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A mostrar mensagens de novembro, 2023

Dos filmes que vejo - Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes

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  Gosto de ver filmes realizados por altura do meu nascimento, atrai-me a ideia de tentar compreender melhor como era o mundo nessa altura, e gostava de acreditar que nos dias de hoje talvez esta história fosse inverosímil, talvez fosse uma realidade ultrapassada, explicando melhor, uma realidade que fosse enfrentada de forma diferente e com outros recursos, mas suspeito que este UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA, de John Cassavetes (na Filmin), retrate uma história que pudesse ser passada em 2023, a história duma mulher gravemente perturbada do ponto de vista mental, louca como se dizia à época (“crazy”), de um marido dedicado ao trabalho e negligente com a família, mas que com falhas atrás de falhas tentava agarrar como conseguia os pedaços da família desfeita, e de três crianças pequenas altamente ameaçadas, três crianças expostas a uma mãe incapaz e a um pai que pouco mais tinha para dar do que boas intenções, a debilidade desta mãe, o desnorte deste pai e a vulnerabilidade destas crianças...

Dos filmes que vejo - Napoleão, de Ridley Scott

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  Sempre que a Josefina da brilhante Vanessa Kirby entra no écran estamos felizes da vida, mas o filme é chato, chato, tãooo chato, sem paciência para tantas e tão longas cenas de guerra filmadas na perfeição, estou-me nas tintas para o virtuosismo de Ridley Scott que do alto dos seus 88 anos não quer que tenhamos quais dúvidas que ele é mestre na sua arte, o filme é um tédio de morte. A propósito de NAPOLEÃO, como prémio de consolação, li uns artigos sobre o Imperador e aprendi algumas coisinhas sobre a história francesa dos finais do século XVIII / inícios do século XIX, por isso nem tudo foi prejuízo, e fica a curiosidade, face às reações dos historiadores franceses que criticaram o pouco rigor histórico e uma tendência pró-britânica, Ridley Scott além de dizer que os franceses não gostam de si próprios disse-lhes ainda, ‘ Get a Life ’, que é mais ou menos como quem diz ‘ vivam a vossa vida e não me chateiem ’, de facto acho mais do que justo que aos 88 anos se esteja a borrifar par...

Da atualidade - o caso das gémeas brasileiras e a família do Presidente

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  Não me recordo facilmente de nenhum outro caso de ‘cunhas’ a que a imprensa tenha dado tanta atenção como à situação das gémeas brasileiras, o que poderá ser um sinal que estamos cada vez mais, enquanto sociedade, exigentes e sujeitos ao escrutínio, ainda bem se assim for. Mas estamos de facto perante um episódio grave e se não fosse uma reportagem da CNN Portugal tinha tudo para passar impunemente pelos corredores da administração pública, mas agora que o caso veio a público, e que o Ministério Público já estará a investigar, é impossível que não haja apuramento de responsáveis e as sansões adequadas, não creio que seja possível que desta vez a culpa volte a morrer solteira. Os factos serão anteriores à tomada de posse da atual Administração e Direção Clínica do Hospital de Santa Maria, mas quem à data dos factos estava em funções tem nome, e tem de prestar contas pelo que fez ou deixou de fazer, havendo aqui seguramente muitas culpas, e descaradas, no cartório – é tão grave uma dir...

Dos filmes que vejo - The Killer, de David Fincher

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  A fasquia das minhas expetativas estava demasiado elevada e quando é assim o risco de nos dececionarmos aumenta proporcionalmente, e reconhecendo que The Killer é um bom filme, com um ritmo, tensão e cuidado visual que nos prendem do princípio ao fim, admito que sendo um filme de David Fincher, protagonizado por Michael Fassbender e Tilda Swinton, soube a pouco, faltou-me alguma credibilidade no argumento e faltou-me sobretudo fôlego, este filme tinha de me arrancar da cadeira e roubar o ar e nem cócegas me fez.   

Das minhas músicas - In My Mind, Wallners

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  In My Mind , dos austríacos Wallners.  

