Dos filmes de que gostamos - Lavagante, de Mário Barroso

Gostei muito de muitas coisas no Lavagante de Mário Barroso, gostei menos de outras, mas depois já gostei mais das coisas de que tinha gostado menos, e no fim já não sei bem se não gostei de facto de alguma coisa, o que eu sei é que Lavagante é um filme português que merece muito ser visto.
O tom excessivamente melancólico, um pouco lento, de Francisco Froes e de Nuno Lopes foi o que me suscitou mais dúvidas, mas depois até me fez sentido naquelas personagens tão nostálgicas e vulneráveis, num retrato histórico tão bem conseguido dos anos de mordaça, de vigilância, de perseguição e de tortura.
O argumento, de António Pedro Vasconcelos a partir de uma novela de José Cardoso Pires, é muito rico, com camadas muito profundas, onde nem tudo o que parece é, mas ao belíssimo texto – que bonita a metáfora do lavagante e do safio - o realizador junta a sua própria fotografia, esplendorosa, a preto e branco, e a música de Mário Laginha.
Se tudo isto já é francamente bom, falta o melhor, uma atriz de seu nome Júlia Palha, que arraso, qual Sofia Loren ou Claudia Cardinale, uma torrente de sensualidade, subtileza e provocação, uma interpretação memorável.
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