Dos filmes que adoramos - Mais Do Que Nunca, de Emily Atef

Mais Do Que Nunca, Plus Que Jamais no original, filme da realizadora franco-iraniana nascida na Alemanha, Emily Atef, é um filme dolorosamente triste, não sendo de todo lamechas e poupando-nos à crueldade explícita da morte, sobre como a aceitar e saber viver os últimos dias que nos restam, a dor do doente que tem de enfrentar a compaixão de quem o rodeia, a necessidade que Hélène tem de partir sozinha para bem longe para se conectar à natureza e não ser apenas uma pessoa condenada, e o sofrimento de quem a ama e não sabe como lidar com isso, que se sente rejeitado e impossibilitado de poder ajudar, de dar a mão, de aproveitar todos os minutos que ainda lhes restam juntos, bem-aventurados aqueles que não se revoltam com o fim anunciado e concentram a sua energia em serem donos do seu próprio destino, procurando uma espécie de libertação, vivendo.
Como é dito algures, os vivos nunca entendem os moribundos, duro, mas entre a força de quem parte e o amor de quem deixa partir, Mais Do Que Nunca é também de um romantismo trágico deveras comovente, Krieps e Ulliel ficarão para sempre na história do cinema.
Vicky Krieps, a fabulosa atriz luxemburguesa que brilhou ao lado de Daniel Day-Lewis na obra-prima que é Linha Fantasma, é absolutamente fulgurante e magnética nesta Hélène vulnerável e plena de determinação, de uma intimidade naturalista quase visceral, acompanhada por um memorável Gaspard Ulliel, e de facto o tom de Mais Do Que Nunca é de tragédia, quando vemos no final a personagem de Ulliel partir estamos a ver Ulliel despedir-se, ele sim, da vida, foi a última cena que filmou, Gaspard Ulliel morreu ainda antes do filme se estrear nas salas de cinema, num acidente de esqui com 37 anos, ironicamente trágico.
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