Dos cruzeiros em Lisboa

 


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Nunca compreendi o entusiasmo à volta da indústria dos cruzeiros em Lisboa, nem o investimento feito no novo terminal de passageiros de Santa Apolónia (por acaso a obra do Carrilho da Graça não me choca por aí além), que orgulho sermos um dos portos marítimos mais concorridos a nível europeu, que bom que todos querem vir, que prestígio.


Não consigo ver as coisas assim, não me parece que o turismo que atrai seja o mais interessante para a cidade, o turista do Tuk Tuk, que permanece apenas meia dúzia de horas, que compra uns souvenirs magnéticos (de preferência umas sardinhas) para os frigoríficos lá de casa e no máximo deixa uns cobres nas esplanadas e restaurantes, não me parece que o bem que trazem compense o mal que deixam.


Um desses males, além dos preços altos, das filas e confusões, é a poluição, coisa pouca a poluição, que maçada – a acreditar nuns estudos que li há tempos, um único navio estacionado polui tanto como um milhão de carros durante um dia inteiro, penso que antes da pandemia a emissão de CO2 de todos os cruzeiros que passaram por Lisboa foi superior ao CO2 produzido por todos os carros em circulação nas principais cidades portuguesas, coisa pouca.


Mas afinal parece que estava só a olhar para o lado negativo da coisa, em 2022 as exportações para navios e aviões representaram o nosso oitavo, leram bem, oitavo, destino de exportação, sim exportamos para outros países e para navios e aviões também, afinal é inequívoco que estes turistas deixam um bom retorno em Portugal, não nos podemos dar ao luxo de os dispensarmos.


E que exportações são essas? Tudo aquilo que se consome dentro dos cruzeiros, comida, bebidas, consumíveis em geral, sendo que tudo isto só representa 10% destas exportações, parece que os outros 90% resultam do abastecimento de combustíveis, combustíveis esses que temos de importar e que deixam a tal poluição, que maçada, mas a GALP e as receitas do Estado agradecem.


 

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