Dos espetáculos de que gosto – Rita Cabaço em Coelho Branco, Coelho Vermelho, de Nassim Soleimanpour

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Coelho Branco, Coelho Vermelho não tem encenador, nem ensaios, tem um texto fechado num envelope que é entregue a um ator já em cima do palco, que o abre em frente ao espetador e o interpreta consoante a sua sensibilidade, capacidade de improvisação e reação do público sentado na plateia, por isso esta peça, representada tantas e tantas vezes por esse mundo fora, por tantos atores consagrados, é sempre uma experiência única.


Em 2010, Nassim Soleimanpour, com cerca de 30 anos, vivia isolado em Teerão e impedido de sair do Irão, por se ter recusado a cumprir o serviço militar, escreveu esta peça na esperança de assim se conectar com o mundo, na esperança que eventuais espetadores entrassem em contacto consigo, via email, dizendo-lhe um simples olá, talvez assim se sentisse um pouco menos sozinho no seu caminho.


Coelho Branco, Coelho Vermelho não é propriamente um texto político, mas reflete um regime autoritarista e o preço a pagar por quem lhe desobedece, tendo por isso alguns momentos mais densos, mas adquire um tom predominantemente divertido fruto das cenas inusitadas pela interpelação do público, eu dei várias gargalhadas de bom rir.


Pelo Teatro Maria Matos têm passado, e continuarão a passar, excelentes atores, eu escolhi a sessão com a Rita Cabaço, rendido que ando com o seu toque de Midas, tudo em que toca é genial, e não tendo sido uma noite arrebatadora, foi sem dúvida uma noite de excelência.


(A segunda temporada continua em cartaz no Teatro Maria Matos até 17 de dezembro)


 

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