Dos filmes de que gostamos - Jay Kelly, de Noah Baumbach

Jay Kelly, de Noah Baumbach, é muitas coisas juntas no mesmo filme, é uma espécie de homenagem ao cinema e às grandes estrelas de Hollywood, mas é também uma reflexão sobre se vale a pena ser palerma nesta vida, porque a solidão, mesmo daqueles que andam sempre com um batalhão de pessoas atrás, é… tramada.
O retrato intimista de um astro do cinema que parece arrependido de toda a vida ter sido um sacana, alguém que é conhecido no mundo inteiro mas que ninguém o conhece a si, nem ele próprio, o culto da personalidade e a fama efémera, o humor melancólico meio apatetado, o lado mais onírico e infantil do filme, a forma como o filme saltita entre um lado mais sério com um lado mais divertido, uma espécie de toca e foge sem nunca desenvolver nada com muita profundidade, admito, mas para mim o filme é muito bem conseguido, de uma grande ternura.
Se George Clooney parece estar a fazer de si próprio, um galã à moda de Gary Cooper, se calhar o último dos grandes galãs do cinema, o número de grandes atores notáveis a aparecer no ecrã é impressionante, logo a começar pela Laura Dern, que está muito bem, até Emily Mortimer (também argumentista), Greta Gerwig (mulher do realizador), Alba Rohrwacher, Billy Crudup, Jim Broadbent, Patrick Wilson, Eve Hewson, etc etc, mas, a meu ver, a aura fofinha do filme está toda sustentada no agente, e amigo, Adam Sandler, talvez a sua melhor performance de sempre - é com alguma injustiça que prevejo que vá falhar a nomeação a Óscar de melhor ator secundário.
Que bela forma de acabar o ano cinematográfico.
Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.
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