Da atualidade política - a deserção ou o deserto no PSD

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  Algo que sempre valorizámos nas nossas democracias ocidentais foi a alternância entre dois blocos políticos, assentes em ideias humanistas e democráticas, longe de extremismos e capazes de atrair elites de vários quadrantes, que é mais ou menos o mesmo que dizer que cá pelo burgo termos o PS e o PSD como partidos fortes e consolidados era bastante positivo para o nosso regime político, coadjuvados por alguns partidos mais pequenos que enriqueciam o debate e as lutas políticas. Esse conceito dos grandes blocos políticos já era, vai sendo estilhaçado cada vez que um país europeu é chamado às urnas, e sabemos quem é que invariavelmente se abeira do poder, os Milei, Geert Wilders e amigos que tais que por estes dias se reuniram alegremente em Lisboa. Vamos reconhecendo todos em surdina que hoje em dia só os malucos, desesperados ou incompetentes se prestam ao frete de estar na política, quem é que na sua vida organizada se quer sujeitar ao escrutínio e ao vilipêndio a troco de uma remune...

Dos filmes de que eu gosto - Céu em Chamas, de Christian Petzold

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  Não farão por mal, nasceram assim e têm dificuldade em fazer melhor, mas há pessoas amargas que estão sempre de sobrolho levantado e que só sabem lamentar-se para sugar a energia dos outros, que nunca conseguem desfrutar um momento por terem um nariz tão empinado, será que algum dia conseguirão perceber que não vale a pena ser assim? O filme passa-se no norte da Alemanha junto à costa do mar Báltico, numa zona florestal que está a ser assolada por incêndios, facto que dá o título ao filme, CÉU EM CHAMAS (Roten Himmel , no original), e começando pelo que menos gostei, claramente Christian Petzold desconhece a ameaça de um incêndio florestal descontrolado, não sabe que o ar é quase irrespirável, que o fumo quase sufoca, que o perigo entranha-se na pele e não dá tréguas, e esse espectro ameaçador dos fogos é altamente inverosímil no filme (o que até se compreende porque grandes fogos florestais na Alemanha são um fenómeno raro), e não senti só falta desse sobressalto, senti falta de mai...

Dos meus livros - Memória de Rapariga, de Annie Ernaux

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  Annie Ernaux escreve histórias assumidamente sobre si própria e foi adiando o regresso à jovem e inocente rapariga que no verão de 1958 quis viver os seus sonhos de forma desfrenada e às cicatrizes que lhe deixou marcas nos dois anos seguintes, que terá deixado toda uma vida, e só agora (em 2014), ao fim de 56 anos, teve capacidade para recordar e conseguir superar o que havia dentro de si para superar. Ultimamente tenho regressado livro sim livro não a Ernaux, quase que tenho feito um pingue pongue entre Ernaux e Barnes e sinto agora necessidade de lhes fazer uma pausa e ler outras coisas, mas Memória de Rapariga é Ernaux como só assim Ernaux saber ser, corajosa, empoderada e torrencial na forma despudorada como alterna a sensibilidade com a aspereza duma faca afiada.  

Dos documentários que vejo - O Caso Bettencourt

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  Em 2007 rebentou em França um escândalo no mundo da alta finança parisiense (recordo-me bem de o acompanhar nas notícias que cá chegavam), entre a então mulher mais rica do mundo e dona da L’Oréal, Lilianne Bettencourt, e a sua filha Françoise, a propósito das doações pornograficamente milionárias que a idosa empresária e filantropa dava ao intrépido e arrojado fotógrafo da socialite, que a divertia e fazia rir como nunca o tinha feito, François-Marie Banier, escândalo que ganhou contornos políticos e de estado porque revelou o financiamento ilegal aos partidos políticos (ainda chamuscou Nicolas Sarkozy) e como os muito muito ricos fugiam aos impostos. Muito interessante ver os requintes de tanta trafulhice Na Netflix.  

Dos filmes que amamos - The Pub The Old Oak, de Ken Loach

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  Sofro por antecipação ao pensar que muitos dos meus atores, atrizes e realizadores já estão numa idade tal que os seus últimos filmes a estrear podem muito bem ser a sua despedida do grande écran, e The Pub The Old Oak poderá ter sido isso mesmo, o último filme realizado por Ken Loach a caminho dos seus 88 anos, um dos grandes mestres do realismo social britânico que nos dá sempre grandes murros no estômago quando nos conta histórias desesperançadas daquelas vilas mineiras do norte de Inglaterra. The Old Oak é o pub duma comunidade pobre e esquecida que acolhe um grupo de refugiados sírios, e mal o filme começa já estamos encanitados com o profundo racismo que está entranhado nas pessoas, o incómodo que nos causa é tão vivo que nos faz revirar na cadeira tal a revolta e impotência que sentimos, mas por ventura por ser o seu derradeiro filme, talvez, Loach opta por não nos embrulhar as entranhas com sofrimento e violência social, nada disso, sem desculpar ninguém apela a que nos re...

