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A mostrar mensagens de julho, 2023

Das coisas bonitas - FIMM (II)

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  É uma bênção gostar-se apaixonadamente das coisas e o FIMM – Festival Internacional de Música de Marvão, de que gosto entusiasticamente, é igualmente uma bênção, até porque resulta duma história de amor. Há nove anos atrás, um casal de músicos de renome mundial, ele alemão (Christoph Poppen), ela suíça (Juliane Banse), apaixona-se por este magnífico interior de Portugal e decidem partilhar e dar a conhecer Marvão aos seus amigos músicos, espalhados pelo mundo, e, em troca, partilhar e darem a conhecer a sua música aos marvanenses, que dádiva tão grande. A isto juntou-se certamente o empenho das pessoas locais e nasceu este festival mágico, onde durante 10 dias passaram mais de 500 músicos a dar-nos ouvir, sobretudo, música clássica e lírica, mas também outras músicas do mundo como fado, jazz, grupos corais ou flamenco. Os espetáculos também acontecem em Castelo de Vide, Portalegre e Valência de Alcântara (Espanha), mas sobretudo nos lugares bonitos de Marvão, desde igrejas até ao int...

Tempo de Férias

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  Tempo de esquecer o relógio, a pressa e os compromissos, tempo de passear, viajar e conhecer, tempo de descansar e nada fazer, tempo de olhar para o céu e ver as noites estreladas, tempo de estar, só estar, tempo de apanhar sol e de mergulhar no mar, em rios, cascatas ou piscinas, tempo de subir montanhas ou atravessar planícies, tempo de natureza ou de agitação, tempo de praia, de campo e de cidade, tempo de sair à noite, de ir dançar e a bailaricos, tempo de concertos, tempo de ouvir muita música e de ler muito, tempo de churrascos e cozinhar e comer, tempo de estar à mesa, tempo de restaurantes, esplanadas e picnics, tempo de vinho branco bem fresco e de gins e mojitos com muito gelo, tempo de estar com as pessoas e esquecer as notícias, os écrans e o telemóvel, tempo de família e amigos, tempo de esquecer o Burro Velho, tempo de festa, tempo de paz, é tempo de férias e é esse o meu tempo agora. Boas férias para quem me acompanha!  

Dos livros e filmes que adoramos - A insustentável leveza do ser

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Agora com a sua morte, dei por mim a pensar aonde é que estarão os meus Kunderas, recordo-me bem de ter na estante ' O livro do riso e do esquecimento ' e ' A valsa do Adeus ' mas, entre tantas mudanças de casa, algures se perderam - na verdade nem sei se os li, não tenho memória -, mas fiquei cheio de vontade de reler ' A insustentável leveza do ser ' (a ver se ficou esquecido na casa materna), mas enquanto isso vou tentar rever o filme, que no caso, coisa rara, não ficou nada atrás do livro: realizado por Philip Kaufman, conta-nos a história de um jovem médico (o novíssimo e insondável Daniel Day Lewis) que se apaixona pela doce Tereza (a ainda mais novíssima Juliette Binoche), num triângulo com a magnética e ultra sedutora Lena Olin, que com o seu chapéu preto ficou gravado para sempre no nosso imaginário, tudo isto numa Checoslováquia dos anos 60 invadida pelas tropas (se a história não me falha) soviéticas. Que maravilha de filme. Fica o trailer para matar ...

Da atualidade - Jornada Mundial da Juventude

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  É quase senso comum gostarmos do Papa Francisco, mais ou menos conhecedores da sua obra e do seu legado - eu cá pouco sei, nunca li nada sobre as suas encíclicas Fratelli Tutti ou Laudato Si-,  todos temos simpatia pela sua persona pública e pelas grandes mensagens que vai passando. Mas também desconfiamos que Francisco tenha força para imprimir mudanças sérias numa Igreja fechada, ultraconservadora e pouco humanista. Foi publicada uma sondagem no passado mês de maio, que revela que 9 em cada 10 dos 30.000 franceses que vão participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, oriundos de famílias abastadas e politicamente conservadores (a maioria de direita, apenas 8% se consideram de esquerda), não sentem necessidade de mudanças na Igreja, 9 em cada 10 destes 30.000 jovens acham que a Igreja está bem assim (por exemplo 2/3 são contra a ordenação das mulheres e a maioria prefere a missa tridentina – googlem pf). As jornadas vão ser uma festa, vamos ter centenas de milhares de pessoas em ...

