Dos filmes de que gosto - O Estrangeiro


A partir do romance homónimo de Albert Camus, o francês François Ozon realizou este admirável O Estrangeiro, que segue o jovem Mersault na Argélia colonial dos anos 40.

Na primeira parte do filme impera o silêncio de um homem frio para quem tudo é indiferente, para quem nada nem ninguém tem significado, limitando-se a viver aquilo que a vida lhe dá sem se preocupar em agradar ou fingir coisas que não sente, sendo na verdade desprovido dessa capacidade de sentir.

Na parte final, O Estrangeiro torna-se mais palavroso quando se inicia um julgamento, num tribunal que pode parecer estranho porque prefere condenar o carácter estranho de Mersault do que um homicídio (não é spoiler, sabemos logo no início do filme que houve um crime).

O Estrangeiro é um filme filosófico sobre o absurdo da vida, mas é também um retrato sociológico do imperialismo europeu, onde mais grave do que matar um árabe é não seguir as regras das convenções sociais, sendo ainda, graças a uma lindíssima fotografia a preto e branco, um filme profundamente estético e sensorial (diria mesmo, sensual).

Absolutamente notável este filme de Ozon.

Comentários