Dos meus livros - Baumgartner, de Paul Auster

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Nunca antes tinha lido Paul Auster, uma escolha sempre adiada agora precipitada com a sua morte recente, e de forma algo inusitada, ao invés de começar com os seus clássicos mais antigos e acompanhar a sua evolução, estreei-me com a sua mais recente obra, ‘Baumgartner’, e quase que aposto que este seu último livro pouco terá a ver com o Paul Auster por todos conhecido, o que, hélas, me vai obrigar a voltar a si mais vezes.


Em ‘Baumgartner’ vemos uma escrita pouco arrumada, quase caótica, recordando histórias desconexas entre si e que não pretendem chegar propriamente a lado nenhum, apenas dar voz a uma memória que saltita entre tantas memórias do passado, numa escrita escorreita, que sabe construir no leitor personagens riquíssimas, sem as descrever consegue em meia dúzia de linhas que nos pareçam já familiares, e no meio das maiores banalidades leva-nos de forma descomplicada a questões mais metafísicas ou filosóficas, qual o meu papel no mundo, qual o meu contributo para a sociedade, até quando me é permitido sonhar, tudo isto atravessado pelo envelhecimento e solidão, temas que naturalmente deviam ser muito caros a Auster quando escreveu este livro.


A vida e a escrita têm as suas ironias, o fim de ‘Baumgartner’ deixa-nos em suspenso a sonhar com o que aí virá, provavelmente contado num novo livro, livro esse que nunca foi escrito porque a doença de Auster tramou-o, ou se calhar foi essa mesma doença que deixou o final em aberto, para deixar ST Baumgartner e o próprio Auster voarem para aonde quiserem.


Poderá não ser o melhor Auster e não é um livro que nos desassossega e arrebata, mas é belíssimo livro que sem dúvida me irá fazer regressar muitas vezes a Paul Auster.


 

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