Dos filmes que gosto - Os Domingos

 


Só soube do palmarés do filme da realizadora basca Alauda Ruiz de Azúa – Os Domingos – depois de o ter visto, vencedor de 6 Goyas (melhor filme, realizador, atrizes e argumento), da concha de ouro do Festival de Cinema de San Sebastian e um grande sucesso comercial em Espanha, com mais de 700.000 espetadores, e de facto em nada me surpreendeu, Os Domingos é um dos melhores filmes do ano.

Salvaguardadas as distâncias e as diferenças, nós que estamos sempre prontos a criticar o fervor religioso, que muitas vezes conduzem a extremos, nunca esperamos que essa consagração a Deus nos bata à porta, e, de repente, num almoço de domingo de uma família católica da classe média de Bilbao, uma jovem menina anuncia à mesa que está a pensar entrar para um convento, mais do que isso, para um convento de freiras em clausura.

Estará uma família preparada para entregar um dos seus a Deus, será que o respeito pela decisão de alguém que amamos é mais forte do que a necessidade de o termos por perto? Será que o dogma da fé é uma bênção que a todos unge?

Os Domingos é um filme absolutamente extraordinário, com um conjunto de atores em estado de graça que nos convidam a estarmos à mesa com eles dada a naturalidade com que vestem aquelas personagens, e nós, se estivéssemos na pele daquela tia faríamos diferente? E na do pai que nos deixa na dúvida se se demite ou se apenas apoia a filha como qualquer pai o deve fazer? E das jovens Ainaras que se apaixonam por Deus ou simplesmente fogem do que as deixa tristes cá fora?

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