Dos espetáculos que adoro - O Salvado, de Olga Roriz

Muitos muitos anos antes de ter tido oportunidade de ver um espetáculo dançado ou coreografado pela Olga Roriz, já eu devorava tudo o que eram entrevistas ou reportagens sobre a bailarina, naquele tempo distante em que poder vê-la era algo inalcançável, mas hoje Olga Roriz está a festejar 70 anos de vida e 50 de carreira e eu já tive o privilégio de ver alguns dos seus espetáculos.
O Salvado é um solo intimista onde Roriz dança aquilo que quer dançar e que o seu corpo deixa dançar, onde brinca com as palavras e com a voz, e que voz tão bonita para dizer palavras tão bonitas, onde nos mostra um corpo forte e vulnerável, onde convoca o público para o seu humor, onde não deixa de ser uma bailarina engajada com o seu entorno e nos exorta para os perigos dos nossos dias, “… a caça hoje é para os homens com menos de 45 anos…”, mas desiluda-se quem quer ver um espetáculo coerente onde se percebe tudo direitinho, pelo menos para mim as suas coreografias não funcionam assim, para mim são fragmentos onde vamos sentindo coisas, são fragmentos de beleza, de exaltação, de comoção, de aperto, de qualquer coisa que nos faça sentir.
Gostei de todo o espetáculo, mas aquela última cena em que vemos Olga Roriz a dançar sentada numa cadeira giratória ao som de Spiegel im Spiegel, de Arvo Part, é algo que vai perdurar em mim por muito tempo, que beleza inaudita.
Ainda em cena no Teatro São Luiz (presumo que esgotadíssimo), mas ainda vai andar por várias salas do país.
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