Do teatro que vejo - Brokeback Mountain, por Daniel Gorjão

 



Brokeback Mountain, encenação de Daniel Gorjão para o Teatro da Trindade a partir de um conto dos anos 90 de Annie Proulx, é a história de amores impossíveis vividos fora do tempo, quando o preço a pagar para viver o amor e o desejo é mais alto do que a vida, quando o medo e a solidão levam a dianteira, amores que não tiveram a sorte de serem vividos noutro momento ou noutro local.

As comparações são tramadas, e a meu ver esta peça não tem a força do filme homónimo de Ang Lee de 2005 – a minha geração não esqueceu os desempenhos de Heath Ledger e de Jake Gyllenhall, ao som da banda sonora de Gustavo Santaolalla -, a encenação não surpreendeu, demorou um pouco a agarrar o espetador e até compreendo quem tivesse achado ser uma apresentação de uma qualquer escola de teatro, ainda assim gostei, o texto é muito bom e foi bem servido pela dupla de protagonistas, que eu desconhecia, Duarte Melo e Rui Pedro Silva.

Em cena durante sete semanas em Lisboa, todas as sessões esgotadas, os meus bilhetes foram comprados com seis meses de antecedência, não é fácil para um espetador pouco disciplinado conseguir ver teatro em Lisboa, se nos distraímos os bilhetes já voaram, mas é muito bom ver os teatros cheios.

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