Das estrelas maiores - Sara Tavares

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  A Sara das coisas bunitas agora é um ponto de luz , tantas músicas que me deixa, tantas memórias que me traz, que tristeza tamanha, que inspiração. Até sempre Sara.  

Da atualidade política - a supremacia 'moral' do PS

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  “ Qualquer outro partido que fizesse metade, um terço destas patifarias e trapalhices, já teria sido engolido vivo. O Partido Socialista … possui uma resistência aos escândalos e desaires que os outros partidos não têm. António Costa é o perfeito exemplar deste estado de coisas. Passos Coelho foi crucificado por muito menos. O PS sobreviveu ao escândalo da Casa Pia, a única vez que correu perigo sério e em que atiraram a matar para destruir o partido e seus dirigentes, sobreviveu à demissão de Guterres, e fuga, sobreviveu ao escândalo de Sócrates, único na história de democracia portuguesa, sobreviveu aos erros e horrores da pandemia (que não foi o sucesso imputado a Costa, que a certa altura estava mais interessado em trazer para Portugal um campeonato de futebol do que no confinamento, chamando a isto um “prémio” aos médicos e trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde — a mais asinina frase da democracia portuguesa) e sobreviveu aos escândalos deste Governo. Pedrógão, Tancos, negó...

Da TV de que eu gosto - programas de entretenimento da RTP

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  Não lhe tenho prestado atenção mas tenho noção de que a ficção da RTP tem alcançado um bom nível de qualidade, mas apetece-me destacar a área de entretenimento com alguns programas muito bem feitos e excelentes a fazer isso mesmo, entreter-nos: - Para os fãs de programas de caça talentos musicais o THE VOICE é imperdível, mesmo neste ano que reúne os piores concorrentes que tenho memória e mesmo para aqueles que, como eu, veem mais tarde para poderem avançar nos entremeios das cantorias (sim, a Catarina Furtado já não guincha pró palcooooo ), notando no entanto que gosto muito de ver a forma como este grupo de jurados faz as suas apreciações, e como brinde temos por vezes os jurados a cantarem entre si ou com os concorrentes - brilhante aquele momento que Sónia Tavares e António Zambujo cantaram Silêncio e Tanta Gente da Maria Guinot; - Cheguei tarde ao TASKMASTER, apenas na temporada 3 que agora terminou, mas ver os disparates que o Markl e o Palmeirim inventam para os convidados s...

Dos documentários que vejo - Viver a vida até aos 100 anos, o segredo das zonas azuis

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  O documentarista Dan Buettner, com uma equipa de antropólogos, médicos e epidemiologistas, reconheceu que nalgumas zonas do mundo concentra-se um número anormalmente elevado de pessoas centenárias, as chamadas ‘zonas azuis’. Ao longo de vinte anos estudaram a fundo estas comunidades - Okinawa, no Japão, Sardenha, na Itália, Nicoya, na Costa Rica, Ikaria, na Grécia e Loma, na Califórnia  -, a sua história e geografia, e procuraram identificar hábitos de vida comuns que possam explicar esta longevidade, e mesmo admitindo que algumas destas características não surtam efeito em nós próprios, não deixa de ser um excelente mote para nossa reflexão – eis alguns dos traços que predominam nestas povoações em que muitos habitantes vivem mais de cem anos: - Comem aquilo que a terra dá, aquilo a que chamamos hoje uma dieta plant based ; - Ninguém passa horas no ginásio ou corre maratonas, mas cansam o corpo ao longo do dia; - Vivem em ambientes com muitas colinas obrigando-os ao movimento e impe...

