Dos filmes que amamos - Challengers, de Luca Guadagnino

O italiano Luca Guadagnino realizou dois dos meus filmes favoritos de sempre, ‘Io sono l’amore’ e ‘Call me by your name’, entre outros títulos todos eles também muito bons.
Zendaya, o novo ícone de Hollywood e a rainha das passadeiras vermelhas, não tem tido, ou não tem sabido escolher, grandes papéis no cinema, mas bastou-me vê-la em ‘Malcolm & Marie’ para ter a certeza que ia ser uma das estrelas maiores da sétima arte.
Josh O’Connor é, para mim e a par de Paul Mescal, o mais entusiasmante ator da sua geração.
O argumentista Justin Kuritzkes era-me um perfeito desconhecido, mas sendo ele a inspiração de uma das personagens do trio de ‘Past Lives’, realizado pela sua mulher Celine Song, só podia ser bom.
Adoro ténis.
Feito este introito, fica claro que a fasquia das minhas expetativas para este CHALLENGERS estava a um nível lá bem nas alturas.
A sessão a que assisti estava razoavelmente cheia, uma sala heterogénea com pessoas de todas as idades, com muitas senhoras de idade avançada, mas também com muitos adolescentes, talvez atraídos pelo chamariz do filme desportivo - precisamente o mesmo que deve estar a afastar muito boa gente deste filme, oh, é mais um filme de uns mafarricos a bater umas bolas com uma raquete -, e o meu pensamento foi, esta rapaziada vem ao engano, eles não vão perceber a grande densidade deste argumento, porque dificilmente aos 18 anos já viveste histórias de amor torrenciais que te obrigaram a fazer escolhas difíceis, a velha história, a velha dúvida, queremos um amor que não nos dá descanso mas que chispa faísca por todo o lado, ou alguém ao nosso lado que nos ama e é feliz ao nos amar sem nada exigir.
Mas decerto que me enganei, para além de um triângulo amoroso complexo, feroz, quase a roçar o tóxico sem nunca chegar a ser perverso, que transborda desejo, rivalidade e competição, que se joga todo em todos os pontos jogados num encontro de ténis, que avançando e recuando na história nos liga à eletricidade, que nos energiza até ao match point, até sabermos se vence a serenidade ou a montanha russa, ou talvez não, estivemos sempre agarrados à alta voltagem das batidas das bolas, da estopada do som sempre que a raquete acertava na bola, das bolas que vinham a queimar na nossa direção e que nos faziam desviar na cadeira, mais não fosse e aqueles jovens que possam ter ido atrás de um filme de desporto viram grandes e frenéticas sequências de ténis, e, cereja em cima do bolo, a fantástica banda sonora techno de Trent Reznor & Atticus Ross, aumentando assim ainda mais a potência deste Challengers, um misto de melodrama intimista com a tensão de uma final do US Open (no caso um challenger) e o ritmo batido de uma discoteca.
A dupla de atores masculinos é incrível, o Mike Faist aguenta-se lindamente ao lado do bestial Josh O’Connor, de uma subtileza sem igual, mas se Luca Guadagnino já tinha feito de Thimotée Chalamet uma estrela, agora pôs Zendaya lá nos píncaros, a força com que agarra todas as cenas, a fome com que a câmara está sempre à procura dela, inesquecível.
A fasquia estava alta? Estava, mas foi largamente superada, um dos melhores filmes do ano.
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