram-se 10 anos depois no cemitério onde o filho foi enterrado para lamberem as cicatrizes dos traumas, da morte do filho e do fim do casamento. Se vive perto de Lisboa e aprecia um teatro que o dilacera e lhe revolve as entranhas, não perca, vá ao Teatro Aberto, mas se já teve o infortúnio de ter perdido um filho, a dor maior, então talvez não seja boa ideia fazê-lo. Veneno – História de Um Casamento, de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos a partir de um texto da holandesa Lot Vekemans, é uma peça fortíssima, que nos deixa desamparados entre o incómodo e a compaixão, com picos de grande tensão psicológica e com momentos de enorme ternura e sensibilidade, como aquele em que se vislumbra a imagem do filho numa janela fustigada pela chuva, as luzes apagam-se e apenas vemos o vulto da Carla Maciel na contraluz do luar, muito bonito, Veneno ...