Dos filmes que vejo - O triângulo da tristeza

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  Quando o filme estreou em sala, apesar de vivamente recomendado por pessoas que costumam acertar naquilo que eu gosto, não quis ver, nada daquele buzzz à volta do filme me convencia, nem a Palma de Ouro consecutiva do realizador (Ruben Ostlund), nem as nomeações aos óscares. Agora que vi este ‘O triângulo da tristeza’ na TV, comecei por achar uma delícia, uma sátira divertidíssima a gozar com um conjunto de paradoxos da nossa sociedade, uma paródia a querer que pensássemos em coisas sérias, mas sempre com a gargalhada solta, cheguei a arrepender-me de não tê-lo visto em sala. Mas o filme arrastou-se, arrastou-se, ficou chato, sem piada, repetitivo, e acabei por dar graças por ter poupado o meu tempo e dinheiro e ter ficado em casa - com menos uma hora e a coisa fazia-se. Na TV Cine.

Dos documentários que vejo - House of Hammer

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  Armie Hammer era um ator promissor, desempenhou algumas personagens memoráveis ( Call me by your name ) e tudo apontava que fosse um astro em Hollywood, ainda por cima bonito, carismático e herdeiro de família multimilionária de Los Angeles. Armie Hammer é também uma pessoa feia e malformada, dispenso-me de mais qualificativos, de quem provavelmente, conhecidos os factos, não me apetece voltar a ver nos écrans. Mas fiquei muito ambivalente com este documentário, logo à partida com a existência deste mesmo documentário. Não será politicamente correto assumir a dúvida, Hammer é um fdp e descende duma família de fdps, mas será um abusador? Serão as vítimas verdadeiras vítimas ou umas jovens deslumbradas à procura de vingança e de prolongar os seus dias de fama? Hammer é um psicopata que violenta as suas presas femininas, escolhidas cerebralmente a dedo, ou é mais um sacana famoso e sedutor que nos seus flirts tenta viver as suas fantasias a roçar o extremo? As jovens alguma vez disseram...

Das lendas vivas - Annie Leibovitz

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  A criatividade, as poses, a elegância e o arrojo dos seus retratos, na maioria das vezes de celebridades, em revistas como a Vanity Fair, Vogue ou Rolling Stone, tornam cada fotografia sua uma verdadeira obra de arte, um prazer enorme. Rainha.  

Dos meus livros - O Quarto do Bebé, de Anabela Mota Ribeiro

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  Sempre fui algo ambivalente em relação à Anabela Mota Ribeiro, há muitos anos que acompanho o seu trabalho e se globalmente aprecio, logo a seguir embirro com ninharias, às vezes interrogava-me mesmo se era genuíno ou pose, se não havia ali nada de fake. Há uma clara similitude com a escrita de Annie Ernaux, de quem Anabela é devota e confessadamente admiradora, encontro em ambas a mesma forma de escrita e o mesmo propósito de escrita, o que para mim é um ótimo princípio sendo eu, também, um confesso entusiasta de Ernaux. Aos meus olhos ‘O Quarto do Bebé’ não é um livro feminista, é sem dúvida um livro de grande sensibilidade feminina e sobre a condição feminina, que dá um chuto na vergonha e na culpa e nos oferece uma autoficção totalmente despudorada da doença, da fragilidade, do corpo, das origens (comoveu-me particularmente sempre que Ester do Rio Arco fala da mãe), do privilégio, com uma linguagem muito simples mas que denota um gosto esmerado por escolher sempre a palavra certa...

