Dos filmes de que gosto - Emilia Perez, de Jacques Audiard

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Pode não ser um grande filme dramático, mas é inquestionavelmente um filme grandioso. É também um grande musical, numa história falada em espanhol de crime e redenção com muita pancadaria pelo meio.


Jacques Audiard, o realizador e argumentista francês, costuma oferecer-nos filmes em que as personagens atingem maior profundidade dramática, por exemplo Dheepan ou Ferrugem e Osso, em Emilia Perez não há tempo suficiente para dar corpo às personagens, as peripécias de Manitas del Monte, o chefe de um cartel mexicano, e as exigências de um musical assim não permitiram, mas temos uma história contada com muita criatividade, com canções e coreografias muito bem conseguidas, em que um conjunto de mulheres consegue a proeza de converter uma temática de machos num filme feminino, aqui são as mulheres que imperam, nesta história de metamorfoses e transformações em que o bem vive de mão dada com o mal.


Cannes atribuiu, merecidamente e de forma inédita, o prémio de melhor interpretação feminina não a uma atriz, mas a três, Zoe Saldana, Karla Sofia Gascón e Selena Gomez, estas três são uma torrente de energia, sedução, ternura e vingança, juntas elas são o filme.


Muito me apraz ver o reconhecimento e a consagração unânime de Karla Sofia Gascón, fixem o nome, atriz trans num papelaço, mas parece-me que talvez seja um pouco excessivo a quase certa nomeação ao Óscar, das três quem se destaca na minha opinão é a subtil e versátil Zoe Saldana.


Emilia Perez não será dos meus filmes favoritos do ano, nem um grande filme dramático, mas é um grande filme, merece o sucesso.


 

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