Das lojas e restaurantes com história - o Galeto, em Lisboa

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  Há lugares sagrados na cidade que nos habituamos a ver e que dificilmente nos detemos para parar e entrar, quantos dos tripeiros nunca subiram aos Clérigos ou quantos dos Alfacinhas nunca foram ao Cristo Rei, pois bem, aconteceu-me exatamente isso com o Galeto, em frente ao qual passo quase todos os dias a pé e aonde só muito recentemente entrei. O snack-bar Galeto foi inaugurado em 1966 na Avenida da República, ali ao Saldanha, em Lisboa, e é uma autêntica instituição viva da cidade, que atravessou gerações e onde, apesar das obras profundas, pouco terá mudado nestes quase 60 anos desde a sua inauguração, numa cidade e num país que se transformaram radicalmente. O requinte imutável do preto e dourados e a madeira envernizada dos labirínticos balcões, desenhados pela dupla de arquitetos Vitor Palla e Joaquim Bento d’Almeida, a disposição dos bancos que nos confronta com os desconhecidos comensais que se sentam à nossa frente, a simpatia dos funcionários, a possibilidade de podermos i...

Dos filmes que vejo - Nyad

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  Nyad, filme desportivo da dupla de realizadores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, retrata o feito histórico de Diana Nyad, que com sessenta e tal anos conseguiu a proeza de atravessar a nado, sem jaula de proteção contra tubarões, o Everest dos oceanos, que é quem como quem diz, a distância de 177 quilómetros entre Havana (Cuba) e Key West (Florida), sendo um filme que se vê bem mas sem pingo de entusiasmo de tão morno e previsível que é, salva-o duas atrizes em estado de graça: - Jodie Foster, já vencedora de dois Óscares como atriz principal, para mim a sempre muito cerebral Jodie Foster que repete constantemente os tiques da fantástica Clarice Starling do Silêncio dos Inocentes, consegue aqui um dos melhores papéis da sua carreira ao fazer de treinadora e melhor amiga de Nyad, talvez o meu preferido por nos mostrar uma Foster diferente, tendo sérias probabilidades de ser nomeada para melhor atriz secundária; - Annette Benning vai seguramente falhar a sua quinta nomeação aos ...

Das minhas músicas - I Know It's Over, The Smiths

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Não, não é que não me apetecesse mas não vou partilhar mais uma canção da Sara Correia, ou da Sónia Tavares, a maior de todas, ou do Pedro Abrunhosa, ou do Zambujo, sózinhos ou acompanhados uns dos outros, nunca me canso de os ouvir, mas a eles talvez voltarei um dia destes a propósito de uns programas de TV de que gosto muito, hoje vou partilhar uma música diferente, The Smiths, com I Know It's Over , da banda sonora do novo filme de David Fincher, que estou em pulgas para ver, 'O Assassino', e das bandas sonoras de quem foi jovem nos anos 80 e 90. … It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes guts to be gentle and kind Over, over Love is natural and real But not for you, my love Not tonight, my love Love is natural and real But not for such as you and I, my love   … Oh Mother, I can feel the soil falling over my head Oh Mother, I can feel the soil falling over my head  

Dos filmes que vejo - Jeanne do Barry, de Maïween

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  Vemos Jeanne du Barry - a história real de amor de um bonzinho Luís XV, le Bien-Aimé, com a sua amante preferida, a própria que dá o título ao filme -, mais ou menos com o mesmo prazer com que visitamos Versailles ou um qualquer museu do traje, com a beleza dos dourados e dos brocados próprios da época, mas para além do esplendor e da sua extrema beleza o filme tem vários outros méritos, Ma ï ween é convincente na forma elegante e sensual, sem nudez mas com erotismo, como defende a sua cortesã, e além da bonita história de amor e de algumas curiosidades históricas, sobra ainda uma interessante luta de emancipação feminina numa altura que as mulheres, na melhor das hipóteses, eram simples objetos – falta-lhe algum fôlego mas Jeanne du Barry é sem dúvida alguma um filme simpático. Johnny Deep, americano de gema como Luís XV num filme francês? Deep nunca será um grande ator mas a sua irreverência sempre gerou empatia, e em pleno rescaldo do seu escandaloso divórcio, só pode ter sido um...

