Dos espetáculos de que gosto – Nôt, de Marlene Monteiro Freitas

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Depois de ter dividido a plateia no Festival de Avignon, entre vaias e aplausos, o espetáculo Nôt, da coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, teve uma reação mais entusiástica na Culturgest em Lisboa, o público gostou muito, e eu também.


Nôt significa noite em crioulo, e not significa não em inglês, a negação, o contrário, a antítese, e sinceramente agarrou-me o lado mais sombrio, violento, sanguíneo, o lado do pesadelo, quando foi mais para o lado do sonho, perdi-me um pouco, tenho alguma dificuldade em me conectar com o que é aleatório, quando parece que é ao calhas, é assim mas podia ser assado, e nalguns movimentos senti isso, mas foram apenas breves momentos onde não evitei um bocejo, logo a seguir voltei a ser agarrado por aquela dança de alta-voltagem.


Antes disso já me tinha aborrecido logo no início, brincar com xixi e cocó durante tanto tempo, para mim, não tem piada, é poucochinho, mas não sei se a ideia era divertir, se não seria antes provocar para de seguida nos surpreender desprevenidos.


Nôt é uma dança radical, livre, uma experiência visual e sonora excessiva, gostei muito.


Lisboa na vanguarda. A peça vai estar também no Teatro Municipal do Porto.


 

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