Dos concertos de que gosto - Sílvia Pérez Cruz

Sílvia Pérez Cruz é absolutamente genial, é verdadeiramente uma das maiores, e mesmo com o som sofrível do Teatro Tivoli, por momentos feriu mesmo o ouvido, ofereceu-nos um concerto absolutamente memorável, para além de cantar que eu sei lá, para além daquela voz que nos aperta com a tristeza vulnerável numa só nota ou nos contagia com a alegria festiva daquele vozeirão, chiquita sin festivals - que é uma fora-de-série a cantar já o sabíamos, já o sabia -, mas aquele sorriso gigante logo no início marcou todo o concerto, dúvidas houvessem e estávamos logo ali rendidos, mesmo sem abrir a boca, que ser de luz, e canção a canção foi-nos sempre envolvendo com a sua partilha e generosidade, desde coisas mais íntimas como a sua costela em Regengos de Monsaraz ou os seus poetas, como à forma que nos convoca para a necessidade de sabermos dizer ayúdame, ou que temos de cuidar da cultura indo ver ao vivo as coisas de que gostamos, saindo de casa e alimentando a cultura, ou ainda como quando alguém do público algures lembra a Palestina e ela saca logo de uma canção para lembrar quem sofre, foi tudo muito bonito, só uma enorme artista consegue aquela comunhão tão especial de toda uma plateia erguida no final. E canta como os diabos, minha nossa senhora.
Ainda vai dar mais três concertos, Lisboa, Coimbra e Porto, se puderem não percam, que benção!
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