Do teatro que adoro - Veneno, História de Um Casamento, de Lot Vekemans por João Lourenço e Vera San Payo de Lemos
Um casal perde uma criança, não consegue superar o luto, ele
sai de casa numa noite de passagem de ano, ela não o tenta impedir, reencontram-se
10 anos depois no cemitério onde o filho foi enterrado para lamberem as cicatrizes
dos traumas, da morte do filho e do fim do casamento.
Se vive perto de Lisboa e aprecia um teatro que o dilacera e
lhe revolve as entranhas, não perca, vá ao Teatro Aberto, mas se já teve o
infortúnio de ter perdido um filho, a dor maior, então talvez não seja boa
ideia fazê-lo.
Veneno – História de Um Casamento, de João Lourenço e
Vera San Payo de Lemos a partir de um texto da holandesa Lot Vekemans, é uma
peça fortíssima, que nos deixa desamparados entre o incómodo e a compaixão, com
picos de grande tensão psicológica e com momentos de enorme ternura e
sensibilidade, como aquele em que se vislumbra a imagem do filho numa janela
fustigada pela chuva, as luzes apagam-se e apenas vemos o vulto da Carla Maciel
na contraluz do luar, muito bonito, Veneno deixa-nos tão vulneráveis que
no fim quase não temos forças para ovacionarmos de pé.
Os atores Carla Maciel e Gonçalo Waddington são também um
casal fora dos palcos.
Reconheço em mim alguma conflitualidade em relação ao
trabalho de Waddington, tenho-lhe franca simpatia, por vezes não me convence
plenamente, porém bastou-me uma cena em específico desta peça para desvanecer
todas as dúvidas que eu ainda pudesse ter, que belo ator.
Aqui o Burro Velho já falou por várias vezes da admiração
que sinto pela Carla Maciel, em Portugal temos excelentes atrizes, assim de
repente ocorre-me desde logo a Rita Cabaço, a Sandra Faleiro, a Lúcia Moniz ou
a Isabel Abreu, mas não há nada a fazer, eu tenho mesmo um crush pela
Carla Maciel, rainha.
Bravo!
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