Dos documentários que vejo - Wham

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  Para quem acha que o George Michael cantor é genial conhecer melhor o genial George Michael compositor, para quem gostava do lado festivo dos Wham, para quem aprecia histórias de amizade e estar atento a sinais de doença mental, mesmo que mascarados pelo sucesso e alegria, documentário muito interessante na Netflix.  

Dos filmes de que eu gosto - O Cafetã Azul

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  A música, as cores, a pele, o toque, o pudor, o desejo, as tajines, os tecidos, a dança, a doença, o cuidar, as tangerinas, as tâmaras, o islão, os chás, a nobreza, o sexo, a verdade, o olhar, os hammans , o amparo, a doença, a cicatriz, a mama, os cafetãs ( túnicas bordadas ), Marrocos, a morte, a despedida, a honra, os rituais, a sedução, a dignidade, a medina, os rostos, sempre sempre o amor. Na RTP Play.  

Dos meus livros - O Acontecimento, de Annie Ernaux

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  Sou grande entusiasta e leitor voraz de Annie Ernaux, apesar de espaçar intencionalmente cada novo livro (e se eles se leem num ápice) para prolongar o mais possível o entusiasmo de ainda ter muitos livros para descobrir. Reconhecemos logo a sua escrita, breve, sincopada, sôfrega, sem floreados, mas crua, certeira, desenvergonhada, dando-nos histórias autoficcionais onde discute sempre a condição feminina e nos oferece um retrato sociológico da França - e da Europa diria eu - pós grande guerra. Se o livro é memorável, o filme baseado na sua história e realizado em 2021 pela francesa Audrey Diwan não lhe fica atrás.  

De lhes tirar o chapéu - Torneio de Wimbledon

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  Os fãs do ténis apreciam especialmente a mística do torneio de Wimbledon, em Inglaterra, para o qual também contribui a elegância de ver todos os jogadores e jogadores equipados de branco mais branco não há, sem cores garridas nem publicidade que nos entra pelos olhos, um must. Pois bem, a tradição ainda é a tradição mas algumas têm de ser revistas, e a bem da saúde feminina e para eliminar o stress adicional que as tenistas possam sentir por estar a jogar com o período ( ai que estou a pensar mais em se tenho alguma mancha indesejada a dar nas vistas do que em como segurar a raquete ), foi-lhes permitido jogar com roupa interior escura – mas calma, isto não é obviamente à vontadinha, sem padrões e nunca mais comprida do que a saia. Muito bem.  

Das nossas artistas - Carla Maciel

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  Gosto de cinema e de teatro e tenho uma admiração imensa por muitas muitas atrizes, numa fração de segundo enunciava dezenas e dezenas que adoro de paixão, sendo que as minhas preferidas vão flutuando um pouco em função das últimas coisas que vou vendo. Entre as portuguesas talvez consiga eleger uma mão-cheia de preferidas, não sei bem, talvez duas mãos-cheias, mas há uma que me emociona sempre duma forma muito especial, chama-se Carla Maciel. Uma rainha. Está em cartaz com o filme Légua, ouçam o que vos digo , vão ver.  

Dos espetáculos de que gosto - O Filho

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  O dramaturgo francês Florian Zeller escreveu para teatro ‘O Pai’ e ‘O filho’, tendo inclusive realizado as duas adaptações ao cinema, onde foi mais bem-sucedido com a história dentro da cabeça do pai com alzheimer, com Anthony Hopkins a ganhar muito merecidamente o óscar para melhor ator e Olivia Colman a brilhar lá nas alturas. Temos agora ‘O filho’ em cena no Teatro Aberto, com uma encenação de João Lourenço muito próxima às sequências de um filme e com a ajuda de pequenos vídeos de 40 segundos em grandes écrans que vão pautando as mudanças de cenários, o que a par dos jogos de luz me pareceu muito bem conseguido, com um grupo de atores que, na minha opinião, merece apenas uma nota boa mas sem distinção (sou mega fã da Cleia Almeida que não estando de todo mal achei-a um pouco morna, gostei imenso do filho Rui Pedro Silva, a Sara Matos começou a irritar-me mas depois safou-se bem, o psiquiatra Paulo Oom muito credível e, Paulo Pires? Tem um cabelo que nos mata de inveja e não chega...

