Da atualidade política - os sem-abrigo e a autarquia de Lisboa

Viver na grande cidade embrutece-nos, aos poucos vamos interiorizando uma enorme apatia para com as pessoas que nos rodeiam, algo que felizmente nas terras pequenas ainda não acontece, ali o próximo ainda é um ser humano que nos convoca alguma humanidade.
A forma como percorremos as ruas de Lisboa e nem um olhar desviamos para os muito sem-abrigo com quem nos cruzamos é algo absolutamente perturbante, mas deixando esta matéria à consciência de cada um - descer, por exemplo, a avenida Almirante Reis e perdermo-nos na igreja dos Anjos é, e senão é devia ser, traumático - é importante dizer que este flagelo deve ser um imperativo nacional.
Dizem as notícias que se estima que atualmente haja em Lisboa cerca de 3.000 pessoas sem-abrigo, 300 das quais a viver mesmo na rua, número que eu diria estar subavaliado, a minha impressão é que o número de pessoas a dormir nas ruas é superior.
É por isso que eu aplaudo a iniciativa de Carlos Moedas de tentar interpelar o Governo, a Presidência da República e as outras autarquias da Área Metropolitana de Lisboa para tentarem arranjar uma solução conjunta, construindo centros de acolhimento que possam dar um teto a todas as estas pessoas, este de facto deve ser um desígnio nacional e não apenas um problema da cidade de Lisboa.
Ah, sendo eu residente em Arroios, o centro nevrálgico dos imigrantes sem-abrigo da capital, por se concentrarem aqui vários serviços aonde tratam das suas papeladas, posso dizer-vos nunca vivi nenhum sentimento de insegurança ou testemunhei qualquer desacato associados a estas gentes esquecidas.
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