Dos filmes que vejo - A Substancia, de Coralie Fargeat

Screenshot_20241203_140101_IMDb.jpg


 


A Substancia, prémio de melhor argumento em Cannes, não é o meu tipo de filme, admito, fui ver para poder apreciar todas as discussões que o filme tem suscitado, um filme de horror, mais de ficção científica do que de terror, audaz, repugnante, delirante, muito visual, durante mais de uma hora mantive-me preso ao écran, depois comecei a entediar-me, mais do mesmo, mais do mesmo, mais sangue, mais entranhas, mais vísceras, acabei em sofrimento, mortinho por o filme acabar e sair da sala, mas não é um mau filme, pelo contrário, até achei um bom filme e não tenho muitas dúvidas que os fãs de filmes de horror vão adorar.


A história assenta num tema interessante, a importância do protótipo da mulher jovem e bonita para conseguir singrar no mundo, nomeadamente em Hollywood, e os excessos em que algumas mulheres caiem para adiarem sine die a chegada dos primeiros sinais da velhice, sobre as mulheres que se despedem de si mesmas para passarem a ser bonecos sem alma, sempre interessante esta reflexão, do envelhecimento, da objetificação do corpo, sendo ainda mais interessante pensar que a protagonista do filme, Demi Moore, ela própria também encarna esse protótipo, a da mulher que tudo faz para se manter sempre jovem, não será difícil acreditar que se a solução milagrosa do filme existisse mesmo, a própria Moore era bem capaz de querer tomar aquela mistela, interessante.


Num filme que quer combater a ideia da mulher objeto, é curioso perceber que os corpos de ambas as atrizes são despudoradamente um objeto em exibição, não fosse a realizadora, Coralie Fargeat, uma mulher, e o mundo cairia em cima do realizador-homem que tivesse usado e abusado desta forma o corpo da mulher, curioso, mas sendo uma realizadora-mulher essa discussão não se coloca, e ainda bem.


Demi Moore convence, a sua vulnerabilidade despojada e o terror que vai sentido são muito credíveis, o filme é todo ele muito credível, mas parece-me excessivo quando é apontada como candidata à nomeação de melhor atriz, penso que não vai conseguir, Margaret Qualley na sua ingenuidade provocadora é sublime, foi quem mais me prendeu o olhar, sou fã, e o misógino Dennis Quaid é tão mas tão repelente porque é excelente na sua interpretação, portanto, um bom princípio de história, atores perfeitamente encaixados nas personagens, uma estética e efeitos visuais muito bem conseguidos, berrantes, delirantes, mas algures acho que o filme perdeu o pé, de tão excessivo quis mais e mais e na minha opinião não soube parar, não fosse durar tanto tempo e talvez eu tivesse gostado do filme, pena não ter gostado, que sofrimento.


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Das séries que adoro - Industry (4.ª temporada)

Do génio de Rosalía e da estupidez de Timothée Chalamet

Dos filmes que vemos - Young Hearts: O Primeiro Amor