Das séries que adoro - Industry (4.ª temporada)
A quarta temporada de Industry atingiu o máximo em tudo – sexo, amoralidade, maldade -, mas não desilude, já não é mais uma crónica juvenil de recém-graduados ambiciosos à procura de um lugar dourado, mas sim um drama impiedoso, sem anestesia, sobre um capitalismo selvagem, onde os adultos são aquilo que desejam ser, ricos a esbanjarem ostentação em hotéis e salas de reuniões, sem escrúpulos, sem ética, sem regras, sem olhar a quê.
Industry leva-nos de mão dada pela aristocracia da
alta-finança londrina, de forma até um pouco voyeurística, pelo mundo implacável
dos plutocratas que misturam política, negócios e imprensa, sempre com um único
objetivo, ganhar poder e dinheiro, neste mundo tão atual em que tudo é uma
transação, verdadeiros predadores à conquista do seu território para quem tudo
se resume a um jogo de soma zero (o ganho de uns é a perda de outros).
Tudo se passa a alta velocidade, com muita adrenalina e um
jargão tão financeiro que não é fácil ao espetador comum acompanhar, vendas a
descoberto, ordens de compra, fundos privados, fintechs, mas não faz mal
nenhum, não importa perceber porque é que a Pierpoint fechou ou como é que a
máfia russa está envolvida no estouro da Tender, tudo isso é acessório neste
tratado de como a ambição pode ser tão corrosiva.
Todas as personagens são interessantes, mas tudo se resume a
Yasmin e a Harper, que venderam os seus últimos resquícios de humanidade por
uma fortuna, uma por um fundo bilionário, a outra por um casamento com a
nobreza, ambas já se traíram tantas vezes e já se fizeram tanto mal, que
qualquer reconciliação entre elas deveria ser impossível, mas no fundo só se
têm uma à outra, com mais ninguém podem deixar cair a máscara e ser quem são,
só elas se compreendem, e no último episódio, em que a derrocada moral de uma é
total, a outra se vê impelida a afastar, e essa rutura é por redenção da alma ou
por mera estratégia?
Este mundo dos muito, muito ricos não é acessível ao comum
mortal, mas a discussão moral deste mundo de deboche é fascinante, tudo isto
embrulhado com muito glamour britânico - em pulgas para a quinta e última
temporada, isto é do melhor que há.
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