Da atualidade política - a fantochada da CPI à TAP

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  A Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP foi uma fantochada e perda de tempo, porque do que se conhece do relatório preliminar a senhora relatora ou é incompetente ou é um fantoche do seu partido, e seja por não ter cérebro ou por não ter coluna vertebral, a senhora relatora está a envergonhar os seus pares e a dar mais uma machada na confiança que os portugueses têm dos políticos.   

Sou só eu? – Amnistia Papal

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  O Governo aprovou, diga-se que com um consenso alargado na Assembleia da República, um perdão de penas e amnistia para jovens a propósito da visita papal. Estou-me nas tintas para se a proposta inicial fere o princípio constitucional que não se deve prejudicar (ou beneficiar) pessoas em função da sua idade, ou se um estado laico deve ou não associar-se à igreja maioritária no seu país, o meu problema começa antes, porquê uma amnistia? Se por exemplo as prisões estivessem sobrelotadas e fosse preciso reduzir o número de detidos para lhes assegurar a dignidade mínima, ou por questões sanitárias, isso seria outra conversa, mas não será o caso, então porque é que a propósito de uma visita, ou evento importante, se deve dizer às pessoas que afinal podem ser libertadas da prisão mais cedo, ou em casos de crimes menos graves afinal já não vão ser punidos pelas multas ou impostos que nunca pagaram, haverá alguém inteligente que me explique com muita paciência o porquê?

Da atualidade - smartphones em recinto escolar até ao 6º ano

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  No decurso duma petição que correu aí, veio o Bloco de Esquerda tentar – sem sucesso – uma iniciativa legislativa que proíbisse o uso de smartphones em recinto escolar às crianças do 1º ao 6º ano, ok, só no recreio escolar se insistirem que bom bom é as crianças aprenderem em tablets e computadores e não nos antiquados livros de papel (saudades do Papu ), ok, pelo menos para que se façam estudos e vejam as melhores práticas nesses países de vanguarda que tanto valorizamos, os nórdicos à cabeça (parece que na Suécia já se abandonaram os tablets e voltaram aos velhinhos manuais). Mas afinal a ideia das crianças terem ‘mais conversas cara a cara e menos ecrãs, mais brincadeiras e menos redes sociais, mais socialização e menos contacto com conteúdos impróprios para a sua idade e menor risco de cyberbullying ’ não é uma ideia que colhe por aí além, era o que faltava darmos agora em proibicionistas e não podermos mandar um whatsapp a perguntar ao menino e à menina se já fez xixi ou se ...

Da atualidade - Pedro Adão e Silva

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  Ao ver o Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, promovido ao núcleo duro do nosso Primeiro, dizer à revista VISÃO que os portugueses são mais sensatos do que os comentadores, só me ocorre aquela velha máxima: não cuspas no prato onde já comeste .  

Já dizem os antigos - Julho

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  Chuva de julho que não faça barulho  

Dos meus filmes - Légua

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  Pelo amor da santa, procurem uma sala de cinema (estreou em 12 cidades) e vão rapidamente ver LÉGUA, da dupla de realizadores Filipa Reis e João Miller Guerra. Nesta história de três gerações de mulheres do norte de Portugal, de mulheres fortes que sabem decidir por si, inspirada em pessoas e lugares reais, precisamente em Légua, a meio do caminho entre o Marco de Canavezes e Amarante, cruzam-se muitas histórias e muitas camadas, histórias de cuidar, de abnegação, da forma muito honrada de ser e sentir das gentes nortenhas, da dignidade do trabalho, sempre histórias de amor. É um filme de solidariedade e camaradagem, de respeitar o vagar da natureza e o tempo da vida, é um filme de pureza, onde as coisas são simples, são o que são, sem mágoas e revoltas, com alegria até, mas sempre com uma tristeza entranhada, funda, mas daquela tristeza que não nos consome. Légua também é um finíssimo retrato sociológico, duma naturalidade, dum respeito imenso por aquelas pessoas – os atores são pra...