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A mostrar mensagens de abril, 2025

Dos filmes de que gosto - Vermiglio

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  Vermiglio, da realizadora italiana Maura Delpero, vencedor do leão de prata no último Festival de Veneza,  é um filme passado no final da segunda grande guerra numa aldeia perdida dos Alpes italianos, donde dificilmente se sai e aonde a vida de fora não chega, salvo um jovem desertor que um dia foi lá procurar um esconderijo e acabou por mexer na vida e nos costumes da aldeia. Tendo como ingredientes o isolamento e a religião, a simplicidade e o bucolismo de Vermiglio são de grande beleza, talvez lhe falte alguma chama mas é sem dúvida um belíssimo filme do realismo italiano, para ver sem pressas.  

Da atualidade - o meu chapéu a D. José Ornelas

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  Se em tempos o Burro Velho mostrou aqui a sua inquietação com D. José Ornelas, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a propósito da reação da Igreja aos casos de pedofilia, neste tempo de ressurreição, se preferirem de renascimento ou renovação, tenho de louvar com profunda satisfação as suas palavras numa entrevista que deu à Radio Renascença. “Quando ouvimos dizer ‘ America First’ (a América primeiro) é a mesma expressão de ‘ Deutschland uber alles’ (a Alemanha acima de tudo). É a mesma coisa, os outros todos passam para segundo plano e só têm lugar no mundo depois de nós”. “Para que nós tenhamos esperança e sejamos fundamentadores de esperança, é preciso que estejamos de pé. Não vale adormecer, não se pode adormecer neste momento”. E sobretudo, “ter esperança de que os agentes políticos e sociais aprofundem a procura pela justiça na integração dos imigrantes”. Num claro apelo ao voto nas próximas legislativas, e ao chamar as coisas como elas são, que a cartilha de Tr...

Das séries de que gosto - The White Lotus

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  Não deixa de ser estranho todo o hype gerado à volta da terceira temporada de The White Lotus, episódio a episódio os jornais e as redes sociais agitavam-se num escrutínio aguerrido, muitas vezes pejados de spoilers (“ alerta, hoje saiu novo episódio, não abrir o instagram até o conseguir ver” ), para cada um defender a sua temporada preferida, Hawai, Sicília ou Tailândia, uns a verem apenas uma feira de vaidades dos milionários em férias, outros a ver um retrato certeiro das cabeças atrofiadas de quem se deu bem na vida, se a melhor personagem foi ou não Jennifer Tanya Coolidge, se o instrumento viril de Jason Isaacs ou se os dentes de Aimee Lou Wood eram ou não próteses, se o final foi um anti-climax ou se podia ter tido menos um episódio, a media darling The White Lotus gerou mesmo um grande sururu à sua volta. Já eu, do que mais gostei foram todas as cenas com a família Ratliff, das três amigas e do doido Sam Rockwell, e ver como a tensão ia aumentando paulatinamente até chegar...

Dos filmes de que gostamos - Black Bag, de Steven Soderbergh

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  Black Bag é uma expressão inglesa que significa tudo aquilo que um espião não pode revelar na sua vida privada por ser ultra confidencial, segredos de espionagem, alçapão muito útil quando se quer dar uma facadinha no matrimónio, ou, sabe-se lá, até pode ser um empecilho quando a malta se quer portar bem. Black Bag é também o último filme de Steven Soderbergh, um belíssimo thriller de espionagem, inteligente e sofisticado, hora e meia de diálogos intensos, sem um segundo de palha, com toques de humor e alguma reflexão sobre relações e casamentos perfeitos, a mentira sempre no ar com ou sem detetor de mentiras, ah, e nem falta sequer um surpreendente twist no final, como é recomendável neste género de filmes. Blanchett e Fassbender são exímios, mas não estão sozinhos, Pierce Brosnan, Tom Burke, Marisa Abela, Naomie Watts e Regé-Jean Page, formidáveis. Muito bom. Bons filmes.  

Da atualidade - os rankings das escolas

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  Sempre que saem os rankings anuais das escolas, em função das notas dos exames nacionais, ouvem-se vozes a defender que a divulgação das listas não devia ser permitida, escamoteia muito trabalho escondido, que não é igual ensinar uma turma cujos jovens são todos filhos de pais licenciados, com um computador, secretária e quarto só para si, ou outra em que se sabe lá em que condições vivem, todos entendemos este tipo de argumentos perfeitamente. Os rankings não são certamente um retrato do que a escola é, nem um certificado do bom desempenho dos seus professores, são apenas uma fotografia de um ângulo específico, nem a ideia dos rankings é premiar o orgulho de ninguém nem servir como publicidade para os melhores colégios atraírem melhores alunos, tal acontecerá mas é algo acessório. O propósito destas listas é darem informação sobre a realidade, permitem sem sombra de dúvida aos decisores perceberem como melhorar o ensino, corrigir assimetrias e diminuir as iniquidades, e a partir do ...

Das séries que eu adoro - Adolescência

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  “ Se fosse comprar um telemóvel para o meu filho de 13 anos, a primeira coisa que lhe diria é: este telemóvel não é teu ”, citação de Álvaro Bilbao, conceituado neuropsicólogo espanhol com várias publicações sobre a temática das famílias e saúde. Não tenho memória de tanta unanimidade em torno de uma série, ADOLESCÊNCIA, minissérie de apenas quatro episódios, tem vindo a ser considerada por muitos como a melhor série do ano, porque muito provavelmente será mesmo a melhor série de 2025. Impõe-se falar da qualidade propriamente dita da série, e do seu impacto em quem a vê. Não sendo propriamente uma originalidade, cada um dos quatro episódios, com duração aproximada de uma hora, foi filmada em plano sequência, ou seja, em contínuo, sem interrupções, um pouco como se estivéssemos a assistir a uma peça de teatro, conseguindo assim que o espetador mergulhe para o meio daquelas personagens, estamos ali no meio deles, somos testemunhas ao vivo do que está a acontecer, um prodígio de realiza...