Da atualidade política - a demissão de António Costa e o comunicado de imprensa da PGR

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  Em um, a minha perceção continua a ser que António Costa é um político sério e que se quis rodear de pessoas pouco ou nada recomendáveis. Em dois, não quero pensar que a Procuradoria Geral da República possa ter sido leviana no famoso último parágrafo do comunicado de imprensa, não quero pensar que possamos estar perante um flagrante caso de judicialização da política (ouçam agora de novo Rui Rio a este respeito) e que o Ministério Público tenha demitido um Governo democraticamente eleito a seu bel prazer (mesmo que eu entenda que só os casos Escaria, Lacerda e Galamba, ou seja, se não houvesse o dito último parágrado, já eram suficientes para deitar abaixo o Governo). Em três, dada a gravidade da situação e sendo as consequências do referido comunicado absolutamente previsíveis, na minha opinião o seu conteúdo é insuficiente e inaceitável, não pode ser dito aos portugueses que um governo eleito foi derrubado porque alguém diz que disse, algo mais tem de nos ser dito (seja pela PGR, ...

Da tragédia Israelo-Palestiniana - Netanyahu e o Hamas

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  " Uma testemunha que chegou ao local a seguir ao ataque diz que viu uma mulher grávida morta, repetidamente esfaqueada na barriga, e com o feto pendurado junto da mãe. O feto foi repetidamente esfaqueado, …, são histórias de um morticínio sem precedentes. Não apenas na história de Israel, do mundo ”, o relato do horror absoluto por Clara Ferreira Alves, na revista do Jornal Expresso. “...  Mas – este é mesmo um grande mas – ninguém deverá surpreender-se por haver tanta gente, que pugnando pelo direito à autodeterminação dos palestinianos, condenando o regime apartheidista, racista e fascista em que Israel se tem vindo a tornar, e atormentando-se ante a carnificina causada pelos ataques israelitas, passa ao largo de tão infausta companhia. Porque quem grita massacre e apela, contra Israel, ao cumprimento da lei internacional humanitária, mas tão alegremente reputa de ‘legítimo’ o que o Hamas é e faz, incluindo a forma assassina como usa o povo que mantém, desgraçadamente, sob seu...

Está mal - a infâmia das Raspadinhas

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  É conhecido que as raspadinhas são uma praga social e um aflitivo problema de saúde mental pela dependência que causa, pior do que isso, como diz Luís Aguiar-Conraria no Expresso, são verdadeiramente amorais porque é uma forma do Estado sacar dinheiro aos pobres e desfavorecidos, sim porque as receitas dos jogos de Santa Casa ou revertem diretamente para o Estado (em 78% do seu montante), ou então financiam a própria Santa Casa que assegura funções do Estado Social na região de Lisboa. A nova provedora Ana Jorge lava as suas mãos como Pilatos ao reconhecer que o mal está feito e se a benemérita Santa Casa renunciasse às ditas o vício manter-se-ia mas a benefícios de outros, por isso há que surfar na crista da onda e aprovar a venda de mais uma raspadinha europeia, a Eurodreams, que vai trazer uma prometida subsistência mensal a muitos jovens crédulos, conseguindo assim o Estado arrecadar mais uns trocos aos pobres viciados e dependentes, isto é INFAME. Ana Jorge vai mais longe ainda...

Das lendas vivas - Madonna e a sua Celebration Tour

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  Assim que ouço muitas das suas canções sou capaz de começar logo a trauteá-las e menear os ombros num qualquer tímido passo de dança, ainda assim creio que tenho apenas uma música sua nas infindáveis horas das minhas listas Spotify, Live to Tell , não tenho muito o hábito de a ouvir, claro, ‘sabemos’ todos que não é uma cantora dona dos graves mais bonitos e de agudos lá nas alturas, e se falarmos dos seus dotes de atriz então ainda é pior a emenda que o soneto, mas a lendária e super icónica Madonna é das artistas que mais admiro, a verdadeira rainha da Pop, pela enorme performer que ela é mas também, sobretudo, por ser absolutamente inspiradora, uma miúda sonhadora e ambiciosa, ousada e provocadora, que quando chegou a Nova Iorque, no final dos anos 70, teve de namorar com rapazes que tinham chuveiro em casa para conseguir tomar banho, e que, marimbando-se sempre para as críticas, tornou-se numa voz planetária sempre a lutar pelos direitos humanos do lado certo da história, sempre ...

Das minhas músicas - O que é que há, Gal Costa

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Nas manhãs vagarosas de domingo, em que trastejamos sem tempo pela casa, há um ritual de que não abro mão de tão bem que me sabe, ouvir pela milionésima vez enquanto vou tomando o pequeno-almoço uma das três enormes rainhas da música brasileira a cantar este 'O que é que há' - serás sempre uma Rainha Gal.  

