Da falta de vergonha – Estádio Municipal de Braga e outros que tais

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O estádio municipal de Braga construído por ocasião do Euro 2004 custou 200 milhões de euros e a proprietária do espaço (câmara municipal) apresta-se a vendê-lo, por um valor que o autarca estima não inferior a 15 milhões de euros, coisa pouca a menos-valia.


Se a situação não fosse trágica dava vontade de rir quando vemos o presidente da Câmara dizer ‘que se está a fazer uma avaliação formal daquilo que poderá ser o valor pelo qual o estádio poderá ser alienado’, vamos ser francos meus senhores, o estádio vale zero, é um ativo tóxico, a ‘Pedreira’ tem um valor negativo porque não tem qualquer utilidade e exige avultadas despesas de manutenção, apenas tem valor para o principal clube da cidade e por isso o estádio será vendido pelo valor que os donos do clube (endinheirados por sinal) quiserem, qual avaliação qual carapuça.


Mesmo que o clube assuma algumas despesas de manutenção, admito que suporte gastos como a eletricidade ou manutenção dos relvados, é amoral saber que a renda paga pela utilização do estádio é de 500 euros (!!), mas o mal está feito e é entendível que a Câmara se queira ver livre do mono, ali tudo é prejuízo, mas não podemos deixar cair em esquecimento quem fez esta gestão dos dinheiros públicos, não podemos deixar cair no esquecimento quem eram os responsáveis políticos à época e não podemos deixar de questionar porque é que estas decisões megalómanas e criminosas foram impunemente tomadas (vou-me poupar a tecer considerações que me obrigariam a escrever a palavra alegadamente), referindo aqui o caso de Braga mas a realidade não será muito diferente noutras cidades como Aveiro ou Leiria.


Noutro patamar, note-se, mas também não isento de alguma responsabilidade moral desta sem vergonhice o arquiteto Souto Moura, que muito aprecio e admiro, cujo prestígio e rol de prémios aumentou à custa deste projeto mas, ao desenhar o ângulo xpto da curvatura dos cabos de suspensão, ao exigir os materiais de excelência para as casas-de-banho ou muitas outras características que fizeram o projeto tão memorável, não soube pensar no que é o bem público e a sua fruição, na minha opinião essa também seria a sua função e podia ter feito melhor.


Avivemos portanto esta memória e que nos agigantemos todos, num grande clamor nacional, se o Mundial de futebol que se anunciou para 2030 não se limite à rentabilização de estádios já construídos, que haja uma revolta nacional se houver mais investimento público na reconstrução dos estádios do Mundial 2030.


 

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