Das coisas bonitas - Mozart e os concertos na Gulbenkian

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  Terminar um dia ou uma semana de trabalho e ir assistir, ao início da noite, a um concerto de música clássica à Gulbenkian é um luxo e um enorme privilégio, mesmo que não chegássemos sequer a ouvir a música, toda a atmosfera envolvente já é um bálsamo para os sentidos, todos os rituais de todas aquelas pessoas das mais variadas tribos, sejam elas as octogenárias de capacete montado, sejam os trintões de botifarras com o capacete debaixo do braço, tudo ali respira civilização, bem ou mal vestidos chegamos a crer que não há no mundo quem cuspa para o chão, coce os tintins ou solte um catarro durante um concerto, ali não se sussurra nem se lê as mensagens do telemóvel, ali quando ao intervalo se come uma mini sanduíche de salmão com um copo de vinho branco sentimos uma indisfarçável joie de vivre . E quando começa a música então é a felicidade, no caso duas horas de puro êxtase, num silêncio imóvel, a ouvir o coro e a orquestra da Gulbenkian, com direção do maestro holandês Ton Koopman ...

Das peças de teatro de que eu gosto - Um Homem Inofensivo

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  ‘Um Homem Inofensivo’ é sobre um encontro fortuito e ambiguamente mal explicado entre dois homens que são o seu oposto, um gosta do silêncio e vive com o peso de um trauma, o outro gosta de música, é desencantado, vive bem com as suas falhas, é invejoso e vingativo, e tem sempre um revólver consigo, é uma peça sobre dois homens que se encontram na solidão urbana, a da vida apressada das cidades, e sobre a tensão que entre eles se cria, tensão que por vezes se transforma em atração e logo a seguir em tensão outra vez, sobre dois homens sós que conseguem encontrar empatia nas suas diferenças. Quando vemos uma peça não temos de perceber tudo, não precisamos que nos expliquem tudo, basta fruir o momento como aquele que no final vemos Renato a dançar sozinho ao som de David Bowie no seu apartamento, sem sabermos o que lhe vai acontecer a seguir, e neste texto somos deixados na dúvida permanentemente, mais do que naquilo que é dito encontramos estranheza naquilo que não nos é dito, no que ...

Dos filmes de que eu gosto - Maridos de John Cassavetes

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  Ando com vontade de conhecer melhor os filmes de Cassavetes e comecei com este improvável Maridos (Husbands, no original), o cartaz a preto e branco com três homens maduros e folgazões captou-me a atenção, o próprio Cassavetes, o seu ator fetiche Peter Falk e o Ben Gazzara (enche todas as cenas com a sua força magnética). Após a morte prematura de um amigo, estes três homens de meia-idade põem tudo em causa e resolvem deixar momentaneamente tudo para trás e desbundar sem destino nem travão - se Cassavetes tivesse filmado este Husbands nos dias de hoje já tinha sido cancelado e proscrito, não são tempos fáceis para ser politicamente incorreto e dizer as coisas erradas -, sendo as mulheres para estes machos nova-iorquinos do início dos anos 70 muito mais um objeto para os servir do que alguém para amar, mas a vulnerabilidade e as dúvidas destes três são suficientes para sermos solidários com eles na sua procura pela felicidade, agora que a morte os acossou. Grandes atores estes, que ca...

Dos ventos de Espanha - Pedro Sánchez e as democracias

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  Numa excelente entrevista à revista Visão, diz Martin Wolf, jornalista do Financial Times, que a democracia “ é o melhor sistema disponível, mas talvez não seja possível mantê-lo e acabe por ser um pequeno intervalo na longa história humana de autocracia, plutocracia e repressão, que tem sido a nossa forma de gerir sociedades ”, arriscando mesmo vaticinar que a possível reeleição de Trump seja o princípio das democracias tal como as conhecemos nas últimas décadas. Até eu, um otimista inveterado, partilho deste pessimismo de Wolf, não só pelas guerras que nos ameaçam a todos, emergentes ou latentes, mas sobretudo pelo fim do paradigma político e pela ganância de poder de quem nos governa ou quer governar. Antes governava quem ganhava as eleições, princípio basilar e fundador da democracia, hoje tudo isso já foi chutado para as calendas, governa quem tiver mais trunfos para vender aos deputados que dão votos, mesmo que estes sejam inimigos declarados da democracia, ou até mesmo, despud...